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Um grupo de voluntários escoceses passou 30 anos procurando o tesouro de Carlos I em um estuário e agora afirma tê-lo encontrado.

✍️ Redação AR NEWS 24H ⏱️ 4 min de leitura
Um grupo de voluntários escoceses passou 30 anos procurando o tesouro de Carlos I em um estuário e agora afirma tê-lo encontrado.
A organização Burntisland Heritage Trust afirmou ter localizado os restos do Blessing of Burntisland, a balsa que afundou em 1633 no estuário do Firth of Forth, transportando o…

Um grupo escocês de preservação do patrimônio afirma ter localizado os destroços da balsa que transportava o tesouro real do Rei Carlos I da Inglaterra quando afundou no estuário do Firth of Forth em 1633, uma descoberta recebida com ceticismo pela comunidade científica e que o próprio líder da busca acredita ter sido mal comunicada à imprensa. Segundo a National Geographic, o naufrágio, conhecido como Blessing of Burntisland, ocorreu durante uma tempestade de verão, quando a embarcação cruzava o estuário a cerca de oito quilômetros (5 milhas) ao norte de Edimburgo, na Escócia, em seu retorno da coroação do monarca. A bordo estavam baús de ouro e prata, utensílios de mesa atribuídos ao Rei Henrique VIII e itens do guarda-roupa real, bens avaliados em £ 100.000 na época, o equivalente a mais de $25 milhões hoje.

O Burntisland Heritage Trust (BHT), um grupo de voluntários dedicados à história com sede no porto de Burntisland, no norte da Escócia, realiza buscas desde 1997. A recente onda de reportagens na mídia britânica baseia-se em anomalias detectadas por sonar no fundo lamacento do estuário durante a década de 1990, que o BHT afirma corresponderem ao casco da embarcação. Ian Archibald, cartógrafo aposentado e coordenador do grupo, declarou à National Geographic que a descoberta não é definitiva: esclareceu que as reportagens recentes se baseiam em "estudos de viabilidade" apresentados ao governo local, os quais, segundo ele, foram "vazados" para a mídia sem autorização. Archibald prevê que o BHT fará um pronunciamento formal nos próximos meses ou no próximo ano. A história do naufrágio é repleta de drama.

De acordo com as crônicas, Carlos I testemunhou o naufrágio de outra embarcação e atribuiu a tempestade repentina à bruxaria. Registros históricos compilados pela BHT indicam que 19 pessoas foram acusadas de instigar a revolta e que até dez delas foram executadas por estrangulamento ou queimadas na fogueira. A National Geographic também incluiu a perspectiva da historiadora Lucy Dean, da Universidade das Terras Altas e Ilhas (UHI), que explicou que a coroação do rei escocês foi adiada enquanto as formalidades eram resolvidas. Charles foi o primeiro monarca inglês a também assumir a coroa escocesa, em um contexto no qual os dois reinos ainda não estavam formalmente unidos — uma união que só seria finalizada em 1707 —, deixando todos os envolvidos "navegando em território desconhecido", em suas próprias palavras.

O fundo do estuário apresenta condições adversas para qualquer exploração: visibilidade reduzida, densas camadas de sedimentos e os restos de cerca de 500 embarcações diferentes, incluindo um rebocador naval da Primeira Guerra Mundial e um caça Hurricane da. A busca também enfrenta obstáculos legais e acadêmicos que se acumularam ao longo de décadas. Em 1999, as autoridades escocesas protegeram o local como uma provável área de naufrágio e concederam à BHT uma licença para realizar mergulhos. No entanto, em 2004, a agência governamental Historic Scotland — agora Historic Environment Scotland (HES) — contratou uma empresa de arqueologia comercial para realizar uma investigação independente, cujo relatório concluiu que o local não correspondia a nenhum naufrágio. Em 2013, o governo escocês revogou a proteção legal do local.

A BHT contestou essa decisão, argumentando que os contratados procuraram no lugar errado. Archibald reconheceu ao The Telegraph que mergulhadores encontraram pedaços de madeira no local e que o próximo passo é datá-los por carbono para determinar se correspondem à época da. O jornal observou que a recuperação subaquática dos destroços — e eventualmente do tesouro — é "iminente." O arqueólogo marinho Sean Kingsley, editor da revista Wreckwatch, descartou essa possibilidade com base nas evidências disponíveis. "Muitas equipes vieram ao mítico local do tesouro durante 30 anos", disse ele à National Geographic, "mas nenhuma evidência do navio jamais foi encontrada lá."

Kingsley apontou que tanto a investigação de 1999, realizada por uma equipe de arqueologia marítima da Universidade de St Andrews, quanto o estudo subsequente de 2004 não detectaram anomalias magnéticas consistentes com um naufrágio. "Não há evidências convincentes de que o navio perdido no Firth of Forth tenha vindo à tona: não há artefatos, nem casco, nem vestígios culturais", enfatizou. O arqueólogo também levantou uma questão fundamental sobre a magnitude do tesouro: os arquivos reais da época não registram uma perda dessa escala. Fontes históricas indicam que apenas dois baús de prataria afundaram em 1633, muito aquém das 20 carroças de tesouro que circulam em algumas histórias populares. Kingsley teme que a lenda do tesouro tenha crescido ao longo dos séculos a ponto de não haver qualquer respaldo documental.

"A incrível descoberta de um verdadeiro carregamento de tesouro, infelizmente, parece ser exatamente isso: incrível, coisa de sonho."

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