HGE sob pressão: apagão, embate político e possibilidade de investigação marcam crise na saúde
Maceió (AL) – O apagão registrado no Hospital Geral do Estado (HGE) reacendeu recentemente o embate político entre o ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), e o diretor-geral da unidade, Fernando Melro. Após a repercussão da falta de energia no hospital, que gerou críticas de pacientes, acompanhantes e lideranças políticas, Melro publicou um vídeo defendendo a atuação da direção do HGE e acusando JHC de divulgar informações falsas sobre o episódio.
Em resposta, JHC utilizou seu perfil no Instagram para rebater as declarações de Fernando Melro. Na publicação, escreveu:
"Bora deixar o pau mandado dos Calheiros famoso 👆🏼 Falar até papagaio fala. O povo quer é solução. Comenta aqui quem acha que o HGE precisa mudar?"
A provocação direta ao grupo político dos Calheiros – ao qual Melro é historicamente ligado – evidenciava a tensão entre as esferas municipal e estadual. Na ocasião, JHC inverteu o foco das críticas, sugerindo que os problemas apontados por Melro estavam no próprio HGE, e não na rede municipal de saúde.
Ex-prefeito JHC reage a Fernando Melro após apagão no HGE e reacende embate sobre a saúde em Alagoas
VÍDEO
A troca de manifestações ampliou a repercussão do caso e trouxe novamente ao centro do debate a situação da saúde pública em Alagoas. Enquanto Fernando Melro sustentou que o hospital manteve os atendimentos e acusou o ex-prefeito de divulgar desinformação, JHC direcionou críticas à administração do HGE e cobrou mudanças na gestão da unidade.
O episódio se tornou mais um capítulo da disputa política entre o ex-prefeito e representantes do Governo de Alagoas, em meio às discussões sobre as consequências do apagão e as condições de funcionamento do principal hospital de urgência e emergência do estado.
Ministério Público pode apurar consequências do apagão no HGE, incluindo eventual dano a pacientes
Diante da gravidade do episódio, especialistas em Direito Público apontam que o caso poderá ser objeto de apuração pelos órgãos de controle, entre eles o Ministério Público de Alagoas (MPAL), caso surjam indícios de falhas na prestação do serviço público ou de prejuízos aos pacientes.
Uma eventual investigação poderá buscar esclarecer, entre outros pontos, se a interrupção no fornecimento de energia comprometeu atendimentos, provocou agravamento do estado clínico de pacientes, atrasou procedimentos de urgência ou contribuiu para eventuais óbitos. Também poderá apurar se o plano de contingência da unidade era adequado, se os geradores atenderam plenamente às áreas essenciais e se houve falhas na manutenção da subestação elétrica.
Até o momento, entretanto, não há confirmação oficial de que o Ministério Público tenha instaurado procedimento específico sobre o apagão nem de que tenham sido registrados óbitos ou agravamentos de pacientes diretamente relacionados à ocorrência. A direção do HGE afirma que os setores críticos permaneceram operando com geradores e que os atendimentos essenciais foram mantidos durante a pane, embora pacientes e acompanhantes tenham relatado transtornos, como suspensão temporária de exames, calor intenso e dificuldades no atendimento.
