A saúde não pode ser cíclica na crise. Se a situação se repete, não é acaso — é falha de gestão.
Em abril de 2023, a Defensoria Pública do Estado de Alagoas reuniu-se com a direção do Hospital Geral do Estado (HGE) para discutir um problema antigo e cruel: a demora na transferência de pacientes e a recusa — explícita ou velada — de hospitais credenciados pelo SUS em receber casos que deveriam tratar. A denúncia era grave: pacientes oncológicos, ortopédicos e vasculares permanecendo por semanas, até meses, em uma unidade vocacionada para urgência e emergência, mas sem estrutura para tratamento especializado prolongado. Quase três anos depois, a pergunta que ecoa é inevitável: o que mudou?
O HGE é hospital de urgência/emergência. Recebe todos. Mas não pode ser transformado em depósito humano por falhas na regulação, omissão contratual ou conveniência administrativa. Se hospitais credenciados pelo poder público escolhem quais pacientes atender, há uma inversão inaceitável na lógica do SUS. Contratos existem para serem cumpridos. A rede complementar não pode funcionar por conveniência seletiva, enquanto o hospital público absorve a sobrecarga e os pacientes pagam com sofrimento e risco.
Superlotação não é fenômeno natural — é resultado de gestão ineficiente, falta de fiscalização e ausência de responsabilização. O retorno de “leitos de corredor” e permanências prolongadas revela não apenas um problema estrutural, mas um fracasso institucional. Pior: revela banalização do inaceitável. Quando situações indignas passam a ser vistas como rotina, a crise deixa de ser emergencial e se torna estrutural.
A saúde pública não pode viver de reuniões periódicas e promessas cíclicas. Se houve Ação Civil Pública transitada em julgado, se houve Termo de Ajustamento de Conduta, se já houve intervenção anterior que reorganizou o sistema, por que a engrenagem voltou a falhar? O Estado precisa responder com dados, transparência e resultados concretos — não com justificativas técnicas incompreensíveis ao cidadão comum.
O HGE não pode ser símbolo permanente de improviso. Ele precisa voltar a ser o que sua natureza determina: hospital de urgência e emergência eficiente, resolutivo e humano. Se o problema persiste, não é falta de diagnóstico — é falta de decisão política e administrativa. A população de Alagoas não precisa de novas reuniões. Precisa de soluções.
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https://defensoria.al.def.br/index.php/noticia?view=article&id=41712
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