ALERTA EPIDEMIOLÓGICO: Influenza e outros vírus respiratórios exigem atenção com mudança de estação no Hemisfério Sul
Com a transição entre as estações do ano, OPAS/PAHO emite alerta sobre aumento da circulação de Influenza A(H3N2) e antecipação do VSR em países das Américas; vacina para 2026 foi atualizada para melhorar proteção
Por Redação | 5 de maio de 2026
Enquanto o inverno se despede do Hemisfério Norte e a atividade da influenza entra em declínio, o Hemisfério Sul se prepara para enfrentar o aumento da circulação de vírus respiratórios. Um alerta epidemiológico divulgado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/PAHO) em 30 de abril de 2026 chama a atenção de autoridades de saúde e da população para o início da temporada de influenza no Sul do planeta, com predominância da cepa A(H3N2) e sinais de antecipação do vírus sincicial respiratório (VSR).
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| O Cenário Global: A Dança dos Vírus |
Cenário global: duas realidades hemisféricas
De acordo com o documento, a situação epidemiológica apresenta padrões distintos conforme a latitude. No Hemisfério Norte, a temporada 2025-2026 de influenza foi caracterizada por um início precoce e intensidade moderada a alta, com predominância inicial do vírus A(H3N2). Nas últimas semanas, contudo, observa-se uma transição típica de fim de temporada: a influenza B ganha espaço, enquanto a positividade geral cai para cerca de 10% em regiões temperadas — embora alguns países ainda registrem taxas superiores a 20%.
Já no Hemisfério Sul, com o fim do verão, as detecções de influenza começam a subir. Na Semana Epidemiológica 14, a atividade ainda era considerada baixa na maioria dos países, mas com sinais claros de aumento, especialmente na América do Sul, África Oriental e Sudeste Asiático. Em algumas nações sul-americanas, a taxa de positividade já ultrapassou 30%, com o A(H3N2) liderando as identificações.
"A circulação heterogênea exige vigilância constante. O que vemos em um país pode não se repetir no vizinho", ressalta o alerta da OPAS.
Situação nas Américas: atenção redobrada com o VSR
Na Região das Américas, o cenário reforça a necessidade de monitoramento integrado. No Norte, a temporada de influenza já atingiu seu pico e entra em declínio, com o VSR seguindo trajetória semelhante após alcançar níveis elevados durante o inverno.
No Sul, a situação é de alerta preventivo. A influenza permanece em baixa, mas com tendência de alta consistente com o início do inverno. Paralelamente, o vírus sincicial respiratório (VSR) apresenta aumento gradual em vários países, antecipando seu padrão sazonal tradicional. Esse movimento preocupa especialmente por seu impacto em crianças pequenas, idosos e outros grupos de risco, podendo elevar as hospitalizações por infecções respiratórias agudas graves nas próximas semanas.
Nas zonas tropicais da Região, a circulação de vírus respiratórios é mais sustentada ao longo do ano. Ali, a influenza alterna entre A(H3N2) e B, dependendo do país, enquanto o VSR mantém presença persistente, com picos recentes registrados na sub-região Andina e em partes da América Central.
Vacina: eficácia mantida mesmo com variação viral
Um dos pontos mais relevantes do alerta diz respeito à eficácia da vacina contra influenza. A temporada 2025-2026 no Hemisfério Norte foi dominada por uma variante do A(H3N2) do subclado K, antigenicamente distinta da cepa incluída na vacina recomendada pela OMS (A/District of Columbia/27/2023). Apesar dessa "discordância antigênica", os dados preliminares mostram que a imunização continua oferecendo proteção clinicamente significativa.
Estudos da rede I-MOVE/VEBIS, que reuniu dados de 19 países europeus, indicaram eficácia vacinal entre 25% e 45% contra influenza A em todas as faixas etárias, chegando a 72% em crianças. No Reino Unido, a proteção contra hospitalização infantil foi estimada em 70-75%. Nos Estados Unidos, o CDC reportou eficácia de 38-41% contra consultas ambulatoriais e 41% contra hospitalizações em crianças e adolescentes.
Boa notícia para o Hemisfério Sul: a formulação da vacina para a temporada de 2026 foi atualizada. O componente A(H3N2) passou de A/District of Columbia/27/2023 para A/Tasmanian/1003/2025 (subclado L.1), uma mudança estratégica para melhor corresponder aos vírus atualmente em circulação.
"Embora ainda não haja dados de eficácia para essa nova formulação, espera-se que a atualização melhore a concordância com os vírus circulantes e, portanto, o nível de proteção conferido pela vacina no Hemisfério Sul", destaca o documento da OPAS.
SARS-CoV-2: circulação estável e baixa
Enquanto influenza e VSR ganham destaque, o SARS-CoV-2 mantém padrão de circulação estável e baixo na maioria dos países das Américas. A positividade global para o vírus da covid-19 permanece em níveis reduzidos, sem sinais de ressurgência significativa no momento da publicação do alerta.
Recomendações para a população e sistemas de saúde
Diante do cenário descrito, a OPAS/PAHO reforça medidas preventivas essenciais:
- Vacinação: Priorizar a imunização contra influenza, especialmente para grupos de risco (crianças, idosos, gestantes, pessoas com comorbidades);
- Higiene respiratória: Manter etiqueta ao tossir e espirrar, lavar as mãos frequentemente e usar máscaras em ambientes fechados ou com aglomeração;
- Ventilação: Garantir circulação de ar em espaços internos;
- Monitoramento de sintomas: Buscar atendimento médico precoce em caso de febre, tosse, dificuldade respiratória ou piora do estado geral;
- Fortalecimento da vigilância: Sistemas de saúde devem manter monitoramento ativo para detecção precoce de surtos e resposta rápida.
- A organização também destaca a importância de gerar evidências locais sobre a eficácia da nova formulação vacinal, por meio de plataformas como o REVELAC-i, para orientar decisões de saúde pública baseadas em dados regionais.
Olhar para frente
Com a chegada do inverno no Hemisfério Sul, a expectativa é de aumento progressivo da circulação de vírus respiratórios. A combinação entre vacinação atualizada, vigilância epidemiológica robusta e adoção de medidas preventivas pela população será fundamental para mitigar o impacto dessas infecções nos sistemas de saúde e proteger os grupos mais vulneráveis.
Como lembra o alerta da OPAS:
"A antecipação de padrões sazonais, como observado com o VSR, reforça que a preparação não pode esperar o pico epidêmico. A ação preventiva salva vidas."
🔑PALAVRAS-CHAVE:
📙 GLOSSÁRIO:
🖥️ FONTES :
Fontes: Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/PAHO) – Alerta Epidemiológico "Influenza sazonal e outros vírus respiratórios: início da temporada no hemisfério sul", 27 de abril de 2026. Dados compilados de redes de vigilância globais e regionais.
NOTA:
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