
A gigante automobilística alemã Volkswagen anunciou na quinta-feira que irá cortar um total de 100.000 empregos até o final da década, naquela que deverá ser a maior reestruturação já vista na indústria automobilística global.
A empresa afirmou que a administração e os sindicatos aprovaram um plano que envolve a redução de mais 50.000 postos de trabalho, além das 50.000 demissões já acordadas.
É essencial alinhar sistematicamente os níveis de força de trabalho com as realidades econômicas", dizia um comunicado do grupo multimarcas Volkswagen, que, além da própria VW, também inclui a Audi e a Porsche.
O total de 100.000 cortes representa cerca de 15% do quadro de funcionários da Volkswagen em todo o mundo. Essa redução supera os 50.000 cortes de empregos feitos pela General Motors após declarar falência em 2009.
Os sindicatos e a administração entraram em conflito público antes de aprovarem os planos, com os primeiros acusando a segunda de não ter sido honesta com os trabalhadores depois que o número de 100.000 possíveis cortes de empregos surgiu na mídia antes de ser comunicado internamente.
'O motor de toda a região'
Além disso, a Volkswagen também afirmou que o futuro a longo prazo de quatro grandes fábricas alemãs — em Hannover, Emden, Zwickau e Neckarsulm — não poderia ser garantido. O fechamento dessas fábricas representaria o primeiro fechamento em larga escala de unidades da Volkswagen em seu país de origem.
Se esta fábrica fosse realmente fechada, seria uma grande mancha negra no mapa", disse à agência de notícias AFP um funcionário de longa data em Zwickau, na Saxônia.
A fábrica e os empregos fora dela, nossos fornecedores, são o motor de toda a região."
Presa entre as tarifas americanas, a concorrência chinesa e o crescimento lento da demanda por veículos elétricos, a maior montadora da Europa está em apuros.
Reformas da empresa visam impulsionar a lucratividade
No entanto, o CEO Oliver Blume insistiu que a decisão de cortar 100 mil postos de trabalho enviava "um sinal forte para o futuro do Grupo Volkswagen".
A Volkswagen não deu detalhes sobre o cronograma dos cortes e como eles seriam distribuídos pelas diferentes regiões onde possui fábricas e escritórios, mas a empresa afirmou que seu foco se voltará para a América do Norte e que busca expandir as exportações para o Sul Global.
O plano também inclui um investimento de centenas de bilhões de dólares nos próximos anos, à medida que a VW busca aprimorar sua tecnologia por meio de pesquisa e desenvolvimento e se tornar mais competitiva.
Entre as medidas, está uma mudança estrutural que deverá agilizar a tomada de decisões e reduzir em cerca de um terço o número de empresas e participações que detém.
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