
No final da semana passada, começaram circulando informações de que os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) haviam chegado a um acordo com o Departamento de Defesa que previa o uso de parte do orçamento do NIH para financiar pesquisas no Departamento de Defesa. Assim, na sexta-feira que antecedeu um feriado prolongado nos EUA, o Departamento de Defesa divulgou uma cópia do acordo e confirmou que ele havia sido assinado cerca de um mês antes. A medida é surpreendente por diversos motivos, desde as disparidades orçamentárias existentes entre as duas partes envolvidas até o fato de que o dinheiro seria usado para projetos que a atual direção do NIH rejeitou explicitamente.
O acordo em si estabelece um sistema no qual o NIH transferiria verbas para o Departamento de Defesa para financiar pessoal e projetos que "apoiem o desenvolvimento avançado de contramedidas médicas contra pandemias de gripe, ameaças químicas, biológicas, radiológicas e nucleares (QBRN) e doenças infecciosas emergentes".
O dinheiro viria do orçamento do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) do NIH, ao qual o Congresso destinou $6,6 bilhões em 2026. O acordo tem duração prevista de dez anos.
Não foi especificado quanto do orçamento do NIAID será gasto em projetos de defesa. Uma reportagem da Nature sugere que o Departamento de Defesa buscava até um terço de seu orçamento total, mas foi instruído a se contentar com cerca de 10%. Há, obviamente, uma enorme disparidade entre os orçamentos dessas duas agências, visto que o orçamento de defesa para 2026 é de aproximadamente um trilhão de dólares. Esse orçamento, no entanto, está sob considerável pressão devido à natureza indefinida do conflito com o Irã. O acordo também foi anunciado em um momento em que o NIH tem enfrentado dificuldades para conceder verbas suficientes para utilizar o dinheiro que o Congresso lhe destinou.
