SIMEPI denuncia edital da Prefeitura de Altos que oferece R$ 3.500 para médicos em carga horária de 40 horas semanais
Sindicato alerta para desvalorização da carreira, riscos à assistência à população e possível uso político de cargos públicos
O Sindicato dos Médicos do Estado do Piauí (SIMEPI) divulgou nota de repúdio ao edital lançado pela Prefeitura Municipal de Altos, que prevê remuneração de R$ 3.500,00 para médicos contratados em regime de 40 horas semanais.
Valor é considerado incompatível com a categoria
O valor ofertado pelo município representa uma remuneração mensal que o sindicato classifica como extremamente abaixo do praticado no mercado, especialmente considerando a extensão da formação médica — que inclui, no mínimo, seis anos de graduação e, na maioria dos casos, mais dois a três anos de residência médica.
Ao dividir a carga horária proposta, o valor hora chega a aproximadamente R$ 21,87, patamar que o SIMEPI considera humilhante para a categoria.
Três pontos de alerta
Na nota, o sindicato destaca três consequências graves decorrentes do edital:
1. Desvalorização da carreira médica — Oferecer remuneração tão baixa reforça o ciclo de desvalorização dos profissionais de saúde no interior do Piauí, dificultando a atração e a fixação de médicos qualificados no município.
2. Prejuízo à qualidade da assistência — A população de Altos é quem mais sofre as consequências, pois a baixa remuneração compromete a qualidade do atendimento e a continuidade do cuidado em saúde.
3. Risco de uso político de cargos públicos — O SIMEPI levanta a suspeita de que o edital pode estar sendo utilizado como instrumento de interesse político-eleitoral, e não como ferramenta efetiva de organização da rede de saúde do município.
VÍDEO - SIMEPI EM ALTOS
Sindicato adota medidas e cobra correção
O SIMEPI informou que já adotou as medidas cabíveis diante da situação e cobra da gestão municipal a correção imediata do edital, com a adequação da remuneração a valores dignos e compatíveis com a responsabilidade da função médica.
"Saúde se faz com dignidade."
SIMEPI
O caso reforça o debate permanente sobre as condições de trabalho dos médicos no interior do Piauí e sobre o compromisso dos gestores públicos com uma saúde de qualidade para a população.
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