Crise e improviso: Sindicato e Direção do HGE se reúnem para tratar de "Cenário Caótico" na Unidade
MACEIÓ – Em uma tentativa de frear a escalada da precariedade no Hospital Geral do Estado (HGE), representantes do SINDPREV-AL voltaram a se reunir com a cúpula da unidade na última quinta-feira (15). O encontro, que contou com a presença do diretor-geral Fernando Melro e da diretora administrativa Sônia Alves, expôs um raio-x alarmante: de mortes por falta de leitos a desperdício de insumos básicos por pura falta de padronização.
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| Diretor-geral Fernando Melro e a diretora administrativa Sônia Alves. |
Embora a direção do hospital tenha demonstrado receptividade, o sindicato alerta que a solução definitiva não está apenas nos corredores do HGE, mas nas mãos da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e do Governo de Alagoas. Segundo a diretoria do hospital, cerca de 70% das demandas dependem diretamente da dotação orçamentária da Sesau, que tem sido apontada como o principal entrave para as melhorias.
Os gargalos da assistência
O relatório apresentado pelas diretoras do SINDPREV, Olga Chagas, Leopoldina Graça e Patrícia Ferreira, detalha pontos críticos que afetam tanto servidores quanto pacientes:
Ala Vermelha e Trauma: O setor opera em "superlotação crônica". O sindicato denunciou que médicos ortopedistas estariam se recusando a avaliar crianças na pediatria, forçando o redirecionamento indevido de pacientes infantis para a Ala Vermelha. O ambiente, hostil e inadequado para menores, gera quadros de sofrimento psicológico em crianças e acompanhantes.
Centro Cirúrgico em Risco: A situação sanitária é grave. Com o expurgo inoperante, secreções estão sendo descartadas em vasos sanitários comuns, e materiais contaminados circulam por corredores, elevando o risco de infecção hospitalar.
Falta do Básico: Servidores relatam a escassez de papel higiênico e papel-toalha. Paralelamente, há um desperdício sistêmico: a farmácia libera bolsas de 1 litro de soro para procedimentos que exigem apenas 100 ml, resultando em descarte de dinheiro público por falta de frascos menores.
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| SINDPREV cobra soluções urgentes no HGE durante reunião com direção do hospital |
Déficit de pessoal e precarização
A sobrecarga de trabalho é outro ponto nevrálgico. Na Emergência Pediátrica, a escala conta com apenas um enfermeiro por plantão para cobrir toda a unidade, o que fere normas técnicas e coloca em risco a segurança dos pacientes.
No setor de transportes, o diretor Fernando Melro anunciou que já houve um ajuste inicial no quadro de motoristas para completar as escalas, mas questões relativas a gratificações cortadas (como a GPF) ainda aguardam resolução pela via administrativa.
"A solução passa pela contratação de novos servidores através de concurso público. Atualmente, estima-se que quase 90% dos trabalhadores da saúde sejam precarizados, sem garantia de direitos básicos", afirma a nota do Sindicato.
Entre o caos, a esperança e a maquiagem
Apesar do cenário sombrio, a reunião registrou avanços pontuais. Após oito meses de queixas sobre o calor insuportável no segundo andar do prédio do Hemoal (cedido ao HGE), novos aparelhos de ar-condicionado foram finalmente instalados na véspera do encontro.
Próximos Passos: O SINDPREV informou que está elaborando um relatório técnico detalhado com todas as denúncias colhidas. O documento será encaminhado às autoridades competentes e aos órgãos de fiscalização. "Cabe à sociedade reagir a este descalabro. O sindicato fiscaliza e propõe, mas a responsabilidade final é do Governo do Estado", conclui a entidade.
CONCLUSÃO: A responsabilidade jurídica e o papel das instituições
O cenário de precariedade exposto no Hospital Geral do Estado (HGE) ultrapassa a barreira da má gestão administrativa para adentrar o campo da ilegalidade. O que se observa, sob a ótica do Direito Público, é uma violação sistemática do Artigo 196 da Constituição Federal, que define a saúde como um "dever do Estado" que deve ser garantido mediante políticas sociais e econômicas.
A ilegalidade da precarização
A denúncia do SINDPREV de que cerca de 90% da força de trabalho opera sob vínculos precários confronta diretamente a Regra do Concurso Público (Art. 37, II da CF/88). A manutenção de contratos temporários como regra, e não como exceção de "excepcional interesse público", configura improbidade administrativa e compromete a continuidade e a qualidade do serviço essencial prestado à população alagoana.
Consequências e riscos
As consequências de manter um hospital de tamanha relevância com déficit de insumos básicos e subdimensionamento de pessoal são severas:
- Responsabilidade Civil: O Estado torna-se alvo passivo de indenizações por danos morais e materiais decorrentes de mortes evitáveis e infecções hospitalares causadas pela falha no serviço (teoria do risco administrativo).
- Crimes de Omissão: A falta de assistência adequada, especialmente no caso de pacientes oncológicos e pediátricos, pode gerar responsabilização direta de gestores.
O dever do Ministério Público
Diante do "descalabro permanente" citado pela representação sindical, torna-se imperativa a intervenção do Ministério Público Estadual (MPE-AL). Como fiscal da ordem jurídica e guardião dos interesses sociais, cabe ao MP:
- Ajuizar Ações Civis Públicas (ACPs) para compelir o Estado a regularizar o abastecimento de insumos e o fluxo de atendimento.
- Expedir Recomendações à SESAU para a realização imediata de concursos públicos e o saneamento das escalas de enfermagem e medicina.
- Auditoria de Gestão: Investigar o descompasso orçamentário — onde a direção do hospital alega não ter controle sobre 70% das demandas — para identificar onde o recurso público está sendo retido ou mal aplicado.
O AR NEWS 24H continuará acompanhando os desdobramentos deste relatório. A saúde pública não pode ser tratada como um improviso de 24 horas, mas como um direito inalienável que exige o rigor da lei e a coragem das instituições de controle.
🔑PALAVRAS-CHAVE:
SINDPREV, HGE, Alagoas, superlotação, precarização, motoristas, Ala Vermelha, leitos UTI, falta insumos, concurso público, Ministério Público.
📙 GLOSSÁRIO:
Ala Vermelha Trauma: Setor de emergência para casos graves no HGE, operando em superlotação crônica com riscos à segurança.
GPF: Gratificação de Produtividade Fiscalizadora, benefício cortado dos motoristas do HGE.
Sesau: Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas, responsável por 70% das demandas não resolvidas no hospital.
Precarização: Contratação temporária de 90% dos trabalhadores da saúde, sem direitos e em violação à lei de concursos.
Transfer: Dispositivo adaptador para fluidos, fornecido em quantidade insuficiente (uma unidade por setor/mês).
🖥️ FONTES :
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