
BRUXELAS — Os países devem proibir ou restringir o uso de armamento autônomo, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em um apelo conjunto com a Cruz Vermelha nesta terça-feira.
O mundo está cada vez mais perto de "cruzar uma linha vermelha moral", o "ataque autônomo a seres humanos por máquinas", disse Guterres. O comunicado de imprensa da ONU mencionou "relatos não confirmados" de que drones guiados por inteligência artificial estão sendo usados em campos de batalha.
Na segunda-feira, o New York Times publicou uma reportagem alegando que um drone russo guiado por IA matou três ucranianos, destacando como a IA pode evoluir a guerra com drones.
Guterres e a diretora-geral do CICV, Mirjana Spoljaric, ressaltaram que atacar civis em guerras é uma violação do direito internacional humanitário e disseram temer que as máquinas não consigam distinguir entre combatentes e não combatentes.
Ambos pediram a proibição de armas autônomas que produzem resultados imprevisíveis e de armas antipessoal que visam deliberadamente seres humanos.
A ONU realizará uma conferência em Genebra, em novembro, para revisar seu tratado sobre armas convencionais. Espera-se que os sistemas de armas autônomas letais sejam um dos temas dessa reunião. A ONU vem pressionando os países há tempos para que avancem na criação de regras juridicamente vinculativas.
O porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, declarou à imprensa na terça-feira, quando questionado sobre a avaliação da Comissão a respeito da necessidade de supervisão humana em aplicações militares.
A supervisão humana é um conceito fundamental da Lei de Inteligência Artificial do bloco, que, no entanto, não se aplica a aplicações de defesa ou segurança.
