Corrida armamentista espacial intensifica-se com revelação americana
Um alto funcionário anunciou ontem que os militares dos EUA colocaram armas em órbita para combater as ameaças da Rússia e da China
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| O Secretário da Força Aérea Troy Meink faz um discurso durante a Conferência Air, Space & Cyber de 2026 |
Em um anúncio sem precedentes, a Força Espacial dos Estados Unidos — criada há seis anos — confirmou pela primeira vez a presença de armamentos ofensivos em órbita. A declaração foi feita pelo secretário da Força Aérea, Troy Meink, durante a Conferência Anual Ar, Espaço e Cibernético da Associação de Forças Aéreas e Espaciais, realizada nesta segunda-feira.
De acordo com Meink, os EUA já possuem na órbita terrestre o que chamou de “armas de controle espacial”, com potencial para defender a Força Conjunta contra ações hostis de adversários. O oficial, no entanto, não apresentou detalhes técnicos, não revelando o tipo dos equipamentos nem suas capacidades operacionais.
Embora seja o primeiro reconhecimento público de uma potência sobre o tema, especialistas já consideravam a existência desses sistemas como provável. Nos últimos anos, a Rússia teria realizado operações com satélites que interferiram em comunicações por toda a Europa, além de ter sido acusada por agências de inteligência norte-americanas de planejar o posicionamento de armas nucleares no espaço.
A China também avançou suas capacidades no setor. Pequim desenvolveu tecnologias sofisticadas para monitorar e direcionar satélites estrangeiros, incluindo uma espaçonave reutilizável comparável ao X-37B dos EUA — projeto que, segundo analistas, poderia ser usado para interceptar ou capturar outras aeronaves em órbita. Tanto Washington quanto Moscou e Pequim já realizaram testes de mísseis antissatélites e protagonizaram manobras orbitais tensas, com naves se aproximando umas das outras em operações de sombreamento ou ameaça.
Durante coletiva de imprensa na segunda-feira, Meink defendeu a postura americana como uma resposta a necessidades concretas de segurança. “Há alguém nesta sala que duvide que os chineses ou os russos tenham desenvolvido esse tipo de arma?”, questionou. “Há mais de uma década falamos sobre isso e expressamos preocupação com os programas espaciais dessas nações. Precisamos nos concentrar em garantir que possamos operar nesse ambiente de forma protegida”, afirmou.
