União Europeia Avança Sobre Terras Raras do Brasil em Busca de Independência da China
A União Europeia intensificou sua ofensiva diplomática para garantir acesso às vastas reservas de terras raras do Brasil, consideradas estratégicas para a indústria de alta tecnologia e para a transição energética global. O movimento ocorre em meio aos esforços de Bruxelas para reduzir sua dependência da China e responder à crescente presença dos Estados Unidos no setor mineral da América do Sul.
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| Europa Mira Reservas Bilionárias de Terras Raras do Brasil em Disputa Estratégica com China e EUA. |
Segundo informações do Estadão, o Comissário Europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, visitará o Brasil entre os dias 18 e 24 de junho para discutir investimentos e acordos de fornecimento ligados a minerais críticos. A agenda inclui encontros em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, acompanhado por representantes do Banco Europeu de Investimento e da iniciativa Global Gateway, principal programa de investimentos externos da União Europeia.
A visita reflete uma disputa geopolítica cada vez mais intensa por recursos minerais considerados essenciais para a produção de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Atualmente, a China domina o processamento mundial de terras raras, posição que preocupa governos ocidentais diante da crescente rivalidade econômica e tecnológica entre as grandes potências.
O Brasil surge como peça-chave nesse cenário. Estimativas apontam que o país possui cerca de 21 milhões de toneladas de reservas de terras raras, o equivalente a aproximadamente 23% dos recursos conhecidos no planeta, tornando-se um dos principais alvos de interesse internacional.
Um dos pontos centrais da visita será a ida de Síkela, no dia 20 de junho, ao Projeto Colossus, localizado em Poços de Caldas (MG) e operado pela empresa australiana Viridis Mining and Minerals. O empreendimento é considerado uma das iniciativas mais promissoras do setor no país.
Autoridades europeias afirmam que a União Europeia pode oferecer ao Brasil uma parceria baseada em investimentos, transferência de tecnologia, capacitação profissional e segurança jurídica. Diferentemente do modelo tradicional de exportação de matéria-prima, Bruxelas defende que parte da cadeia produtiva seja desenvolvida em território brasileiro, agregando valor aos minerais antes de sua exportação.
A estratégia foi resumida pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que destacou a importância dos minerais críticos para a autonomia econômica do bloco.
"Isso é fundamental para nossas transições digital e energética, bem como para nossa independência estratégica em um mundo onde os minerais tendem a se tornar instrumentos de pressão geopolítica."
Do lado brasileiro, autoridades têm sinalizado que qualquer acordo deverá contemplar investimentos em processamento, refino e industrialização dentro do país, evitando que o Brasil permaneça apenas como fornecedor de matéria-prima.
A movimentação ocorre em um momento de fortalecimento das relações entre Europa e América do Sul. Em 1º de maio, entrou em vigor provisoriamente o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, concluído após 25 anos de negociações. O pacto amplia o acesso de empresas europeias aos mercados sul-americanos e reforça o interesse do bloco em recursos estratégicos da região, incluindo as valiosas terras raras brasileiras.
Com a corrida global por minerais críticos ganhando intensidade, o Brasil se consolida cada vez mais como um ator central na disputa geopolítica que envolve Europa, Estados Unidos e China pelo controle das matérias-primas que definirão o futuro da economia mundial.
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