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Cirurgião vascular Seleno Glauber orienta sobre utilização do d-dímero no diagnóstico de trombose e acompanhamento pós-covid

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AR NEWS NOTÍCIAS   Brasil, Maceió  04  de julho de 2022
Vaso sanguíneo -formação de trombo
Vaso sanguíneo -formação de trombo


Em uma série de tweets, O cirurgião vascular Seleno Glauber, especialista em angiorradiologia , cirurgia endovascular  e em radiologia intervencionista , faz profundas análises no uso do d-dímero como preditor na formação de trombos e na avaliação seriada no pós-covid. 

Vejamos seus comentários:

Seu médico anda pedindo o exame laboratorial chamado d-dímero para saber se você tem trombose?

Ele ainda faz dosagens seriadas do d-dímero após a covid?

Será que isso está certo?

Vamos entender primeiro o que é o d-dímero?

Segue o fio.
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Logo após a formação de um coágulo sanguíneo (depois de um corte ou numa trombose venosa, p. ex,), um sistema de controle e dissolução do trombo é ativado (a fibrinólise).

Isso evita que o trombo se forme sem parar e cause danos maiores.

Quando o coágulo é dissolvido, há liberação dos PDF (Produtos de Degradação da Fibrina), que são pequenas proteínas e que vão pra circulação sanguínea.

Um desses fragmentos é o d-dímero, que é detectado por teste laboratorial. O valor esperado numa pessoa sadia é até 500 ng/dL.

D-dímero
D-dímero


Ou seja, o d-dímero pode estar elevado quando há dissolução de coágulos. Seria uma medida indireta de uma trombose.
 
Para pessoas com risco de trombose baixo ou moderado, o d-dímero pode ser usado para definir a probabilidade de haver de NÃO HAVER coágulo recente.
 
Como assim?

Um d-dímero abaixo do valor de referência indica pouca chance de trombose.

Entretanto, um d-dímero elevado não confirma a trombose, mas sim indica a realização de exames confirmatórios (ultrassom ou tomografia, p. ex.)


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O problema é que o d-dímero pode estar elevado em outras condições além da trombose, como após cirurgias, infarto, doenças infecciosas, câncer e no pós-parto. Até um resfriado pode causar sua elevação.
Causas que elevam o D-dímero
Causas que elevam o D-dímero

Mas como usamos o d-dímero então?

Para isso, devemos saber a probabilidade clínica da pessoa estar com a doença (a probabilidade pré-teste).
 
Escores como o de Wells podem classificar a pessoa como baixo (~5%), moderado (~17%) e alto risco (~53%).

Se a sensibilidade do teste for alta (>95%), ele poderá afirmar que uma pessoa está sadia caso o teste for negativo. 

Mas para isso deve ter baixa ou moderada probabilidade da doença.


Assim, a chance do paciente ser verdadeiramente negativo é alta (próxima de 100%). 

Isso se chama de Valor Preditivo Negativo.

Valor preditivo
Valor preditivo


Se a probabilidade da doença é alta, o exame é de pouca importância.
 
Um exame normal numa pessoa clinicamente doente pode ser apenas um falso-negativo (que pode chegar 10 ou 15% dos casos).

Ou seja, você deixaria passar muita gente doente achando que está sadia.


Uma explicação simples sobre esse raciocínio bayesiano pode ser encontrada aqui: Why D-dimer tests cannot be used to exclude venous thromboembolism in patients with high pretest probability


Para quem se interessar, uma boa revisão sobre o uso do d-dímero na triagem de pacientes com suspeita de trombose venosa pode ser lida aqui: Effectiveness of D-Dimer as a Screening Test for Venous Thromboembolism: An Update

Resumo parcial:

O d-dímero é uma boa ferramenta para excluir doença, não para confirmá-la.
 
Mas por que os médicos pedem o exame para iniciar anticoagulação na covid?
 
Bem, isso é outra história...

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🖥️ FONTES : 
Tweets do Dr. Seleno Glauber, Ipsis Litteris
@seleno_glauber

Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Pará - UFPA (2001). Mestre em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo. Doutorando em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo. Título de Especialista em Cirurgia Vascular (MEC e SBACV/AMB), em Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular (MEC) e em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SoBRICE/CBR/AMB). Coordenador Geral da Residência Médica e Estágios do HCI. Coordenador Médico do Centro Cirúrgico e CME do HCI. Editor Científico da Revista Ciências em Saúde - ISSN 2236-3785 Tem experiência na área de Cirurgia Vascular, Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular.

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