
PARIS — O eurodeputado de centro-esquerda Rhaël Glucksmann anunciará sua candidatura à eleição presidencial francesa do ano que vem nos próximos dias, provavelmente com uma entrevista em horário nobre na TV no domingo, segundo três pessoas próximas a ele. O trio, que pediu anonimato para falar abertamente sobre os planos de Glucksmann, disse que ele pretende participar de uma primária fechada organizada pelo Partido Socialista, que atualmente inclui Ségolène Royal, candidata socialista à presidência em 2007, derrotada por Nicolas Sarkozy, e o deputado Philippe Brun. O líder do Partido Socialista, Olivier Faure, também afirmou estar considerando se candidatar. Embora uma vitória garanta a Glucksmann o apoio dos socialistas, a principal força de centro-esquerda na França, o partido tem enfrentado dificuldades para conquistar eleitores e está assolado por conflitos internos.
Vários socialistas de alto escalão, incluindo o ex-presidente François Hollande e o ex-primeiro-ministro Bernard Cazeneuve, insinuaram publicamente planos de não participar das primárias de seu partido e lançar candidaturas presidenciais independentes. No entanto, as pesquisas mostram que Glucksmann, líder de seu próprio pequeno partido político, Place Publique, é o candidato presidencial de centro-esquerda mais bem posicionado, após liderar os socialistas e seus aliados a um sólido terceiro lugar nas eleições europeias de 2024. Ainda assim, ele e os demais candidatos ainda estão significativamente atrás da favorita da extrema-direita, Marine Le Pen, de acordo com a maioria das pesquisas. A eleição presidencial francesa vai para o segundo turno se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos e, se as pesquisas se confirmarem, Le Pen tem praticamente garantida uma das duas vagas finais.
Para avançar para o segundo turno, Glucksmann terá que superar rivais centristas e de centro-direita, como Edouard Philippe e o inflamado anticapitalista Jean-Luc Mélenchon. Mélenchon, que anunciou sua candidatura em maio, está atualmente ligeiramente à frente de Glucksmann nas pesquisas, mas ambos estão próximos de chegar ao segundo turno. Os dois são rivais ferrenhos, cujas divisões lembram as existentes entre os partidos de esquerda no mundo ocidental, incluindo o Partido Democrata dos EUA. Glucksmann espera que sua política centrista conquiste os antigos eleitores socialistas que apoiaram o presidente Emmanuel Macron. A mensagem linha-dura de Mélenchon é mais direcionada a eleitores com baixa propensão a votar, incluindo eleitores mais jovens e aqueles de comunidades multiculturais da classe trabalhadora nas principais cidades francesas.
Glucksmann e Mélenchon discordam em questões que vão desde a participação da França na OTAN — à qual Mélenchon se opõe e Glucksmann apoia — até a reforma da previdência. Mélenchon prometeu reduzir a idade mínima de aposentadoria para 60 anos caso seja eleito presidente, enquanto Glucksmann acredita que alguns trabalhadores deveriam ser obrigados a trabalhar por mais tempo e que a França deveria caminhar para um sistema em que a idade de aposentadoria fosse baseada na expectativa de vida e nas condições individuais de trabalho.