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"Tenho mais de 70 anos e nunca imaginei que entrar nas redes sociais me faria sentir mais sozinha; agora vejo tudo aquilo de que não faço parte

✍️ Redação AR NEWS 24H ⏱️ 4 min de leitura
"Tenho mais de 70 anos e nunca imaginei que entrar nas redes sociais me faria sentir mais sozinha; agora vejo tudo aquilo de que não faço parte

As redes sociais cativam jovens e idosos, mas a promessa de encurtar distâncias e manter o contato com amigos e familiares nem sempre se concretiza. Diversos estudos indicam que, em muitos casos, elas podem gerar mais insatisfação do que sentimentos positivos. Agora, uma mulher refletiu sobre como a hiperconectividade moderna afeta a saúde emocional de pessoas mais velhas. Para quem tem mais de 70 anos, criar uma conta em plataformas digitais como Instagram, Facebook, TikTok ou outras pode acabar tendo o efeito oposto ao esperado: em vez de diminuir a distância com os entes queridos, acaba por aumentar o distanciamento do mundo ao seu redor. Uma mulher dessa faixa etária escreveu no site Bolde sobre o paradoxo de se sentir mais sozinha em um mundo onde todos parecem estar hiperconectados.

Ela conta que decidiu entrar nas redes sociais por curiosidade e na esperança de se aproximar de seus familiares. Foi sua neta quem criou uma conta no Facebook para ela há três anos, dizendo que seria uma "janela" que a ajudaria a se manter conectada. A plataforma a ensinou a postar, a navegar no site e a encontrar pessoas com quem não falava há décadas. Nesse sentido, a autora refletiu que ela funcionou como uma janela, mas disse que o problema é que essas janelas têm duas perspectivas e, no caso dela, ela podia ver os outros, mas o que mais via era o que acontecia com ela. "Eu não esperava por isso": o que as redes sociais geraram para uma mulher de 70 anos. A mulher disse que esperava se sentir mais conectada, não menos, do que acabou se sentindo.

Ela percebeu que, naquela rede, podia navegar por uma versão da vida que se movia mais rápido do que ela e falava uma linguagem que nem sempre reconhecia. A diferença entre o que ela via e quem ela era se tornou enorme. "Ninguém te avisa sobre essa parte", afirmou. Ela disse que, então, via reuniões familiares para as quais não foi convidada, onde as fotos mostravam seu sobrinho, sua irmã e seus primos, mas ela não estava lá. Doía-lhe descobrir sobre esses encontros como uma estranha. Ela disse que não acredita que a intenção fosse excluí-la, mas simplesmente que "não lhes ocorreu."

Outro problema que a entristecia era a sensação de ser excluída do fluxo das conversas. Se alguém publica algo, surgem instantaneamente quarenta comentários, incluindo piadas, referências e abreviações, que a deixam completamente de fora. "Quando consigo pensar em algo para dizer, a conversa já acabou", confessou. Claro, esta é a experiência pessoal da autora, mas pode transcender a mera subjetividade e se tornar uma tendência inevitável. Isso também não significa que as redes sociais sejam ruins, já que está comprovado que elas conectam pessoas e reduzem a lacuna de comunicação. Nem todos os casos são iguais.

Por exemplo, um estudo publicado no PubMed, o site da Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA (NIH), intitulado "Redes Sociais e Bem-estar Social na Velhice", afirma que manter relacionamentos sociais muitas vezes se torna mais difícil na velhice devido à aposentadoria, doenças crônicas e à morte de cônjuges e amigos. Contrariando essa ideia, o resumo afirma que as plataformas de redes sociais "oferecem tecnologias de comunicação acessíveis e de baixo custo que comprovadamente aumentam a sensação de conexão social e reduzem a solidão em faixas etárias mais jovens."

Por fim, cabe ressaltar que esses dois aspectos não são mutuamente exclusivos. No caso do autor, as redes sociais abriram seus olhos.

Para ela, a solidão era algo mais abstrato, e ela não tinha consciência das dinâmicas das quais não participava. Assim que teve acesso, o sentimento de exclusão tornou-se concreto. "Vejo reuniões familiares para as quais não fui convidada".

As conversas acontecem em uma velocidade que não consigo acompanhar. Vejo meus netos crescerem através de uma tela. Vejo o quanto o mundo mudou e que não há muitos lugares para mim. As pessoas sobre as quais mais quero saber são as que menos postam. Comparo minha vida tranquila com a vida planejada de todos os outros. "Recebo mais felicitações de aniversário de estranhos do que de pessoas que conheço". "Manter-se conectado" e "sentir-se conectado" são duas coisas diferentes. "Sinto falta de quando manter contato exigia esforço. Permaneço nas redes sociais porque a alternativa parece pior."

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