
Quase metade dos eleitores de um estado alemão votou no AfD. Na Saxônia-Anhalt, o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou 43,8% dos votos, tornando-se a principal força política do estado com uma vitória esmagadora. Os democratas-cristãos (CDU), partido do atual chanceler Friedrich Merz, ficaram com apenas 17,2% dos votos, perdendo mais da metade dos votos desde a eleição anterior, em 2021. Esta não é apenas uma eleição regional. É um sinal de que o mapa político da Alemanha está mudando. O resultado das eleições regionais realizadas ontem, 6 de setembro, tem implicações de longo alcance que vão além das fronteiras da Saxônia-Anhalt. A Alemanha continua sendo a maior economia da União Europeia e um de seus atores políticos mais decisivos. Quando o eleitorado alemão muda de direção, mais cedo ou mais tarde toda a Europa sente o impacto.
Um resultado que rompe com o antigo mapa político: a Alemanha é uma república federal composta por 16 estados federados, os Länder. Cada um tem seu próprio parlamento e governo regional. A Saxônia-Anhalt, localizada na região centro-leste do país e com pouco mais de dois milhões de habitantes, é uma delas. Mas seria um grande erro considerar o ocorrido como uma questão meramente local. O AfD obteve quase 44% dos votos, mais que o dobro do resultado das eleições de 2021. Venceu em 38 dos 41 distritos eleitorais e garantiu 39 das 83 cadeiras no parlamento regional. A CDU, que durante décadas foi uma das principais forças políticas do país, despencou para 17,2% (15 cadeiras) e não conseguiu eleger nenhum representante. Enquanto isso, os Social-Democratas (SPD), os Verdes e o Partido da Esquerda (Die Linke) não ultrapassaram os 10%, com 8 cadeiras cada. O mapa eleitoral ficou azul.
E há outro fato crucial: a participação eleitoral atingiu 77,8%, a maior registrada em uma eleição regional na Saxônia-Anhalt desde a reunificação alemã. É difícil encontrar uma demonstração mais clara da velocidade com que o cenário político alemão está mudando. Os alemães não ficaram em casa. Foram às urnas e votaram esmagadoramente no AfD. O que os eleitores realmente estão dizendo? Durante anos, o establishment político alemão tentou explicar a ascensão do AfD como um fenômeno passageiro: um voto de protesto, uma reação confinada principalmente ao leste do país ou simplesmente o resultado de certos fatores circunstanciais. Para reforçar essa narrativa, candidatos e apoiadores do AfD foram excluídos de debates políticos e transmissões públicas de televisão e rádio, enquanto uma campanha sistemática de difamação era travada contra o partido.
Políticos dos partidos tradicionais chegaram a aparecer juntos em programas de televisão para discutir como combater ou "parar" o AfD, sem a presença de nenhum político do AfD para contestar suas afirmações ou defender as posições do partido. Cada eleição torna essa estratégia mais difícil de sustentar. O AfD se tornou o partido do povo, trabalhando para o povo. Rompemos com a política tradicional e fomos falar diretamente com os eleitores. Conquistamos as redes sociais, ouvimos os cidadãos comuns e abordamos os problemas reais que afetam seu dia a dia. No AfD, milhões de pessoas finalmente viram suas próprias preocupações, frustrações e convicções representadas — até mesmo aquelas que por muito tempo tiveram medo de expressar abertamente. O AfD se tornou o partido do povo.
Por trás desse resultado eleitoral, estão preocupações muito concretas: imigração e segurança, preços da energia, perda de competitividade da indústria alemã, inflação, burocracia e uma carga regulatória cada vez maior.
Há também uma crescente percepção de que as decisões que afetam diretamente o cotidiano dos cidadãos estão sendo cada vez mais tomadas em gabinetes em Bruxelas, quando deveriam permanecer nas mãos dos Estados-nação, de suas regiões e de seus cidadãos. Essas são questões que afetam diretamente a vida de milhões de pessoas, e o AfD tem sido o partido disposto a abordá-las abertamente, sem buscar a permissão do consenso político estabelecido. Essa é uma das razões pelas quais estamos crescendo! O "Brandwall" não consegue conter os votos. Existe uma peculiaridade na política alemã chamada Brandmauer, o "baluarte" contra o AfD. Por décadas, os partidos tradicionais estiveram dispostos a formar coalizões entre si, muitas vezes comprometendo seus próprios valores e traindo seus eleitores, simplesmente para impedir que o AfD chegasse ao poder.
De fato, o principal denominador comum de seus programas políticos tornou-se cada vez mais a luta contra o AfD.
