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Maceió AL - -

Fraudes em concursos: Esposa e irmão do Delegado-Geral de Alagoas entre os beneficiados

A investigação envolvendo Gustavo Xavier, delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, está centrada em sua esposa, Aially Xavier, que é suspeita de estar envolvida em fraudes relacionadas ao Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024. A Polícia Federal (PF) realizou uma operação chamada "Última Fase", que incluiu buscas na residência do casal em Maceió, onde foram coletadas evidências que indicam possíveis irregularidades.

Delegado-Geral da Polícia Civil, Gustavo Xavier
Delegado-Geral da Polícia Civil, Gustavo Xavier



Ailly Xavier é acusada de ter se beneficiado de um esquema fraudulento que envolvia a manipulação de gabaritos de provas, com indícios de que seu desempenho no CNU era idêntico ao de outros candidatos que também estão sendo investigados. Apesar de a PF não ter encontrado provas diretas em seu celular, os investigadores afirmam que existem "fortes indícios" de sua participação no esquema.

Além disso, a operação da PF não se limita apenas a Alagoas, mas também investiga fraudes em concursos de outros estados, como Pernambuco e na Universidade Federal da Paraíba. A PF identificou que a organização criminosa utilizava métodos sofisticados, como o uso de pontos eletrônicos, para facilitar as fraudes durante as provas.

A Polícia Federal concluiu, em investigação que corre na 16ª Vara Federal da Paraíba, que o atual delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, nomeado pelo governador Paulo Dantas (MDB), comanda um esquema criminoso de fraudes em concursos públicos.

As investigações, que já duram meses, apontam que Xavier passou a exercer "poder de comando" sobre a organização criminosa, coagindo seus integrantes a desviarem as atividades do grupo para beneficiar seus familiares.

Segundo documentos obtidos , a esposa do delegado-geral, Aially Soares Tavares Pinto Xavier, foi aprovada no Concurso Nacional Unificado (CNU) para o cargo de Auditora Fiscal do Trabalho com um gabarito idêntico ao de outros investigados. O irmão dele, Mércio Xavier Costa do Nascimento, também foi beneficiado no concurso do Banco do Brasil de 2023, utilizando um "clone" – uma pessoa que fez a prova em seu lugar.

De acordo com a PF, Gustavo Xavier passou a integrar o alto escalão da organização criminosa por meio de coação. O colaborador Thyago José de Andrade, apontado como um dos operadores do esquema, relatou em depoimento que, após ser preso, passou a ser coagido por Xavier, que exigia que o grupo fraudasse concursos em favor de pessoas de seu círculo íntimo.


Gustavo Xavier, por sua vez, não foi diretamente implicado nas fraudes, mas sua posição como delegado-geral levanta questões sobre a integridade do processo investigativo, especialmente considerando que ele é responsável por investigar fraudes em concursos públicos. A situação é complexa e continua a se desenvolver, com a PF e o Ministério Público Federal envolvidos na apuração dos fatos.

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Foto: Pei Fon/Agência Alagoas
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