O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) condenou na quarta-feira os ataques com mísseis e drones lançados pelo Irã contra o Bahrein, o Kuwait e a Jordânia, realizados em retaliação a uma nova onda de ataques aéreos dos EUA contra território iraniano, que deixou 18 mortos. O secretário-geral da organização, Jassem Mohamed Albudaiwi, expressou sua rejeição "nos termos mais veementes" ao que chamou de "ataques atrozes" contra os três países do Golfo.
Esses ataques iranianos constituem uma violação flagrante da soberania dos Estados e uma ameaça direta à sua segurança e estabilidade", disse Albudaiwi em um comunicado. O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), composto por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Omã, expressou seu apoio a "todas as medidas e ações" tomadas pelos três Estados atacados para proteger sua soberania e a segurança de suas populações.
A Guarda Revolucionária Iraniana reivindicou a responsabilidade pela ofensiva contra alvos americanos na região, com ataques direcionados a instalações militares na Jordânia e no Iraque, na região semiautônoma do Curdistão Iraquiano. Autoridades do Bahrein e do Kuwait relataram que seus sistemas de defesa aérea interceptaram drones e mísseis atribuídos ao Irã, enquanto sirenes de alerta aéreo soaram em vários locais do reino. O exército jordaniano, por sua vez, afirmou ter abatido dez mísseis iranianos e especificou que outros três caíram em áreas desabitadas sem causar vítimas.
A escalada ocorre após os Estados Unidos terem bombardeado alvos em território iraniano pela segunda vez em uma semana, na terça-feira, na sequência do ataque de domingo à Ilha de Larak, onde, segundo Washington, Teerã se preparava para lançar foguetes carregados com minas navais no Estreito de Ormuz. O primeiro bombardeio matou duas pessoas. O conflito entre os dois países remonta a 28 de fevereiro de 2016, quando Israel e os Estados Unidos lançaram ataques coordenados contra instalações iranianas, desencadeando meses de hostilidades intermitentes na região.
Os ataques aéreos dos EUA contra o Irã na terça-feira elevaram o número de mortos para 18. Entre os mortos estavam quatro pessoas que participavam de uma cerimônia de casamento na cidade de Kohstak, no condado de Sirik, província de Hormozgan, duas delas crianças de quatro e 16 anos, segundo o gabinete do governador provincial, conforme relatado pela agência de notícias iraniana Mehr. O ataque também deixou 68 feridos. As autoridades do Khuzistão relataram mais sete mortes em decorrência dos ataques aéreos dos EUA em vários locais da província, sem fornecer detalhes sobre a identidade dos falecidos ou os alvos atingidos. A Guarda Revolucionária também confirmou a morte de quatro de seus membros em um ataque à cidade de Kermanshah, no noroeste do país.
De Washington, o presidente Donald Trump alertou, por meio de sua plataforma de mídia social, Truth Social, que se o Irã persistir em suas ações retaliatórias, será atingido "com muito mais força e intensidade".
A ameaça dos EUA ocorre em meio a um bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passa quase um quinto do petróleo mundial, um fechamento imposto pela Guarda Revolucionária como resposta direta aos ataques aéreos de Washington.
Esta não é a primeira vez que o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) condena a retaliação iraniana contra seus membros desde o início do conflito, em fevereiro. A organização já havia descrito ataques semelhantes contra infraestrutura civil no Golfo como "crimes de guerra" e exigido "responsabilização internacional" de Teerã. A reação de quarta-feira ocorre em meio à persistência da incerteza sobre se o Irã expandirá sua ofensiva contra outros alvos americanos na região, em um momento em que Omã propôs a abertura de uma rota marítima temporária no Estreito de Ormuz para atenuar o impacto da crise no mercado de energia.
