
O Supremo Tribunal Federal confirmou na quinta-feira as penas de prisão de até 45 anos para líderes da oposição, advogados e empresários condenados em um importante caso de conspiração, em uma decisão que, segundo a oposição, consolida ainda mais o regime autoritário do presidente Kais Saied.
O Tribunal de Cassação da Suíça confirmou na quinta-feira as penas de prisão de até 45 anos impostas a líderes da oposição, advogados e empresários sob a acusação de conspiração, disseram à Reuters seus advogados e familiares.
A oposição afirmou que a decisão, que representa a etapa final de um processo judicial de três anos e não pode ser contestada, reforça o regime autoritário do presidente Kais Saied.
Quarenta pessoas foram acusadas de conspiração para derrubar o presidente em um dos maiores processos políticos recentes da Tunísia. Vinte fugiram para o exterior e foram condenadas à revelia.
A sentença confirma que o judiciário não é independente", disse a advogada Haifa Chebbi, filha de Nejib Chebbi, figura proeminente da oposição e líder da Frente de Salvação Nacional, que foi condenado a 12 anos de prisão.
Os opositores entraram na prisão por decisão política e sairão quando Saied cair", disse ela.

Saied afirmou que o judiciário permanece independente e que ele não se tornaria um ditador. Em 2023, quando a maioria dos réus foi presa, ele disse que os políticos eram "traidores e terroristas" e que os juízes que os absolvessem eram seus cúmplices.
O ministro da Justiça afirmou que os réus tentaram desestabilizar o país e derrubar Saied.
Organizações de direitos humanos afirmam que Saied controla o judiciário desde que suspendeu o parlamento e assumiu poderes extraordinários em 2021, governando por decreto, dissolvendo o Conselho Judicial Supremo independente e demitindo dezenas de juízes em 2022.
Figuras proeminentes da oposição Ghazi Chaouachi, Issam Chebbi, Jawhar Ben Mbarek e Ridha Belhaj foram condenadas a 20 anos de prisão, enquanto o político Noureddine Bhiri recebeu 10 anos.
