Afastado judicialmente, mas tratado como secretário: episódio expõe tensão entre decisão judicial e prática política
O episódio ocorrido em evento oficial do Legislativo estadual, no qual Gustavo Pontes de Miranda foi tratado publicamente como secretário, reacende um debate incômodo — e necessário — sobre o respeito às decisões judiciais e à liturgia institucional em Alagoas.
Não se trata de mera formalidade protocolar. Em política, a forma comunica tanto quanto o conteúdo. Quando uma autoridade é anunciada com um título cuja legitimidade esteja sob questionamento judicial, o gesto carrega significado. E o significado, neste caso, não é trivial.
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| Pontes e Dantas |
Se existe decisão judicial vigente relacionada ao cargo, o correto — do ponto de vista institucional — seria observar rigorosamente seus efeitos. O descumprimento explícito ou a tentativa de esvaziamento simbólico da decisão transmite à sociedade uma mensagem preocupante: a de que, na prática, determinadas normas podem ser relativizadas conforme a conveniência política.
O ponto central não é a pessoa de Gustavo Pontes de Miranda. É o precedente que se estabelece. Democracias se sustentam na previsibilidade das regras. Quando a percepção pública passa a ser a de que decisões judiciais “valem no papel”, mas podem ser contornadas nos bastidores, a erosão é silenciosa — porém profunda.
Caso tenha havido equívoco protocolar, cabe esclarecimento oficial e transparente. Caso contrário, o gesto ganha contornos de afirmação política: uma demonstração de força institucional em detrimento da harmonia entre os Poderes.
O Legislativo não é palco para disputas simbólicas contra decisões judiciais. É, ou deveria ser, a casa do respeito às normas. A sociedade alagoana merece clareza. Porque, no fim, a questão que permanece é simples e direta: decisões judiciais são obrigatórias para todos — ou apenas para alguns?
Essa resposta define não apenas um episódio, mas a qualidade da nossa democracia.
O jornalista Berg Morais, no Instagram, escreveu:
O fato de Gustavo Pontes de Miranda ainda ser tratado como secretário em evento oficial do Legislativo estadual é zombaria deliberada para mostrar que em Alagoas quem manda são os políticos que estão no poder ou é apenas para ilustrar que decisões judiciais podem ser contornadas na prática mesmo quando continuam válidas no papel?
Confira :Vídeo
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🖥️ FONTES:
Vídeo e foto do Instagram de Berg Morais
https://www.instagram.com/bergmorais_politica/reel/DU-q3mejqRM/
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