SpaceX lança hoje o 13º voo da Starship com estreia dos satélites Starlink V3
A SpaceX se prepara para mais um passo decisivo no desenvolvimento do maior foguete já construído. O 13º voo de teste da Starship está programado para esta quinta-feira, 16 de julho de 2026, a partir da Starbase, no sul do Texas. A janela de lançamento tem 90 minutos e abre às 17h45 no horário local (19h45 em Brasília). A transmissão ao vivo começa cerca de meia hora antes da decolagem, no site da empresa e em suas redes sociais.
Esta será a segunda missão da Starship em 2026 e a segunda a utilizar a configuração V3 (Bloco 3), que estreou em maio passado no voo 12. O conjunto é formado pelo propulsor Super Heavy Booster 20 e pelo estágio superior Ship 40.
Carga inédita: 20 satélites Starlink de nova geração
Pela primeira vez, a Starship levará ao espaço uma carga operacional: 20 satélites da nova geração Starlink V3. Cada unidade tem aproximadamente 2.000 kg — significativamente mais pesada que os modelos anteriores — e foi projetada para expandir de forma expressiva a capacidade e a velocidade da constelação de internet da companhia.
Os satélites serão liberados em uma trajetória transatmosférica. Durante o breve período em que permanecerão no espaço, eles estenderão painéis solares e antenas, testarão conexões a laser de alta capacidade com a constelação já existente e tentarão estabelecer comunicação com estações terrestres na África do Sul. Seis das unidades foram equipadas com câmeras para registrar imagens do escudo térmico da Starship durante a reentrada. Os satélites devem se desintegrar na atmosfera cerca de 20 minutos após a implantação.
A inclusão de carga real representa a transição dos voos puramente experimentais para o uso da Starship como plataforma de entrega de satélites — um marco fundamental para a viabilidade comercial do veículo.
Perfil da missão e cronograma estimado
O roteiro do voo 13 segue estrutura semelhante à do voo 12, com os seguintes marcos previstos:
- **T+1 min**: Max-Q (pressão aerodinâmica máxima)
- **T+2 min 18 s**: Corte dos motores do Super Heavy (MECO) e separação por hot-staging
- **T+2 min 25 s a 3 min**: Queima de retorno do propulsor
- **T+6 min 27 s a 6 min 53 s**: Queima de pouso e amerissagem controlada do Super Heavy no Golfo do México
- **T+8 min 5 s**: Corte dos motores da Starship
- **T+16 min 40 s a 27 min 39 s**: Demonstração de implantação dos Starlink V3
- **T+38 min 58 s**: Reignição de um motor Raptor no espaço
- **T+47 min 30 s**: Entrada atmosférica da Starship
- **T+65 min a 65 min 21 s**: Queima de pouso, manobra de giro e amerissagem no Oceano Índico, próximo à costa da Austrália Ocidental
O tempo total de voo deve ficar entre 65 e 90 minutos.
Correções pós-voo 12
Desde o voo 12, realizado em maio, a SpaceX implementou uma série de ajustes de hardware e software. Entre as melhorias estão o aperfeiçoamento da sequência de partida dos motores e da confiabilidade de reignição do propulsor, maior tolerância a falhas de motor no estágio superior, refinamento da manobra de giro do Super Heavy e atualizações no escudo térmico para suportar cargas aerodinâmicas mais elevadas durante a subida.
O escudo térmico, aliás, é um dos focos centrais deste voo. A nave carrega blocos de detecção de carga, novos métodos de fixação de placas cerâmicas, peças modificadas na saia traseira e placas pintadas de branco que servirão como alvos visuais para as câmeras. Seis satélites Starlink V3 também registrarão imagens do escudo durante a reentrada, fornecendo dados sem precedentes sobre o comportamento do sistema de proteção térmica em condições reais.
O último voo suborbital?
Analistas do setor apontam que o voo 13 pode ser o último teste puramente suborbital da Starship. Se os objetivos forem atingidos, a SpaceX estaria em condições de pleitear junto aos órgãos reguladores a autorização para tentar a captura do estágio superior em voos futuros — repetindo o feito já demonstrado com o Super Heavy. A empresa também poderá avançar para missões orbitais completas, ampliando o leque de aplicações do veículo.
O progresso rumo à reutilização total é observado com atenção pela indústria aeroespacial. A japonesa ispace, por exemplo, adquiriu recentemente 500 kg de capacidade de carga em uma futura missão lunar da Starship por aproximadamente US$ 50 milhões, com entrega prevista para não antes de 2030.
Para a SpaceX, o voo desta quinta-feira é mais do que um teste: é a demonstração de que o maior foguete do mundo está deixando a fase experimental para se tornar, gradualmente, uma ferramenta operacional de transporte espacial pesado.
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