Petro condiciona reconhecimento do 2º turno à decisão judicial e oposição acusa presidente de semear dúvidas sobre o processo eleitoral
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou neste domingo, 21 de junho de 2026, que só reconhecerá o resultado do segundo turno das eleções presidenciais após a certificação oficial pelos juízes eleitorais, apesar da apuração preliminar dos votos. A declaração, feita no dia da votação que definirá o sucessor no cargo para o período 2026-2030, provocou uma enxurrada de críticas da oposição, que acusa o mandatário de tentar deslegitimar as instituições democráticas.
Em pronunciamento durante a abertura das eleições, Petro afirmou que considera a decisão dos magistrados como vinculante, enquanto desconfia do processo de contagem preliminar coordenado pelo Registro Nacional. “Os juízes tomam a decisão após avaliarem as denúncias apresentadas durante a apuração dos votos. Eu acatarei a decisão dos juízes, em conformidade com a lei e a Constituição. Tudo o que acontece antes da decisão judicial é considerado informação, mas a decisão dos juízes é vinculante. É essencial proteger o voto”, declarou o chefe de Estado.
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| Petro condiciona vitória do 2º turno e oposição o chama de “incendiário irresponsável” |
A postura de Petro ao longo de toda a campanha eleitoral já havia gerado controvérsia. O presidente questionou publicamente o funcionamento do Cadastro Nacional, criticou a apuração preliminar e voltou a denunciar supostas irregularidades no software eleitoral colombiano. Segundo Petro, o código-fonte do programa permanece sob controle privado desde 2018, apesar de uma ordem judicial que determinou sua publicidade. O candidato presidencial Abelardo de la Espriella — que, segundo projeções paralelas, seria eleito para governar o país nos próximos quatro anos — também foi alvo de críticas recorrentes do petrista durante o processo.
Reação da oposição
As declarações do presidente repercutiram imediatamente entre líderes da oposição, que classificaram o comportamento de Petro como irresponsável e potencialmente perigoso para a ordem democrática.
O senador eleito Andrés Forero, do partido Centro Democrático, foi um dos mais contundentes. “Gustavo Petro é um incendiário irresponsável. Ele diz que não reconhecerá a contagem preliminar, que só aceitará a contagem oficial. Ele está abrindo caminho para que suas turbas violentas incendeiem o país e realizem um golpe de Estado”, afirmou Forero em suas redes sociais. O congressista ainda ironizou: “E será que eles vão votar em Iván Cepeda desse jeito?”.
A jornalista e ex-candidata à presidência Vicky Dávila lembrou que o próprio Petro se autoproclamou vencedor e presidente da Colômbia em 2022 com base justamente na contagem preliminar dos votos, na noite do primeiro turno daquela eleição, tendo recebido ligação de parabenização do então presidente Iván Duque ainda no mesmo dia. “Petro não aceitará os resultados de hoje. Mas ele se autoproclamou presidente em 2022, fez isso com a contagem preliminar, naquela mesma noite. Petro e Cepeda não respeitam a democracia e vão enterrá-la. Não se pode votar em Iván Cepeda porque ele representa tudo o que Petro é, e pior. Vamos salvar a Colômbia juntos”, escreveu.
O senador eleito Christian Garcés, também do Centro Democrático, questionou a consistência das críticas presidenciais ao Registro Nacional, instituição que, segundo ele, se fortaleceu ao longo de décadas. “O comportamento do presidente Gustavo Petro durante os recentes processos eleitorais gerou controvérsia. Ele foi criticado por participar da política, atividade que é restrita pela Constituição. Além disso, questionou os resultados do primeiro turno sem apresentar provas conclusivas de possível fraude eleitoral e expressou dúvidas sobre o trabalho do Registro Nacional”, disse Garcés. O senador acrescentou que as instituições estão preparadas para garantir o processo: “Depois, são realizadas as contagens de votos e os juízes intervêm no processo. É importante não gerar desconfiança nas instituições.”
Críticas à tentativa de interferência
Outras figuras políticas se somaram ao coro de críticas. Mauricio Cárdenas, ex-ministro da Fazenda e ex-membro da Grande Consulta pela Colômbia, afirmou que Petro tentou “usar todos os meios possíveis para interferir nessas eleições” e alertou para declarações de aliados do governo que, segundo ele, ameaçam desestabilizar o país em caso de derrota. “Eles não deveriam estar anunciando que, se perderem, vão incendiar o país. Eles são responsáveis pela ordem pública; eles são o governo agora. Gustavo Petro, cumpra sua palavra”, disse.
O ex-senador David Luna, por sua vez, destacou o que chamou de contradição do presidente: o sistema eleitoral agora contestado por Petro é o mesmo que o elegeu prefeito de Bogotá e, posteriormente, presidente da República. “Enquanto os colombianos votam, Petro já questiona o software eleitoral, os formulários E14, a rastreabilidade do sistema e o trabalho do Registro Nacional. Em pleno dia da eleição, o presidente está semeando dúvidas”, afirmou.
O segundo turno das eleições presidenciais de 2026, que define o sucessor de Gustavo Petro no Palácio de Nariño, ocorre em meio a tensões institucionais e à expectativa pela decisão final dos juízes eleitorais, que deverão certificar o resultado oficial nas próximas horas. Para além da disputa presidencial, o Ministério Público também acompanhou o dia de votação com a denúncia de suposta intimidação armada contra mesários no município de Ricaurte, no departamento de Nariño.
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