Entre julho e outubro de 2025, os pesquisadores documentaram duas mulheres adultas realizando esta técnica. A equipe obteve imagens de ambos os episódios por meio de câmeras e drones instalados no navio de pesquisa. Um registo fora da área conhecida A importância destas observações reside no fato de, até agora, este comportamento só ter sido reportado em Shark Bay, na Austrália Ocidental, pelo que o novo registo expande o mapa conhecido desta prática para uma área localizada no lado oposto do país. A partir de conversas com operadores turísticos locais, os investigadores ficaram também a saber que a mesma técnica tinha sido observada e fotografada no Parque Marinho Great Sandy em 2013 e 2019.
Estas imagens anteriores mostram que o comportamento existe naquela população há mais tempo do que se pensava, embora tenha passado despercebido devido à falta de estudos naquela região. A mídia indicou que os registros de Queensland mostram que os golfinhos localizados a mais de 6.000 quilômetros de distância aprenderam a usar ferramentas de maneira idêntica, provavelmente independentemente uns dos outros. Esta constatação levanta também a possibilidade de este comportamento existir noutras zonas da Austrália ou mesmo noutras partes do mundo sem ter ainda sido detetado, uma vez que no sudeste da Austrália permaneceu sem relatórios formais durante mais de uma década.
Possível transmissão entre mãe e filhote
O estudo também registrou uma cena que os pesquisadores consideram importante. No segundo episódio, observado em outubro de 2025, a equipe conseguiu registrar o bezerro segurando a concha na superfície da água da mesma forma que a mãe havia feito. Este material constitui a primeira evidência potencial de transmissão social materna para este comportamento, ou seja, a possibilidade de o bezerro aprender a usar a ferramenta observando sua mãe. Como os bebês dependem das mães por longos períodos, eles têm tempo suficiente para incorporar comportamentos observação. Os autores associaram esta hipótese a outras técnicas de alimentação especializadas já conhecidas em golfinhos, como o forrageamento de esponjas marinhas.
Antecedentes do uso de ferramentas em animais
A pesquisa faz parte de um campo mais amplo sobre o uso de ferramentas em animais. Um dos primeiros registros documentados remonta à década de 1960, quando a primatologista Jane Goodall observou chimpanzés usando varas para extrair cupins de troncos ocos. A nota também mencionou casos de corvos da Nova Caledônia, que modificam galhos e folhas para extrair larvas, e de polvos que transportam cascas de coco para montar abrigos móveis. Os investigadores notaram que ainda existem questões em aberto sobre as razões pelas quais alguns golfinhos recorrem a esta técnica e outros não. Por enquanto, o estudo permite apenas afirmar que alguns exemplares na Austrália praticam “bombardeios”.
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