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Rubio reúne 65 países em Washington para debater terrorismo político de extrema esquerda

Da Alemanha à Grécia: por que Rubio quer que a Europa lidere a caça ao "terrorismo de esquerda"


O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, comanda nesta quinta-feira (16) uma conferência ministerial em Washington com representantes de 65 nações para discutir o que o governo americano classifica como um "ressurgimento" do "terrorismo político de extrema esquerda". A iniciativa é uma das bandeiras centrais da estratégia antiterrorismo da gestão Trump.

os bastidores da cúpula antiterrorismo de Rubio
 Os bastidores da cúpula antiterrorismo de Rubio



De acordo com um alto funcionário do Departamento de Estado, o encontro tem como meta "expandir a coordenação, aprimorar o compartilhamento de informações e fortalecer os mecanismos internacionais de aplicação da lei para enfrentar a ameaça", que, na avaliação do governo, "permaneceu um ponto cego no foco antiterrorismo da comunidade internacional".

As delegações que confirmaram presença abrangem países do Hemisfério Ocidental, Ásia, Europa e outras regiões. Fontes ouvidas pela CNN, no entanto, apontam que a maioria não será chefiada por ministros de Relações Exteriores, mas por funcionários de escalão técnico e operacional. O motivo, segundo essas fontes, é o curto prazo: os convites só foram enviados no início de julho.

O mesmo funcionário afirmou que o governo teve "interações muito produtivas com Alemanha, Grécia e Itália" e que esses países estão entre os convidados. "É frequentemente na Europa que o problema se manifesta de forma mais acentuada", justificou.

Discurso duro e presença de peso

Em seu pronunciamento de abertura, Rubio pretende caracterizar o terrorismo de esquerda como "resultado de um mal singular, enraizado em um profundo ressentimento contra a civilização", segundo antecipou a fonte do Departamento de Estado. Também estão escalados para participar o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller — dois nomes de influência no núcleo duro da administração.

O governo Trump sustenta que a ameaça da extrema esquerda "não foi enfrentada coletivamente de maneira eficaz". Segundo o alto funcionário, parceiros internacionais relataram que "têm controle" sobre outras formas de violência política, mas que "esta é mais difícil para nós".

Como exemplos, a gestão cita ataques atribuídos a grupos Antifa europeus — designados como organizações terroristas pelos EUA em novembro do ano passado. Questionado se um protesto de esquerda seria tratado como terrorismo, o funcionário respondeu que o foco está em "atos criminosos terroristas violentos".

Ex-funcionários veem politização da ameaça

A ênfase do governo na extrema esquerda como prioridade antiterrorismo é alvo de críticas de ex-integrantes do Departamento de Estado. Ian Moss, que foi vice-coordenador de contraterrorismo na gestão Biden, afirmou que a dimensão real do problema não corresponde ao discurso oficial.

"Analisamos o terrorismo de todos os matizes, incluindo o de esquerda, mas a realidade e os dados, tanto domésticos quanto internacionais, indicam que o extremismo de esquerda não é e nunca foi o tipo de ameaça ou o grau de ameaça que o terrorismo de extrema direita, a violência extremista ou a violência jihadista representaram", disse Moss, hoje advogado no escritório Jenner & Block.

Ele ressaltou ainda que a estratégia antiterrorismo da atual gestão, divulgada em maio, simplesmente omitiu qualquer menção ao extremismo de direita. "Há outras formas de extremismo ideológico violento, a começar pela violência islamita, e certamente os extremistas violentos de direita ou terroristas de identidade branca, que são um risco real, uma preocupação real dentro e fora do país, e que a administração parece ter deixado de lado."

Michael Duffin, ex-assessor sênior de contraterrorismo do Departamento de Estado, foi ainda mais direto: "Nunca, em nove anos trabalhando com contraterrorismo, o chamado extremismo de esquerda chegou a um nível que justificasse esse grau de atenção". Duffin estava entre os muitos funcionários da área demitidos no ano passado durante a ampla reestruturação do Departamento de Estado promovida pela gestão Trump.

Ofensiva doméstica contra a esquerda

O encontro ministerial desta quinta-feira é a face internacional de uma ofensiva mais ampla. Desde o início do segundo mandato, Trump elevou a pressão doméstica contra supostos extremistas de esquerda. O presidente designou o movimento antifascista Antifa como "organização terrorista doméstica". Apesar da retórica, as próprias agências de aplicação da lei nos EUA têm dificuldade para definir o grupo — sua estrutura, seu tamanho, a localização de seus núcleos e até mesmo informações básicas permanecem nebulosas.
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