HGE registrou 1.568 atendimentos por agressões em 2025
Portal AR NEWS 24H relembra denúncia de 2024 do Sindicato dos Médicos e apura que situação de risco na unidade não foi resolvida completamente; dados de 2025 registram que 1.568 agressões foram atendidas no hospital e outros sindicatos também denunciam violência contra profissionais.
Maceió (AL) — Em 2024, o Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed-AL) levantou uma bandeira que, infelizmente, segue arriada até os dias de hoje: a falta de segurança efetiva no Hospital Geral do Estado (HGE).Uma segurança não só física , mas também estrutural ,biológica e mental para os funcionários e pacientes. O alerta sindical apontava para a vulnerabilidade dos médicos em regime de sobreaviso, especialmente nos horários de entrada e saída dos plantões. O AR NEWS 24H acompanhou a denúncia na época e, dois anos depois, retorna ao tema para constatar que a situação ainda não mudou em inúmeros aspectos — e os números confirmam o agravamento do problema.
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| Estado tem dever de garantir segurança a funcionários e pacientes do HGE |
Um vídeo encaminhado ao Sinmed-AL em setembro de 2024,via WhatsApp, e tornado público pela entidade mostra um médico acionado para trabalhar às 4h da manhã denunciando a ausência de segurança na recepção e no estacionamento do HGE. "A área, antes privativa dos médicos, foi convertida em espaço público, expondo os profissionais em horários de maior vulnerabilidade". O sindicato alertou a época: "os atos de violência contra médicos e profissionais da saúde ocorrem, estatisticamente, justamente na entrada e na saída dos plantões."
Os números que confirmam o risco
A percepção de insegurança não é subjetiva. Dados oficiais do HGE revelam que, em 2025, a unidade registrou o atendimento de 1.568 vítimas de agressões, sendo 734 casos de agressões corporais, 480 por arma de fogo, 342 por arma branca e 12 agressões sexuais. Como principal hospital de urgência e emergência de Alagoas, o HGE naturalmente lida com um fluxo intenso de violência — mas esse cenário se reverte diretamente contra os profissionais que nele trabalham, expondo-os a um ambiente de alto perigo.
Agressões recorrentes contra quem salva vidas
A violência contra trabalhadores de saúde no HGE é documentada e recorrente. Em novembro de 2025, o SINDPREV-AL — sindicato dos servidores da saúde — repudiou um ataque brutal contra uma enfermeira da Ala Vermelha (Trauma). Segundo a entidade, um paciente segurou o pescoço da profissional e a jogou contra a parede na noite de um sábado. O agressor já possuía histórico de agressões a mulheres.
O próprio SINDPREV-AL denunciou, em dezembro de 2025, que a saída de emergência da Ala Vermelha encontra-se fechada, impedindo que os trabalhadores deixem o local de forma segura e aumentando o risco de novas agressões. A entidade registrou que as agressões aos profissionais têm sido recorrentes e cobrou medidas efetivas da direção do hospital.
Abandono estrutural amplia a vulnerabilidade
As denúncias do Sinmed-AL em julho de 2025 já apontavam para um cenário de abandono que agrava a exposição dos médicos. O sindicato denunciou que o ar-condicionado da sala de ultrassonografia estava quebrado há quatro meses; que a UTI Pediátrica operava com apenas 11 das 20 vagas por falta de insumos; e que faltavam medicamentos essenciais como morfina, propofol e antibióticos, além de cateteres básicos. A precariedade estrutural, a superlotação e a falta de insumos criam um ambiente de tensão que, somado à ausência de segurança(em todas as suas nuances), torna o HGE um local de alto risco para quem trabalha ali e para quem busca atendimento. Recentemente, uma falha na rede elétrica interna do Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, deixou parte da unidade sem energia por aproximadamente 12 horas nesta sexta-feira (26/06/2026). Apesar de a direção do hospital afirmar que todos os atendimentos foram mantidos durante a ocorrência, pacientes e acompanhantes relataram a suspensão de exames de imagem, como tomografias e raio-X, ao longo do dia.
No instagram, Lenilda Luna cobra esclarecimentos sobre a falta de energia no HGE de Maceió
VÍDEO : Lenilda Luna
Responsabilidade do Estado
O Sinmed-AL expôs que o Estado possui responsabilidade constitucional de garantir a segurança dos cidadãos, incluindo os profissionais que, em exercício de sua função, se dedicam a salvar vidas. A omissão na proteção dos médicos do HGE configura, na visão da entidade, um descaso que extrapola a esfera administrativa e adentra o campo dos direitos fundamentais.
A situação no HGE não é isolada no cenário nacional, mas ganha contornos graves pelo volume de violência que a unidade registra e pela recorrência das denúncias sindicais. Hospitais públicos de grande porte, especialmente aqueles que funcionam como porta aberta para atendimento a traumas e violências, demandam um esquema de segurança permanente e qualificado, capaz de proteger tanto os pacientes quanto os trabalhadores.
O ciclo de alertas ignorados
A recorrência das denúncias aponta para um ciclo preocupante: o Sinmed-AL identifica o risco, comunica às autoridades, mas as medidas corretivas não são implementadas.
Em defesa da vida de quem salva vidas
A luta pela segurança no HGE não é apenas uma reivindicação corporativa: é uma questão de saúde pública. Médicos que temem por sua vida ao chegar ou ao sair do trabalho estão sujeitos a estresse, burnout e, em casos extremos, à desistência da atuação em hospitais de alta complexidade.
O AR NEWS 24H reforça o alerta feito pelo Sinmed-AL em 2024 e seguirá acompanhando o caso, cobrando que o Estado cumpra seu dever constitucional de proteger quem, diariamente, se dedica a proteger a população alagoana.
