Apagão de quase 12 horas, leitos enferrujados e prazo vencido: sindicatos cobram respostas urgentes sobre o HGE de AL
O Hospital Geral do Estado (HGE), principal porta de urgência e emergência de Alagoas, vive um cenário de deteriorização estrutural que preocupa pacientes, trabalhadores e órgãos fiscalizadores. Localizado em Maceió, a unidade acumula gargalos antigos relacionados à superlotação, precariedade física e déficit de recursos, enquanto uma autuação recente da Vigilância Sanitária teve o prazo de correção encerrado nesta semana sem resposta pública sobre o cumprimento das exigências.
Durante fiscalização detalhada nos dias 9 e 10 de julho de 2026, a Vigilância Sanitária de Maceió (Visa) flagrou condições que comprometem a segurança biológica da unidade. Entre as irregularidades estavam medicamentos abertos sem identificação de validade, injetáveis preparados em seringas deixadas expostas e carência crítica de álcool em gel em setores sensíveis. A estrutura física também chamou atenção dos fiscais: camas hospitalares cobertas de ferrugem, elevadores com defeitos recorrentes, portas baritadas da sala de raio-X danificadas, fiação elétrica aparente com risco de choque e tetos abertos exibindo vigas e dutos de ar-condicionado sem isolamento adequado.
O Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), setor de alta vulnerabilidade a infecções hospitalares, apresentava manchas intensas de mofo e infiltrações nas paredes. Diante do quadro, o hospital foi notificado e recebeu 30 dias para sanar os problemas. Como hoje é 15 de agosto de 2026, o prazo já expirou, mas não há confirmação oficial sobre a efetiva correção das falhas ou a edição de um novo parecer técnico pela autarquia.
VÍDEO:
Suposto abandono e falta de UTI :filha relata calvário de Ana Paula Oliveira no HGE após ataque brutal.
Superlotação e pacientes nos corredores
A pressão sobre o HGE vai além das deficiências físicas. A unidade convive com superlotação crônica, especialmente na Ala Vermelha, destinada ao atendimento de trauma, que costuma funcionar com mais de 150% da capacidade projetada. A dificuldade em encontrar leitos livres de enfermaria e de UTI gera retenção de macas das ambulâncias do Samu e obriga pacientes graves a aguardarem por dias nos corredores ou no próprio pronto-atendimento.
A infraestrutura degradada agrava o risco sanitário. Tetos danificados, quedas repetidas de placas de gesso e forros nas alas Amarela e Vermelha durante chuvas intensas, além de mobiliário hospitalar sucateado, compõem um ambiente que contraria normas básicas de assistência. Relatos de entidades de classe apontam ainda para a falta de insumos básicos, medicamentos e manutenção preventiva de equipamentos médicos essenciais.
O caos na saúde pública se reflete de maneira alarmante no Hospital Geral do Estado (HGE), onde o SINDPREV (Sindicato dos Trabalhadores em Saúde) relatou um aumento significativo na superlotação e na falta de recursos.
— Mídia Livre (@MidiaLibre) January 11, 2026
Superlotação extrema (especialmente na Ala Vermelha/Trauma,… pic.twitter.com/hLq8kSzowP
Apagão de 12 horas e polêmica milionária
Um episódio recente colocou em xeque ainda mais a gestão do complexo. Uma pane na subestação elétrica interna provocou um apagão que durou quase 12 horas. O incidente paralisou equipamentos de diagnóstico por imagem, como tomógrafos, travando exames de urgência. Os geradores de emergência mantiveram em funcionamento apenas as áreas críticas, como UTIs e centros cirúrgicos, mas deixaram enfermarias e corredores às escuras. Pacientes e acompanhantes enfrentaram calor intenso, falta de ventilação e proliferação de mosquitos.
O caso repercutiu ainda mais porque dados do Portal da Transparência mostram que o governo estadual desembolsou mais de R$ 9,2 milhões em contratos de locação de geradores de contingência. O valor elevado alimentou críticas sobre a ausência de investimentos em manutenção preventiva da rede elétrica principal do hospital.
Cobranças sindicais e precarização laboral
Sindicatos que representam os trabalhadores da saúde em Alagoas, entre eles o SINDPREV-AL, intensificaram denúncias sobre o colapso assistencial. Segundo as entidades, o desabastecimento crônico de materiais para procedimentos vasculares, como angioplastias, tem feito pacientes esperando por pequenas amputações desenvolverem necroses e infecções nos corredores da unidade.
A falta de concursos públicos periódicos deixou o quadro de técnicos de enfermagem e enfermeiros abaixo do dimensionamento seguro exigido pelos conselhos de classe. A sobrecarga resulta em adoecimento em massa das equipes de plantão. As categorias reivindicam o cumprimento e a atualização do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), além do pagamento de progressões atrasadas e recomposição salarial para conter a precarização dos vínculos.
Resposta da gestão
A Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) e a direção do HGE têm rebatido as denúncias. A gestão afirma que mantém um cronograma permanente de obras e engenharia para reparos estruturais e defende que as falhas elétricas atingem apenas setores não vitais. Os gestores classificam os problemas de infraestrutura como pontuais e destacam o alto volume de atendimentos e a produtividade da unidade como indicadores de funcionamento.
Enquanto isso, pacientes e profissionais aguardam posicionamento claro da Vigilância Sanitária sobre o cumprimento das determinações após o vencimento do prazo e medidas concretas para a reversão do quadro de degradação na principal unidade de urgência do estado.
