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Constituição à la carte: o cardápio editorial da Globo

EDITORIAL: O Monopólio da Verdade e a Pauta Única do Poder — A Seletividade da "Defesa da Democracia"

Há décadas, o Grupo Globo construiu para si o título de "guardião da verdade" no cenário midiático brasileiro. Suas chamadas institucionais, seus padrões de qualidade e seus jornalistas mais badalados repetem à exaustão o mantra da imparcialidade e do compromisso inegociável com os fatos. No entanto, para uma parcela cada vez mais atenta da sociedade, o que se vê na prática é justamente o oposto: um projeto de poder que opera por meio de uma campanha permanente e sistemática, cujo posicionamento varia conforme o alvo e a conveniência política e econômica.


O apoio, o silêncio e o grito: a Globo e o STF
O apoio, o silêncio e o grito: a Globo e o STF


Não se trata de teoria da conspiração, mas da observação de um padrão de conduta editorial que se manifesta de forma seletiva. Quando um agente público incômoda aos interesses do grupo, ele fica na mira, e a cobertura jornalística muda de tom. O que era notícia vira militância. A informação dá lugar à opinião travestida de reportagem.

O Apoio Histórico às Investidas Contra Bolsonaro

É preciso reconhecer um fato incontestável: a Globo apoiou sistematicamente as investidas judiciais contra Jair Bolsonaro e seus apoiadores, mesmo quando as decisões de Alexandre de Moraes e do STF geraram controvérsias jurídicas e acusações de violação à Constituição.

As evidências desse apoio são numerosas. Em setembro de 2025, a Rede Globo interrompeu sua programação para anunciar em plantão especial que o STF formara maioria para condenar Bolsonaro, em um movimento que críticos apontaram como transformação de decisões jurídicas em "espetáculo televisivo", priorizando o impacto imediato sobre a análise aprofundada dos fatos. O tom era de celebração, não de questionamento.

Em editorial de setembro de 2025, o jornal O Globo afirmou que o "Julgamento de Bolsonaro reflete força da democracia", destacando que, pela primeira vez em 135 anos de República, acusados de golpe de Estado estariam no banco dos réus. Não havia ali qualquer menção a supostos "excessos" ou "aberrações jurídicas" — apenas a exaltação do processo.

Em agosto de 2025, reportagem de O Globo fez uma leitura institucionalista da prisão de Bolsonaro, apresentando a medida de Moraes como uma "resposta necessária" que fortalecia o Supremo diante de ataques da extrema-direita. A colunista Malu Gaspar, que recentemente passou a criticar Moraes, chegou a reconhecer que o ministro "extrapolou atribuições legais", mas classificou esses excessos como "justificáveis" diante da gravidade da ameaça golpista.

A Virada de Chave: Quando os Interesses da Própria Globo Foram Ameaçados

O que a narrativa anterior omitia é que esse apoio incondicional começou a dar sinais de fissura apenas quando as decisões de Moraes passaram a afetar diretamente os interesses econômicos e editoriais do próprio grupo Globo.

O ponto de inflexão foi julho de 2025, quando Moraes proibiu não apenas Bolsonaro de se manifestar, mas também qualquer veículo de imprensa de divulgar entrevistas ou declarações do ex-presidente nas redes sociais. A medida, que impedia a própria Globo de publicar conteúdo com Bolsonaro em suas plataformas digitais, foi recebida com duras críticas.

O jornal publicou então o editorial "Proibir entrevista é indevido e inoportuno", no qual afirmava que "a imprensa deve ser livre e não pode trabalhar sob cerceamento" e que "antes de qualquer condenação, Bolsonaro deve ser livre para dar entrevistas". O texto comparava o tratamento dispensado a Bolsonaro com o concedido a Lula em 2019, que pôde dar entrevistas da prisão, classificando a decisão de Moraes como "extravagante".

A partir desse momento, o tom editorial mudou. Colunistas como Malu Gaspar passaram a publicar investigações sobre contratos do escritório da esposa de Moraes e reuniões do ministro com o presidente do Banco Central, em um movimento que a Revista Fórum classificou como um "levante" contra o ministro.

A Seletividade Exposta: Duas Medidas, Dois Tratamentos

A contradição fica evidente quando se comparam as reações da Globo a duas situações distintas:

Decisão de Moraes Posição da Globo Contexto
Prisão de Bolsonaro e condenações de apoiadores Apoio explícito, celebração, plantões na TV Decisões que atingem alvo político oposto ao grupo
Proibição de entrevistas de Bolsonaro na imprensa Crítica dura, editorial classificando como "censura" e "indevida" Decisão que atinge diretamente a liberdade editorial da Globo

Não se trata, portanto, de uma defesa principista da Constituição ou do devido processo legal. Trata-se de uma defesa seletiva de interesses: quando as decisões de Moraes atingem Bolsonaro e seus apoiadores — alvos legítimos do ponto de vista editorial da Globo —, o silêncio é absoluto ou há apoio explícito, mesmo diante de questionáveis violações ao devido processo legal. Quando as mesmas decisões passam a cercear a própria imprensa, aí sim a "defesa da democracia" é acionada.

O Caso Recente da Prisão Domiciliar: Exceção que Confirma a Regra

A cobertura da recente internação de Bolsonaro e dos pedidos de prisão domiciliar ilustra perfeitamente essa seletividade. Em editorial de março de 2026, O Globo defendeu que "Bolsonaro deveria ser transferido a prisão domiciliar" por questões humanitárias, dado seu quadro de pneumonia bacteriana.

O texto, porém, faz questão de ressalvar: "Não está em questão sua condenação por tentativa de golpe de Estado. A pena de mais de 27 anos mal começou a ser cumprida". Ou seja, apoia-se a medida humanitária, mas reafirma-se a legitimidade da condenação e do processo que a originou — processo esse que, em outros momentos, a própria Globo apoiou incondicionalmente.

Conclusão: O Interesse como Bússola Editorial

A história recente demonstra que a Globo não é uma defensora intransigente da Constituição, nem uma crítica sistemática de Alexandre de Moraes. Ela é uma defensora intransigente de seus próprios interesses.

  • Quando Moraes age contra Bolsonaro — mesmo com decisões questionáveis do ponto de vista jurídico —, a Globo apoia ou silencia.
  • Quando Moraes age contra a liberdade da própria imprensa de entrevistar quem quiser, a Globo critica com veemência.

A "defesa da democracia" que a Globo diz professar é, na prática, uma defesa de sua própria centralidade no jogo político e econômico brasileiro. Enquanto seus interesses estiverem alinhados com os do STF no combate ao bolsonarismo, o apoio será incondicional. Quando esses interesses colidirem, aí sim a "preocupação com a Constituição" virá à tona.

O discurso oficial da emissora é o de que ela é vítima de um "mar de mentiras" e de "teorias da conspiração". Mas a realidade dos fatos — de seus próprios editoriais e reportagens — mostra que a maior ameaça à credibilidade jornalística não vem das redes sociais, mas sim dessa seletividade editorial que trata a Constituição como um cardápio: escolhe-se o que serve, ignora-se o que incomoda.

Enquanto a Globo insistir em tratar seus interesses corporativos como se fossem a "vontade democrática" da nação, continuará alimentando a desconfiança e confirmando, por seus próprios atos, a tese de que sua maior campanha permanente é, na verdade, contra a honestidade intelectual e a coerência jornalística.


✍️ Nota editorial: Este texto incorpora a perspectiva de que a Globo apoiou sim as investidas judiciais contra Bolsonaro e apoiadores, mesmo quando questionáveis, e que as críticas a Moraes surgiram apenas quando os interesses da própria Globo foram afetados. O padrão observado é de seletividade, não de defesa principista da Constituição.

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