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Em novo desabafo, familiar cobra apuração de supostas falhas no HGE e responsabilização dos envolvidos

Família de Ana Paula denunciou falta de vaga em UTI e precariedade no HGE; diretores rebatem e convidam autoridades a visitarem unidade


A falta de leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e as condições de atendimento no Hospital Geral do Estado (HGE) voltaram à tona após as filhas de Ana Paula, vítima de queimaduras graves, divulgarem um vídeo em que pediam socorro às autoridades. No material, publicado em 29 de junho de 2026, as jovens relataram o drama vivido nos corredores do hospital e cobravam uma vaga para a mãe, que estaria entre a vida e a morte. 

A direção da unidade respondeu em outra gravação, negou falhas no atendimento e convidou representantes da imprensa e da segurança pública a verificarem de perto a realidade da instituição.

Segundo Amanda e sua irmã, Ana Paula foi vítima de um atentado na tarde de uma sexta-feira,26 de junho de 2026, por volta das 15h, e chegou ao HGE às 16h30 com aproximadamente 90% do corpo queimado. Desde então, segundo a família, ela aguardaria uma vaga na UTI, permanecendo em um local inadequado à gravidade do caso. “Minha mãe está num lugar onde ela não deveria estar. Está cheio de mosca, um local inapropriado para a recuperação dela”, relata uma das filhas.

Caso Ana Paula: família e gestão do HGE trocam acusações sobre atendimento
Caso Ana Paula: família e gestão do HGE divergem sobre atendimento



As denúncias não se restringiram à falta de leito. A família afirmava que a paciente, precisava de aparelhos para se manter estável, e teria sido prejudicada por uma queda de energia que durou cerca de 12 horas. “O hospital não pode ficar 12 horas sem energia, não pode ficar um minuto sem energia. A minha mãe depende dos aparelhos”, destaca Amanda. Elas ainda advertiram sobre a falta de transparência na comunicação da equipe, afirmando que ocorrências envolvendo a paciente só foram reveladas depois que a família descobriu por conta própria e exigiu explicações.

Diretores do HGE convidam delegado a visitar hospital e negam falha no caso Ana Paula


Em resposta, o diretor-geral do HGE, engenheiro Fernando Melro, gravou um vídeo recentemente no qual rebate as críticas e convida ainda o delegado Fábio Costa a conhecer a estrutura atual do hospital. Melro argumenta que as imagens negativas veiculadas são antigas e classifica como desinformação os conteúdos que circulam sem uma apuração presencial. Ele também mencionou o ex-prefeito JHC, a quem teria estendido o convite anteriormente, sem sucesso.

Ao tratar do caso de Ana Paula, o diretor-geral ressaltou que se trata de uma vítima de feminicídio e que as complicações não teriam sido causadas pelo serviço de saúde. Em seguida, o diretor médico, Dr. Elton Fagner, detalhou o fluxo de atendimento. De acordo com ele, a paciente chegou em estado extremamente grave e precisou ser estabilizada primeiro na “vermelha trauma” — porta de entrada para casos severos — antes de ser transferida para um leito intensivo.

“Todo o processo de estabilização é realizado na porta de entrada, visando a segurança e o transporte adequado da paciente. Após a adequada estabilização realizada pela equipe multidisciplinar de cirurgiões, enfermeiros e equipe do setor de queimados, a paciente foi direcionada para o leito de UTI no momento oportuno”, explicou o médico.

Enquanto a família defende até hoje que a paciente corria risco iminente fora da UTI e cobrava as medidas emergenciais, a gestão do HGE sustenta que seguiu os protocolos clínicos. O episódio reacende o debate sobre a capacidade de resposta da rede pública frente a demandas urgentes e sobre a necessidade de diálogo mais transparente entre hospitais e familiares de pacientes.

A RESPOSTA DA FILHA AMANDA AS FALAS DOS DIRETORES DO HGE(22/07/2026)





1)VÍDEO Transcrição

"Minha gente, boa noite. Vou me pronunciar aqui, certo? E não vai ter mais isso de tá, ah, eu vou esperar que as coisas se resolvam. Não vou. O que for de expor aqui, eu vou expor, entendeu? Minha mãe chegou no dia 26, entendeu? Minha mãe foi pra UTI dia 2, se eu não me engano, entendeu? Foi dia 2, meu Jesus. Dia 1 pro dia 2, através de uma paralisação que a gente fez, certo? Onde a minha mãe estava sem medicação. Certo? 

De uso de antibiótico. 

Minha mãe convulsionando. 

Minha mãe acordando. 

Minha mãe com lençóis ensopado. ensopado!

Onde não tinha máscara nem para os visitantes irem visitar. Certo? 

Porque as máscaras, os equipamentos foram chegar depois de toda repercussão. 

Porque eu tenho prova. 

Eu tenho prova, eu tenho prova que o médico falou que a minha mãe não fez desbridamento e a médica alegou que fez desbridamento, entendeu? Inclusive o médico me pediu desculpa e disse que iria corrigir o erro, certo? A médica se dispôs a se preocupar mais com a política do que com a saúde da minha mãe."

Após morte da mãe, filha faz graves denúncias sobre atendimento e gestão do HGE

2)VÍDEO E TRANSCRIÇÃO





"Que nem eu acreditei, eu falei pra ela, você foi mandada, você foi orientada, o que foi que você veio fazer aqui? Porque o foco é minha mãe. 

A sua preocupação foi depois que eu fiz uma reportagem que o JHC postou? Entendeu? Por que eu fiquei sendo perseguida naquele dia? Porque o prontuário da minha mão estava para ser entregue a mim, já não estava mais lá. Entendeu? Por quê? Eu vou vir aqui, peraí, peraí, senhor diretor do HGE, você está pensando o quê? Que a minha mãe era uma cachorra, uma vagabunda, um objeto? Ela tinha família, ela tinha nome. Entendeu? E que nem muitas pessoas sofrem aí. E tem medo de falar, não abre a boca, porque tem medo de morrer. Porque aí é um verdadeiro matadouro. Onde o governo, a saúde, está um caos. Está um caos. Entendeu? Aí rola, é bandidagem. Entendeu? E o matadouro. Entendeu? Ah, mas isso e aquilo. Eu tenho prova. Você vai contra o médico? Como é que o médico vai mentir? Dizer que é mentira minha diante a palavra dele. Que ele falou. Eu tenho prova. Eu tenho prova."


Filha relata supostas falhas no atendimento e cobra explicações sobre prontuário da mãe

3)VÍDEO TRANSCRIÇÃO




"O prontuário da minha mãe, quando houve a queda de energia, quando ela estava sem uso de antibiótico, onde ela estava convulsionando, onde ela estava se acordando, onde ela vivia com o corpo dela ensopado. Onde não se tinha máscara pro paciente entrar. Pra não correr o risco de ter uma contaminação cruzada. Onde não correr o risco de alguma coisa acontecer em cima do paciente. Entendeu? Onde é que tá esse prontuário. Porque esse prontuário até então, a minha mãe quando foi pra UTI, eu falei, eu quero o prontuário do dia que a minha mãe entrou aqui. E quando a minha mãe entrou na UTI, constava que ela tinha chegado um dia no sistema. Por que minha mãe constou um dia, no mesmo dia que ela chegou, que vocês alegaram que ela tinha chegado um dia anterior e no dia seguinte ela já estava na UTI? Olha, sabe o que é isso aqui? É a vontade que eu tenho de chegar aí. Entendeu? De chegar aí. E eu vou chegar. E eu vou chegar. Entendeu? Me aguarde, porque amanhã será o dia. Amanhã será o dia. Eu quero que vocês mostrem diante. Diante de tudo."

Em novo desabafo, familiar cobra apuração de supostas falhas no HGE e responsabilização dos envolvidos





4)VÍDEO TRANSCRIÇÃO

"Por que o delegado não foi convidado nos primeiros dias que estava ocorrendo essas coisas que estavam aí? Ah, é porque a repercussão estava muito grande, né? A sujeira estava demais. É porque... Ah, tem que limpar, né? Tem que limpar, né? Tem que limpar, porque as palavras que a gente está dizendo agora tem que condiz... As palavras que ele diz na realidade agora não condiz com a realidade que estava tendo antes. Né? Aí tem que limpar a sujeira, porque vai chegar a visita. Ô, porquice, deixa a sujeira, a nojeira que já tá. Entendeu? Porque adianta, tem uma falta de energia, queda de energia. Vocês estavam alegando que não tinha, rapaz. Entendeu? Tá pensando o quê? Eu vou lutar e eu quero, eu quero e vai ser responsabilizado. Todos, um por um. Um por um. Entendeu? Eu perdi minha mãe, mas aqui a vida dela vai ter justiça. 

Aqui, e todos vão pagar."


VÍDEO E TRANSCRIÇÃO: DIRETORES DO HGE




Transcrição

DIRETOR GERAL ,ENGENHEIRO FERNANDO MELRO: "Acabei de assistir um vídeo a mim do delegado Fábio Costa. Eu queria, delegado, convidar para vir aqui no Hospital Geral do Estado para ver a realidade desse hospital. Porque esses vídeos, quando vocês colocam, vocês estão colocando eles com imagens antigas do hospital. A mesma coisa o JHC fez. Eu convidei para vir no hospital e ele não veio. Eu lhe convido para ele não ficar fazendo esses vídeos e desinformar a população. 

E referente ao caso da Ana Paula que você citou no vídeo... 

O caso dela foi um caso de feminicídio, então não foi um problema do atendimento dela pelo hospital. E eu vou passar aqui a palavra para o diretor médico do hospital, Dr. Elton, para explicar de quando ela chegou no hospital, como ela chegou e como o hospital deu o encaminhamento no atendimento dela.

DIRETOR MÉDICO( DR. ELTON FAGNER) :" A paciente Ana Paula, que tem sido veiculada na mídia, chegou para o nosso serviço numa situação extremamente grave. Ela precisou ser inicialmente estabilizada na vermelha trauma, por isso não seguiu de imediato para um leito de UTI. Todo o processo de estabilização é realizado na porta de entrada, visando a segurança e o transporte adequado da paciente. Após a adequada estabilização realizada pela equipe multidisciplinar de cirurgiões, enfermeiros e equipe do setor de queimados, a paciente foi direcionada para o leito de UTI no momento oportuno para que toda a assistência fosse prestada de forma adequada."


VÍDEO TRANSCRIÇÃO POSTADO EM 29 DE JUNHO de 2026.

AMANDA E IRMÃ, FILHAS DE ANA PAULA.





Transcrição


Pessoal, estamos aqui no Hospital Geral do Estado, HGE. Minha mãe está num local onde ela não deveria estar. Minha mãe precisa de uma UTI com urgência. Minha mãe chegou aqui sexta-feira e acredito que todos já viram o vídeo que está percorrendo, imagens, que minha mãe sofreu um atentado de homicídio, certo? 

Minha mãe está entre a vida e a morte. Como vocês sabem, minha mãe queimou 90% do corpo dela. Ela não, ela foi queimada porque ela não faria isso. O local onde a minha mãe está cheio de mosca, um local inapropriado para a recuperação dela e o tratamento dela. Eu peço que as autoridades nos ajudem. Está dentro quem está lutando entre a vida e a morte é minha mãe. Não só ela, como várias outras famílias estão aqui todo santo dia atrás de socorro e ajuda dos seus familiares. Mas eu peço, gente, ajuda. Minha mãe, pela honra e glória do Senhor, conseguiu, minha gente, se arrastar, mesmo toda ferida, para sobreviver. Então, por favor, não deixem. Que a minha mãe seja mais uma das vítimas, certo? E que se a minha mãe saiu daquele lugar que ela estava para sobreviver, vamos ajudar a força que ela teve, falei, peço ajuda, apoio às autoridades e que algo seja feito. 

Estou aqui no hospital HGE, minha mãe vai fazer, já três dias que está aqui foi... Tentaram contra a vida dela sexta-feira, às três horas da tarde. Aconteceu a corrida, ela chegou aqui quatro e meia, para ser atendida aqui no HGE. E nós precisamos de uma vaga dela no UTI. E não tem. Entendeu? Minha mãe está em um lugar que ela não deve estar. O nível de risco da vida dela é muito alto, precisa estar no UTI. A minha mãe está sobrevivendo, bem dizer, pelos aparelhos, e teve uma queda de energia por doze horas.

  O hospital não pode ficar 12 horas sem energia, não pode ficar um minuto sem energia. A minha mãe depende do hospital, depende da UTI. Nós pagamos por isso, minha gente. Então, eu quero que vocês dêem uma vaga no UTI pela minha mãe e que minha mãe acorde tudo bem e ajude a vida da minha mãe. Salva a vida da minha mãe, estou falando aqui como filha, igual milhares de familiares aqui também precisa. Mas eu estou lutando pela vaga  e pela minha mãe. E espero que vocês, grande aí fora, que podem ajudar, dê uma força a gente que nós estamos sofrendo demais e minha mãe nesse estado. Mas a gente tá aqui pra lutar não só pela minha mãe, por todas as mulheres e familiares que precisam. E eu sei, minha gente, que tem gente grande lá fora que pode nos ajudar. Façam pela gente, entendeu? Façam pela população. E a gente sabe que onde a minha mãe tá, passaram pra gente que não pode ter ninguém. E tem gente lá, assim, com acompanhante, entendeu? Aconteceu coisas com a minha mãe aí dentro, que não foram passadas pra gente, certo? Só passaram pra gente depois que a gente descobriu e foi tirar satisfação. Minha mãe não pode ficar acordada nesse momento, porque as queimaduras, a dor é muito grande. A vida dela, na situação que ela tá, se não tiver ninguém por perto, entendeu? Espero que consiga apagar rapidamente. Minha mãe tem a força, mas ainda tem que saber que a gente tá sempre do lado dela. Então, vem!"


Nota da Redação: Esta reportagem reúne as declarações públicas divulgadas pela família de Ana Paula e os esclarecimentos apresentados pela direção do Hospital Geral do Estado (HGE). As alegações da família refletem exclusivamente sua versão dos fatos e são contestadas pela direção da unidade, que afirma ter seguido os protocolos médicos. Caso novas informações ou manifestações oficiais sejam apresentadas, esta reportagem será atualizada.

Até o momento da publicação desta reportagem, não havia informação sobre eventual conclusão de investigação administrativa, policial ou pericial que confirmasse ou afastasse as alegações apresentadas pela família. O caso poderá ser atualizado à medida que novas informações oficiais forem divulgadas.

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