Saúde | 29 de maio de 2026
WASHINGTON – Um medicamento inédito para hepatite B está permitindo que alguns pacientes interrompam o tratamento sem apresentar sinais do perigoso vírus hepático, o que é chamado de "cura funcional", relataram pesquisadores na quinta-feira.
Em dois estudos internacionais de fase 3, cerca de 1 em cada 5 pacientes que receberam o medicamento experimental teve a carga viral reduzida a níveis suficientemente baixos para que o sistema imunológico conseguisse controlá-la de forma sustentada
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| Micrografia eletrônica de transmissão colorizada de partículas do vírus da hepatite B (vermelho e amarelo). ( NIAID/CDC/Domínio Público ) |
"Não tínhamos um tratamento que tivesse atingido esse nível de cura", disse o Dr. Seng Gee Lim, do Sistema Nacional de Saúde Universitária de Singapura, que ajudou a liderar os estudos financiados pela GSK, a repórteres antes de apresentar as descobertas em um encontro científico em Barcelona, Espanha.
Os dados também foram publicados na quinta-feira no New England Journal of Medicine.
O que é a hepatite B crônica?
A hepatite B crônica pode causar câncer de fígado ou insuficiência hepática e mata cerca de 1,1 milhão de pessoas em todo o mundo a cada ano. Embora exista uma vacina eficaz para prevenir a infecção, milhões de pessoas já vivem com a forma crônica da doença, especialmente em regiões da Ásia e África
Há décadas, a comunidade médica busca melhorias na terapia contínua atual, que pode ser difícil de seguir ou de acessar em alguns países. Os tratamentos disponíveis atualmente controlam o vírus, mas raramente o eliminam, exigindo uso vitalício de medicamentos e sem zerar o risco de complicações graves
Como funciona o bepirovirsen?
O medicamento em questão é o bepirovirsen (ou "bepi"), um antiviral desenvolvido em parceria entre a GSK e a Ionis Pharmaceuticals. Ele atua por meio de um mecanismo triplo
- Bloqueia a replicação viral: conecta-se ao RNA do vírus da hepatite B, impedindo que ele se multiplique nas células hepáticas;
- Suprime a produção da proteína HBsAg: marcador chave da infecção que indica risco de transmissão e de câncer de fígado;
- Estimula a resposta imune: ajuda o sistema de defesa do organismo a reconhecer e eliminar o vírus residual.
Resultados dos estudos clínicos
Os dois ensaios clínicos envolveram 1.838 participantes em 29 países, incluindo centros na Ásia, Europa e Américas. Todos os voluntários já faziam uso da terapia antiviral padrão e foram randomizados para receber bepirovirsen ou placebo, além do tratamento convencional
Os principais achados incluem:
Grupo
Taxa de cura funcional*
Bepirovirsen (geral)
19%
Bepirovirsen (HBsAg baixo no início)
26%
Placebo
0%
*Cura funcional = perda de HBsAg + DNA viral indetectável 24 semanas após o fim do tratamento
Além disso, cerca de 30% dos participantes tratados com bepirovirsen apresentaram níveis muito baixos de HBsAg ao final do acompanhamento, sugerindo que podem atingir a cura funcional espontaneamente nos próximos anos
"Esses dados representam um grande avanço", escreveu na revista a Dra. Anna Lok, especialista em hepatite da Universidade de Michigan que não participou da pesquisa. "Mas é necessário mais estudos para determinar quanto tempo dura esse estado semelhante à remissão."
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Limitações e próximos passos
Apesar do entusiasmo, os pesquisadores destacam algumas ressalvas:
População estudada: os ensaios excluíram pacientes com cirrose avançada, coinfecção por HIV ou cargas virais extremamente altas, limitando a generalização dos resultados
Duração da resposta: ainda não se sabe por quanto tempo a cura funcional se mantém sem tratamento adicional;
Acesso e custo: mesmo se aprovado, o medicamento precisará ser acessível em países de baixa e média renda, onde a hepatite B é mais prevalente.
A GSK já submeteu pedidos de aprovação regulatória do bepirovirsen à FDA (EUA), à Anvisa (Brasil) e a outras agências ao redor do mundo
A decisão da FDA é esperada para 26 de outubro de 2026
Por que isso importa?
Para os mais de 290 milhões de pessoas que vivem com hepatite B crônica no mundo, a possibilidade de uma cura funcional representa uma mudança de paradigma. Eliminar a HBsAg reduz drasticamente o risco de câncer de fígado: de cerca de 6% em 5 anos para apenas 0,6%
"É o primeiro grande avanço no tratamento da hepatite B crônica em décadas", afirmou o Dr. William Jarnagin ao The New York Times
Enquanto a comunidade científica aguarda a decisão regulatória, pacientes e médicos acompanham com esperança os desdobramentos deste que pode ser um marco histórico na luta contra uma das infecções virais mais letais do planeta.
NOTA:
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🔑PALAVRAS-CHAVE:
📙 GLOSSÁRIO:
🖥️ FONTES :
Baseado no artigo Lauran Neergaard, Associated Press
Este artigo foi atualizado em 29 de maio de 2026 com base em dados publicados no New England Journal of Medicine e comunicados oficiais da GSK.
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