Idosa de 89 anos aguarda cirurgia há quase um mês após fratura no fêmur em Alagoas
Família denuncia sucessivos adiamentos na rede pública estadual e relata piora no quadro clínico com lesões por pressão; Sesau promete realizar procedimento em Maceió após etapa cardiológica
Há quase 30 dias, a aposentada Deisy Gomes de Lima, de 89 anos, permanece sem previsão concreta para uma cirurgia ortopédica na rede pública de saúde de Alagoas. A idosa fraturou o fêmur após uma queda dentro de casa no dia 12 de junho e, desde então, enfrenta sucessivas transferências e adiamentos de procedimento em unidades estaduais.
![]() |
| Idosa é transferida entre dois hospitais estaduais e segue sem cirurgia quase um mês após fratura no fêmur |
A família contou que, após o acidente, Dona Deisy deu entrada no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, onde ficou internada por 23 dias. Durante esse intervalo, a paciente foi submetida a vários exames e teve a cirurgia agendada mais de uma vez, mas todas as tentativas foram suspensas sem que uma nova data fosse confirmada.
No dia 5 de julho, a idosa foi transferida ao Hospital Regional da Mata (HRM), em União dos Palmares, no interior de Alagoas. A mudança de unidade fez os parentes acreditarem que a intervenção finalmente seria realizada. No entanto, os acompanhantes relataram encontrar elevada superlotação no local, com pacientes em macas e cadeiras de rodas nos corredores.
Marca-passo suspende cirurgia no interior
Assim que chegou ao HRM, Dona Deisy passou por nova avaliação clínica e foi levada para a enfermaria. Pouco depois, os familiares foram informados de que o hospital não conseguiria operá-la. O impedimento estaria relacionado ao marca-passo que a idosa utiliza, o que exigiria suporte técnico indisponível naquela unidade do interior.
O filho da paciente relatou à reportagem o cenário de angústia vivido pelos parentes. Ele explicou que a mãe ficou mais de três semanas no HGE e que, ao ser levada para o HRM, a família esperava a resolução do caso. Segundo ele, a equipe descartou o procedimento no interior sob o argumento de que a cirurgia só poderia ser feita na capital, diante da necessidade de acompanhamento cardiológico específico para o manejo do dispositivo. O familiar também destacou que não houve previsão de data e que a continuidade da espera agrava o sofrimento da aposentada.
À medida que os dias passam, o estado de saúde da idosa apresenta complicações. Durante o período de internação, que se aproxima de um mês, ela desenvolveu escaras, feridas na pele provocadas pela pressão constante do leito. A situação aumentou o temor da família quanto aos riscos do longo repouso sem correção da fratura.
Sesau promete cirurgia em Maceió após ajuste cardíaco
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) confirmou que a paciente possui comorbidades graves do coração e faz uso de marca-passo. Em nota, a pasta explicou que a avaliação pré-operatória no HRM apontou a necessidade de desligar temporariamente o equipamento durante a anestesia e o ato cirúrgico.
Como o serviço deve ser executado pela empresa fabricante do dispositivo, sediada em Maceió, a secretaria informou que a companhia já foi acionada. Dona Deisy deve retornar ao HGE para a intervenção no marca-passo e, em seguida, submeter-se à cirurgia definitiva na capital.
A Sesau reforçou que o fluxo adota protocolos de segurança diante da idade avançada e da complexidade do caso. A pasta garantiu que todas as etapas estão sendo coordenadas para reduzir riscos e assegurar as condições ideais para o procedimento ortopédico.
.webp)