A hemorragia subconjuntival é uma manifestação ocular reconhecida e característica da leptospirose, especialmente na sua forma grave, conhecida como doença de Weil ou síndrome ictero-hemorrágica.
O Caso Clínico de Rijnink e Shaw
O artigo "Hemorragia Subconjuntival na Leptospirose", publicado no New England Journal of Medicine em 2022, descreve o caso de um homem de 18 anos, previamente saudável, que deu entrada no pronto-socorro com febre, vômitos e diarreia. O paciente havia caído em um canal três semanas antes. O exame físico revelou icterícia escleral e hemorragia subconjuntival em ambos os olhos, além de dor abdominal leve. Exames laboratoriais confirmaram lesão renal aguda e elevação das aminotransferases e bilirrubina total.
A aparência clássica do paciente, incluindo a hemorragia subconjuntival, combinada com a exposição a água potencialmente contaminada com urina de rato, levantou a suspeita de uma forma grave de leptospirose, manifestada por febre, icterícia, insuficiência renal e hemorragia.
Ocular
Manifestações na Leptospirose
A leptospirose é uma zoonose causada pela bactéria Leptospira interrogans e é considerada a doença zoonótica mais comum do mundo, com uma estimativa de 500.000 casos de alto risco por ano e uma taxa de letalidade de 30%. A infecção pode se apresentar em duas fases:
Fase Aguda (Leptospirêmica): Os sintomas oculares incluem hemorragia subconjuntival, icterícia escleral, congestão circum-corneal sem secreção conjuntival, sufusão conjuntival e quemose. A sufusão conjuntival, caracterizada por vermelhidão ocular sem exsudato, é um achado particularmente característico, observado em cerca de 30% dos pacientes.
Fase Tardia (Imune ou Doença de Weil): As manifestações oculares podem incluir uveíte não granulomatosa, ceratite intersticial, paralisias de nervos cranianos (terceiro, quarto, sexto ou sétimo), vasculite retiniana e neuropatia óptica.
Mecanismo e Significado Clínico
Acredita-se que a etiologia das características oculares na leptospirose esteja relacionada a uma resposta imune do hospedeiro e/ou à produção de toxinas pela bactéria. A presença de hemorragia subconjuntival, juntamente com icterícia e insuficiência renal, forma a tríade clássica da síndrome de Weil, a forma mais grave da doença. Este sinal é um importante indicador para o diagnóstico precoce, especialmente em pacientes com histórico de exposição a água ou solo contaminados.
Conclusão
A hemorragia subconjuntival, conforme descrito por Emilie C. Rijnink e Prataap K. Chandie Shaw, é um sinal clínico valioso e frequentemente presente na leptospirose grave. Sua identificação, em conjunto com outros sintomas como febre, icterícia e insuficiência renal, é crucial para o diagnóstico e tratamento precoces desta doença potencialmente fatal.
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