"O futebol está morto": fracasso na Copa do Mundo gera demissões e crise na Ásia
Com exceção do Japão, nenhuma seleção do continente passou da fase de grupos. Estatísticas alarmantes, demissões em massa e contraste gritante com o sucesso da África expõem a crise do futebol asiático nos EUA.
Por Redação
30 de junho de 2026
A Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, se transformou em um pesadelo para o futebol asiático. Com a eliminação do Japão nas oitavas de final para o Brasil, o continente asiático ficou sem representantes diretos na fase final da competição. A Austrália, que segue na disputa, compete pela Confederação Asiática (AFC), mas é geograficamente da Oceania.
O desempenho das nove seleções asiáticas foi desastroso, contrastando fortemente com o sucesso do continente africano, que classificou nove de suas dez equipes para as fases eliminatórias — incluindo a histórica Cabo Verde, que venceu a Arábia Saudita e agora enfrenta a Argentina.
Estatísticas alarmantes e demissões
Os números da Ásia na fase de grupos assustam: as sete seleções eliminadas diretamente venceram apenas uma partida, marcaram 14 gols e sofreram 52. Iraque, Uzbequistão e Jordânia terminaram com zero pontos. O fracasso levou a demissões imediatas de técnicos e presidentes de federações, como na Coreia do Sul e na Arábia Saudita. A mídia sul-coreana foi impiedosa, com faixas de torcedores no aeroporto de Seul declarando que "o futebol sul-coreano está morto".
O diagnóstico de especialistas, como o técnico da Jordânia, Jamal Sellami, aponta que o futebol asiático estagnou porque seus principais jogadores atuam em ligas locais, ao contrário dos africanos, que brilham nas principais ligas europeias.
O caso do Irã e a quebra de uma profecia
O Irã teve um caso à parte. Apesar de ser a única equipe asiática a terminar a fase de grupos invicta, foi eliminada no saldo de gols. A delegação iraniana enfrentou restrições políticas e problemas com vistos devido a tensões geopolíticas, mas deixou uma mensagem de paz no vestiário após a eliminação.
O resultado desmente as profecias do ex-presidente da FIFA, Sepp Blatter, que nos anos 2000 apostava que "o futuro do futebol estaria na Ásia". Apesar de bilhões em investimentos, patrocínios e da maior delegação da história do continente em uma Copa, a resposta em campo foi um "fracasso global" sem atenuantes.
