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Brasil liberará milhões de "wolbitos" para combater surto de dengue - The Guardian

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Um membro da equipe do Programa Mundial contra Mosquitos libera mosquitos Wolbachia em Niterói. O carro contém 900 tubos que ele soltará a cada 50 metros. Fotografia: Adrienne Surprenant/Collectif/Wellcome


Brasil irá liberar milhões de mosquitos transgênicos para combater surto de dengue



15 de março de 2024

Uma nova estratégia que envolve a liberação de mosquitos geneticamente modificados será implementada em seis cidades brasileiras nos próximos meses. Isso ocorre em meio a um grave surto de dengue no país, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Fatores como o clima mais quente e úmido causado pelas mudanças climáticas e a circulação de novos subtipos do vírus estão contribuindo para um aumento repentino nos casos de dengue no Brasil. Desde janeiro, foram registrados mais de 1,6 milhão de casos prováveis, mesmo número de todo o ano passado. Foram contabilizadas 491 mortes confirmadas até 14 de março, com outras 889 sob investigação.

Diante disso, as autoridades de saúde locais e nacionais têm reforçado as medidas de prevenção, com agentes comunitários percorrendo as cidades em busca de locais com água parada onde os mosquitos podem se reproduzir.

"Nossas estratégias são antigas e focadas no controle do vetor", disse Ethel Maciel, secretária de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. Porém, diante de "uma mudança significativa no padrão da dengue", o governo está recorrendo a novas tecnologias, como vacinas e a liberação de mosquitos transgênicos.

O método Wolbachia - nome dado em homenagem à bactéria encontrada naturalmente em 60% dos insetos, mas não no Aedes aegypti - já foi implementado com sucesso em cinco cidades brasileiras, beneficiando 3,2 milhões de pessoas. Agora, receberá investimento de R$ 80 milhões para ser expandido para seis novas localidades, protegendo outros 1,7 milhão de habitantes.

Os ovos e larvas de mosquitos geneticamente modificados, apelidados de "wolbitos" pela população, são produzidos em laboratório do Rio de Janeiro, gerenciado pelo Instituto de Saúde Pública Fiocruz, em parceria com a organização Wolbachia Mosquito Project e apoio do Ministério da Saúde.

“Começamos em uma sala minúscula e hoje temos grandes gaiolas que abrigam 1,5 milhão de mosquitos adultos", conta Cátia Cabral, bióloga que lidera uma equipe de 17 pessoas responsáveis pela criação contínua dos wolbitos. O laboratório produz atualmente 10 milhões de ovos por semana, com planos de expandir essa capacidade.

Niterói, uma das primeiras cidades a receber os mosquitos transgênicos, em 2015, hoje é a única totalmente coberta pelo método Wolbachia no país. Isso parece ter contribuído para controlar os casos locais de dengue, mesmo durante a crise em nível estadual. Até 14 de março, só haviam sido registrados 689 casos na cidade, contra 61.779 no Rio de Janeiro.

"O Rio tem 12 vezes mais população, mas quase 100 vezes mais casos que Niterói. Não há dúvida de que os wolbitos foram decisivos", diz o prefeito Axel Grael. Estudos mostram que o método associou-se a uma queda de 69% na dengue, 56% no chikungunya e 37% no Zika na cidade.

O baixo custo, caráter autossustentável e eficácia do método atraem outras prefeituras, segundo Luciano Moreira, pesquisador da Fiocruz responsável pelo projeto. "Já recebemos contato de mais de 50 cidades interessadas", afirmou. "Nosso desafio agora é ampliar a produção".

Um novo laboratório em construção aumentará em dez vezes a atual capacidade, para 100 milhões de ovos semanais até 2025. "Nossas projeções apontam que, em dez anos, poderemos beneficiar cerca de 70 milhões de brasileiros em diversas localidades", projeta Moreira. A estratégia dos wolbitos representa esperança no combate à dengue no país.
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Existem alguns riscos potenciais associados ao uso de mosquitos transgênicos, como os contendo a Wolbachia:

Escape da modificação genética: Há o risco teórico de os mosquitos transgênicos se reproduzirem com mosquitos selvagens e disseminarem os genes modificados, o que poderia interferir em outros ecossistemas.

Falha no controle de população: Caso a colonização dos mosquitos transgênicos no ambiente não seja efetiva, eles não conseguiriam se estabelecer e dominar a população nativa, comprometendo os efeitos de controle de doenças.

Emergência de novas variantes de doenças: Teoricamente, a supressão de uma doença poderia permitir o surgimento e disseminação de variantes mais agressivas ou resistentes ao método utilizado.

Reações alérgicas: Alguns estudos em animais indicaram que a Wolbachia poderia desencadear respostas alérgicas em seres sensíveis. Porém, não há comprovação de risco para humanos.

Impactos ecológicos imprevistos: Como todo organismo geneticamente modificado lançado em ambiente aberto, os mosquitos transgênicos podem interferir de forma não intencional em outros ecossistemas de formas ainda não totalmente compreendidas.

Contudo, até o momento nenhum desses riscos foi comprovado nos projetos que utilizam o método Wolbachia. Monitoramentos contínuos são realizados para identificar possíveis efeitos indesejáveis a longo prazo. Mais pesquisas ainda são necessárias para descartar completamente esses riscos teóricos.
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