Em 8 de agosto de 1926, nasceu uma criança no coração da Cidade do México. Embora tenha crescido explorando muitos lugares, seu coração permaneceu onde sua paixão pela arte surgiu e ele faleceu em sua casa em Coyoacán, em 7 de abril de 2017. Arturo García Bustos é reconhecido por seu papel na história da arte mexicana, nomeadamente como aluno de Frida Kahlo e um artista dedicado cujo legado continua inspirando. Temas da identidade e da história mexicana permeiam a obra de García Bustos, incluindo seu famoso mural da Cidade do México, “A Universidade no Limiar do Século 21”. “O amor que Frida nos incutiu pela cultura mexicana, pelas nossas raízes e costumes populares, ainda está vivo e presente no meu trabalho”, afirmou o artista numa entrevista de 1977 ao El Día, sublinhando a sua dedicação de toda a vida à identidade mexicana.
Uma infância na cidade
Não se pode crescer na Cidade do México sem deixar uma marca. García Bustos estava bem ciente disso, lembrando com carinho que quando era estudante do ensino primário, observava Diego Rivera trabalhando em seus murais na Secretaria de Educación Pública (Ministério da Educação Pública). Mal sabia ele que acabaria por se casar com uma das colaboradoras mais próximas de Rivera, Rina Lazo, e se tornaria mais próximo do mestre muralista do que jamais poderia ter imaginado. Viver no centro da cidade colocou-o no centro de uma metrópole em crescimento, onde assistiu a concertos públicos, frequentou bibliotecas locais e desenvolveu um olhar aguçado para observar a vida urbana.
Um espírito rebelde
Sempre rebelde, García Bustos rompeu com as normas estritas e rígidas da Academia de San Carlos, a academia de arte mais prestigiada do México na época. Ele se transferiu para La Esmeralda — uma decisão que mudou sua vida para sempre. Lá, ele não apenas encontrou seus verdadeiros mentores, mas também conheceu a artista guatemalteca-mexicana Rina Lazo, a mulher com quem se casaria e com quem passaria a vida. Ao contrário da Academia de San Carlos, Frida Kahlo não ensinava através da teoria. Ela evitou uma abordagem clínica da criação, preferindo uma perspectiva sensível e vibrante do processo artístico. García Bustos foi orientado por dois dos artistas mais emblemáticos do México: Diego Rivera e Frida Kahlo, que pintaram este retrato.
(SFMOMA) Ela desafiou seus alunos a observarem profundamente o mundo, pedindo-lhes que contassem as cores sutis escondidas nos objetos do cotidiano. Quando a sua saúde debilitada tornou impossível a sua deslocação para La Esmeralda, ela transformou a sua amada Casa Azul em Coyoacán num santuário criativo. Foi aqui que Arturo García Bustos se tornou um dos quatro alunos dedicados conhecidos como “Los Fridos”. A orientação de Kahlo catalisou um avanço que lançou García Bustos no cenário artístico mexicano. Kahlo defendeu ativamente as carreiras de seus alunos, garantindo-lhes projetos murais locais — como pintar as paredes de uma pulquería próxima — e apresentando o seu trabalho a importantes intelectuais mexicanos.
García Bustos, o militante
La Esmeralda também conectou Arturo a coletivos de artistas que definiram a trajetória de seu trabalho: o Taller de Gráfica Popular (TGP) e os Artistas Jóvenes Revolucionarios. Estes grupos não eram apenas clubes sociais; faziam parte de um movimento mais amplo, expresso por gravadores e pintores que orgulhosamente se viam como trabalhadores visuais da classe trabalhadora. Bustos rapidamente adotou a arte gráfica como uma de suas principais mídias.
Com apenas 18 anos, juntou-se ao Taller de Gráfica Popular — fundado por Leopoldo Méndez, Luis Arenal e Pablo O’ Higgins — para criar panfletos, cartazes e jornais que documentavam as lutas globais e amplificavam as reivindicações sindicais. Através do TGP, García Bustos aprofundou a sua compreensão tanto da gravura como do ativismo sociopolítico. Os membros dividiam o seu tempo igualmente entre retirar impressões e participar em assembleias políticas ou protestos, fazendo a ponte entre a arte e o trabalho. Simultaneamente, jovens criadores construíam os seus próprios espaços. O coletivo Artistas Jóvenes Revolucionarios reuniu estudantes que buscavam expor obras de arte politicamente engajadas.
Contornando galerias e museus tradicionais, expuseram em parques públicos e mercados para convidar ao diálogo direto com os cidadãos comuns.
Inevitavelmente, um professor
Outrora aluno de Frida Kahlo, García Bustos mais tarde procurou transmitir o que aprendeu, ensinando em instituições como a Escuela de Bellas Artes de Oaxaca. (Secretaria de Cultura) Seguindo os passos de Kahlo, Arturo dedicou anos de sua vida à educação. Duas instituições se destacam em sua trajetória docente: a Escuela Nacional de Artes Plásticas da Guatemala e a Escuela de Bellas Artes de Oaxaca. Ele foi convidado para ir à Guatemala pelo escritor e diplomata Luis Cardoza y Aragón — uma decisão calorosamente apoiada por sua esposa, Rina Lazo. Durante sua residência, ele estabeleceu uma oficina de gravura que produziu trabalhos socialmente críticos, embora a convulsão política logo o tenha obrigado a retornar ao México. García Bustos moldou gerações de talentos, incluindo o renomado artista Francisco Toledo, por meio de seu trabalho dedicado na Escuela de Bellas Artes de Oaxaca, inspirando respeito por sua orientação.
Arte
São dois caminhos marcantes que García Bustos percorreu — ou melhor, cultivou — ao longo de sua carreira: o muralismo e a gravura. Talvez à primeira vista parecessem distantes um do outro, mas partilhavam o interesse comum em levar arte ao povo. Embora o primeiro seja geralmente exibido publicamente, o segundo é, por natureza, fácil de reproduzir repetidamente. Quanto à primeira disciplina, mais de 10 murais podem ser atribuídos — individual ou coletivamente — a García Bustos. Seus motivos sempre giram em torno da história mexicana, das tradições indígenas e da justiça social. Embora todo o seu trabalho tenha sido igualmente relevante, algumas peças suscitaram debates e se tornaram marcos onde foram criadas.
Em Oaxaca
Um de seus murais mais significativos, “Las Siete Regiones de Oaxaca”, criado para o Museu Nacional de Antropologia, exemplifica sua dedicação à história e identidade cultural mexicana.
#Oaxaca en el tiempo, Palacio de Gobierno. Foto: Mural del maestro Arturo García Bustos#ViajemosTodosPorMexico #TwitterOax #México #Turismo @TeInvitoaOaxaca — Te Invito a Oaxaca (@TeInvitoaOaxaca) 20 de novembro de 2018
