A dívida pública da Romênia atingiu um ponto em que o ritmo de pagamentos se tornou insustentável, acredita o analista econômico Adrian Negrescu. A Romênia tem 84 bilhões de euros para pagar nos próximos quatro anos, alerta ele, e na ausência de reformas estruturais, "estamos penhorando nosso futuro". A Romênia chegou a um ponto sem desculpas. O ritmo de pagamento da dívida não é mais sustentável. Não se trata de um cenário para 2035. Existem números concretos, já calculados pelo Ministério das Finanças, que mostram que atingimos o fundo do poço. Em 2027, precisamos pagar 21,5 bilhões de euros. O mesmo em 2028. Depois, 20,9 bilhões em 2029 e 20 bilhões em 2030. Apenas o principal, sem juros e sem déficits anuais. Acumulado: quase 84 bilhões de euros. Quase 440 bilhões de lei. Dinheiro que precisamos encontrar para cobrir dívidas antigas. Não para investimentos. Não para escolas.
Não para hospitais. Apenas para pagar o que já tomamos emprestado. O economista alerta sobre a dívida pública da Romênia, que torna o país cada vez mais dependente de investidores estrangeiros.
É um clássico efeito bola de neve. Pagamos dívidas antigas com novas dívidas. O volume aumenta a cada ano. Em 2026, a necessidade bruta de financiamento é de 278,5 bilhões de lei. Após sete meses, cobrimos apenas 52%. Estamos na metade do caminho, com o tempo se esgotando e os mercados cada vez mais nervosos com os custos de empréstimo. Pior ainda: a estrutura está mudando. O lado externo está crescendo agressivamente. De 4,3 bilhões de euros em 2027, para 7,7 bilhões em 2028, 7,9 bilhões em 2029 e 10,1 bilhões em 2030. Em 2030, pela primeira vez, os pagamentos externos superarão os internos (9,9 bilhões). Estamos cada vez mais dependentes de investidores estrangeiros. Da boa vontade dos mercados internacionais.
Uma única mudança no sentimento global e os custos disparam "O resultado direto de uma década de déficits acima de 5-6% do PIB O consultor financeiro afirma que a pressão da dívida externa já é visível, enquanto os juros se aproximam da marca de 1 bilhão de euros.
A pressão já é visível na balança de transações correntes. O déficit não vem do comércio exterior. Vem do dinheiro que enviamos para o exterior: dividendos, juros, pagamentos a investidores. O déficit da balança de rendimentos primários aumentou em quase 850 milhões de euros, chegando a 4,7 bilhões. Só os juros dos empréstimos subiram de 738 milhões para 918 milhões de euros em poucos meses. A causa está relacionada aos altos déficits dos últimos anos, explica o economista.
Tudo isso é resultado direto de uma década de déficits acima de 5-6% do PIB, por seis anos consecutivos. Com um recorde de 9,3% no ano eleitoral de 2024. A dívida pública ultrapassou 61,4% do PIB. Ultrapassamos o limite de 60% exigido pela zona do euro. Os juros pagos pelo Estado aumentaram 3,5 vezes em cinco anos. Este ano, estamos pagando mais de 12 bilhões de euros só em juros. Mais do que o orçamento do Exército. O aumento do custo do crédito afetará todos os empresários romenos e, se a postura não mudar, "estaremos hipotecando nosso futuro". Não há mais margem de manobra. Sem uma reforma real – redução do déficit estrutural, disciplina orçamentária, gestão séria da dívida – a pressão entre 2027 e 2030 deixou de ser um risco. É uma questão de sustentabilidade.
O custo do dinheiro vai aumentar para todos: para o Estado, para as empresas, para o último empresário que contrai empréstimos bancários. Chegamos ao fundo do poço.
