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Brasil: meio milhão de vidas perdidas

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Por Renata Santos ,presidente dos Médicos Sem Fronteiras do Brasil

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Lidar com a perda de um ente querido é devastador e posso me identificar com sua dor. No Brasil, mais de 500.000 vidas foram perdidas devido ao covid-19. Isso é meio milhão de pessoas. Mães e pais, irmãos e irmãs, filhos e filhas, até amigos e amantes, todas perdas irrefutavelmente insuportáveis.

Todos nós experimentamos individualmente uma perda profunda, mas também passamos por uma catástrofe coletiva. Todo o país vive uma situação de luto permanente, com o sistema de saúde à beira do colapso. Enquanto isso, ainda estamos longe de ver uma resposta efetiva, centralizada e coordenada contra a covid-19 por parte das autoridades brasileiras.

Enquanto organização humanitária, dos Médicos sem Fronteiras temos a obrigação de condenar com indignação a falta de medidas. E, como organização médica, é nosso dever ressaltar que muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas. Algumas autoridades se recusam terminantemente a implementar medidas de saúde pública de base científica, como o distanciamento social e o uso de máscaras, que deveriam ser recomendadas mesmo para pessoas que já foram vacinadas ou sofreram da doença.

A falta de medidas preventivas levou a mortes prematuras e a um risco crescente de novas variantes potencialmente mais transmissíveis e mortais do vírus. Em um país onde apenas uma pequena parte da população foi totalmente vacinada, a Covid-19 continua infectando e matando milhares de pessoas todos os dias no Brasil.

Todo o país vive uma situação de luto permanente, com o sistema de saúde à beira do colapso. Enquanto isso, ainda estamos muito longe de ver uma resposta eficaz, centralizada e coordenada.


Ao testemunharmos o sofrimento de brasileiros que perderam entes queridos, e de profissionais de saúde que estão exaustos, enfrentando um fardo psicológico e emocional devido às duras condições de trabalho, percebemos também a grande quantidade de notícias falsas que circulam. Em todo o país, alimentando um ciclo de morte e doença. É chocante aceitar que essa desinformação muitas vezes é espalhada por aqueles que têm a responsabilidade de proteger a população. É inaceitável que, com mais de 500.000 mortes, as autoridades ainda enganem o público, promovendo métodos de tratamento inadequados, subestimando o que a ciência diz e recusando-se a tomar medidas preventivas. Agir assim, no estado de coisas em que se encontra o Brasil, é nada menos que desumano.

Embora seja óbvio, é preciso reiterar que o Brasil se encontra em um estado crítico, com altas taxas de transmissão do vírus e grande necessidade de aumentar a cobertura vacinal. Recusar-se a tomar medidas preventivas, como usar máscara, ajudará a manter alta a incidência de COVID-19, o que pode resultar em mais hospitalizações e mais mortes.

A pandemia atinge mais duramente aqueles que estão mais expostos, vulneráveis ​​e com menos acesso a cuidados médicos. Covid-19 destacou as desigualdades históricas do Brasil no acesso à assistência médica.

Vários estudos publicados desde o início da pandemia mostram que o COVID-19 e seus impactos no sistema de saúde tiveram graves consequências para as comunidades negras e indígenas, bem como para os migrantes e refugiados.

Infelizmente, covid-19 ainda está longe de ser controlado. A vida de nossos pais, filhos, irmãos, amigos e entes queridos continuará em perigo. Agora, apesar de todo o cansaço, ansiedade e esperança de que isso acabe o mais rápido possível, devemos permanecer unidos e fortes. Cuidando e protegendo nossos entes queridos.



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