Queimadas de cana e tradição local
Num céu azul claro, a fumaça adocicada sobe e se espalha. Agricultores queimam e colhem cana‑de‑açúcar dessa forma há gerações, mas a prática gera cinzas e poluentes atmosféricos perigosos. Todos os anos, os produtores planejam e coordenam as queimadas para eliminar pragas, como cobras, e limpar folhas, deixando apenas os talos onde está o açúcar. Na freguesia de Iberia, a fumaça da cana faz parte da vida cotidiana, e poucos questionam o hábito.
Oposição ao parque solar e a desinformação
A comunidade, inserida na região de Acadiana – conhecida como Cajun Country – tem assistido a uma crescente resistência a projetos solares. No ano passado, a disputa tornou‑se tão acalorada que moradores levaram lágrimas às reuniões da Junta de Freguesia da Península Ibérica. Centenas de residentes organizaram campanha contra um parque solar proposto a nordeste da cidade, alegando que os painéis destruiriam fazendas, envenenariam o solo e provocariam incêndios, queda no valor das propriedades e contaminação dos rios. Durante a reunião de junho de 2025, a opositora Cathrine DeGroat afirmou que havia investigado por conta própria e que não precisava de avisos sobre risco de câncer ou vazamento de substâncias químicas.
O conselho aprovou, então, uma lei exigindo que projetos solares de utilidade pública ficassem a pelo menos 800 metros da linha de propriedade residencial mais próxima. A medida foi celebrada como vitória da Paróquia Ibérica e acabou inviabilizando o projeto Acadiana Solar, que poderia gerar milhões em receitas fiscais para a região. O projeto previa arrendamento de terras da fazenda da família de Andree McAnally, cujo aluguel ajudaria a pagar mensalidades universitárias e outras despesas após a morte do marido por COVID‑19. Em julho de 2025, McAnally expressou decepção ao conselho, acusando os membros de alimentarem a população com desinformação.
Ela relatou que, inicialmente, temia que a instalação solar causasse câncer em sua família, mas, após aprofundar a pesquisa, mudou de opinião, destacando que três gerações vivem na mesma propriedade e que não colocaria a si nem a seus filhos em risco. Especialistas apontam a desinformação como um dos principais obstáculos a projetos solares de grande escala. Matthew Holland, coordenador de divulgação de políticas energéticas no Blanco Center, recomenda que defensores da energia solar combatam rumores com dados concretos sobre benefícios econômicos e ambientais.
Ele alerta que, à medida que os projetos se tornam mais comuns, a desinformação pode perder o controle, mas ainda assim se espalha rapidamente, alimentando a animosidade de quem sente que suas opiniões não são levadas a sério. Para alguns moradores de Iberia, o impasse revela um sentimento mais profundo de exclusão. Josh Trosclair, membro da United Houma Nation e natural da comunidade de Lydia, ao sul de New Iberia, relatou que, após defender a energia solar em reunião, foi seguido até o carro por opositores agitados. O caso evidencia como temores infundados encontraram terreno fértil, dificultando o avanço da energia limpa em áreas rurais que poderiam se beneficiar de novos investimentos.
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