
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, denunciou no sábado, 22 de agosto, uma "guerra" comercial lançada pelos Estados Unidos contra seu país, após a implementação de novas tarifas impostas em decorrência do fracasso das negociações comerciais entre os dois vizinhos.
O primeiro-ministro anunciou medidas retaliatórias contra o aço e os laticínios americanos, após rejeitar o "mau acordo" proposto por Washington. Essas medidas, que também afetarão a indústria de papel, máquinas agrícolas e eletrônicos, entrarão em vigor em 8 de setembro, conforme especificou em uma coletiva de imprensa.
As tarifas canadenses serão equivalentes, "em dólar", às tarifas americanas que entraram em vigor no sábado, afetando aproximadamente $20 bilhões (quase € 17 bilhões) em importações canadenses, incluindo cimento e tacos de hóquei.
Na sequência, o negociador americano Jamieson Greer declarou à Fox News que os Estados Unidos "seguiriam com medidas para responder à retaliação canadense", sem fornecer mais detalhes. Ele também afirmou que não há previsão de uma nova rodada de negociações com o Canadá.
Após semanas de negociações, Mark Carney decidiu na sexta-feira à noite encerrar as conversas, pouco antes do ultimato da Casa Branca expirar. "No último minuto, os Estados Unidos tentaram adicionar elementos para restringir nossa capacidade de firmar novos acordos comerciais." Quando se é atacado, está-se em guerra "Fomos atacados", disse o primeiro-ministro canadense, que acredita que os Estados Unidos estão Mark Carney também mencionou "ameaças à língua francesa" e à "cultura quebequense", que, segundo ele, dizem respeito a subsídios para a cultura francófona, ao espaço da mídia francófona online e à exigência de rotulagem bilíngue de produtos vendidos no Canadá.
"Isso é inaceitável Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca em janeiro de 2025, o Canadá tem estado na linha de frente da guerra comercial iniciada pelo presidente americano, que repetidamente declarou seu desejo de tornar seu vizinho o "51º estado. Mas a deterioração das relações entre os dois países ao longo do último ano e meio atingiu um novo patamar, com a mais recente rodada de tarifas americanas visando, em particular, produtos normalmente protegidos pelo USMCA, o acordo de livre comércio entre os Estados Unidos, Canadá e México.
"A América mudou" e "não podemos controlar a tempestade que sopra de Washington", insistiu Mark Carney. O governo canadense, que vinha exigindo uma redução nas tarifas sobre setores duramente atingidos, como o siderúrgico, demonstrou boa vontade ao pedir às autoridades provinciais que encerrassem o boicote aos vinhos e destilados americanos, uma exigência fundamental de Washington. Sem sucesso.
Dependência Econômica
No Canadá, todos os líderes políticos apoiaram a decisão do governo de interromper as negociações. "Não se pode confiar no presidente Trump, é simples assim", disse Doug Ford, primeiro-ministro de Ontário, à imprensa canadense, elogiando a ação de Mark Carney.
A economia canadense, no entanto, pode ser severamente impactada por esta nova rodada de tarifas e retaliações, já que os Estados Unidos são, de longe, o maior parceiro comercial do Canadá, com as exportações para aquele país representando cerca de 70% do total. Mark Carney tentou tranquilizar as empresas anunciando medidas de apoio "pelo tempo que for necessário." A Business Roundtable, que reúne mais de 200 líderes de grandes empresas americanas, pediu que ambos os governos "retornem à mesa de negociações" e "removam as tarifas prejudiciais", segundo uma declaração escrita de seu diretor executivo, Joshua Bolten.
Desde que assumiu o cargo em março de 2025, Mark Carney tem tentado reduzir a dependência de seu país em relação ao seu grande vizinho, buscando novos parceiros comerciais na Ásia e na Europa. "Estamos mais fortes agora do que estávamos quando os Estados Unidos iniciaram esta guerra comercial."
