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Boletim da Fiocruz aponta crescimento do metapneumovírus em Alagoas

InfoGripe identifica aumento de hospitalizações por metapneumovírus em Alagoas

O boletim InfoGripe da Semana Epidemiológica 35 indica que Alagoas, situado na região Nordeste, integra o conjunto de estados que vêm registrando início ou manutenção do aumento das hospitalizações causadas pelo metapneumovírus, acompanhando a tendência observada também na Bahia, Paraíba, Sergipe e em partes das regiões Sudeste e Sul do país, além de Roraima.

Boletim da Fiocruz aponta crescimento do metapneumovírus em Alagoas
Boletim da Fiocruz aponta crescimento do metapneumovírus em Alagoas



A Fiocruz divulgou nesta quinta-feira, 10 de setembro, a mais recente atualização do InfoGripe, referente à Semana Epidemiológica 35 — período de 30 de agosto a 5 de setembro. Em âmbito nacional, as notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) mostram sinais de estabilidade ou oscilação tanto no curto quanto no longo prazo. Contudo, cinco unidades da federação registram incidência em patamares de alerta, risco ou alto risco, aliada à tendência de alta nas últimas seis semanas: Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.

Segundo os pesquisadores, a média nacional esconde um cenário desigual por idade. Houve crescimento contínuo de casos entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, puxado principalmente pelo rinovírus. Já nas demais faixas etárias, as internações permanecem em queda ou estáveis. A estabilização observada entre crianças pequenas resulta do equilíbrio entre a redução de quadros graves causados pelo vírus sincicial respiratório (VSR) e o avanço de infecções graves pelo rinovírus. A diminuição nas outras idades é creditada, sobretudo, ao recuo das hospitalizações por influenza.

O crescimento da SRAG nos cinco estados em alerta concentra-se especialmente na população de 2 a 14 anos e tem como principal motor o rinovírus. Exceção ocorre no Mato Grosso, onde o aumento também atinge crianças e adolescentes de 5 a 14 anos e idosos acima de 65 anos — quadro possivelmente ligado à influenza B. No Rio de Janeiro, o metapneumovírus aparece como fator secundário no crescimento de casos pediátricos.

Além desses, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina também exibem incidência elevada (alerta, risco ou alto risco), mas sem tendência de alta de longo prazo. Em Roraima, o crescimento de SRAG por VSR dá sinais de interrupção, embora os números ainda sejam altos. Já na Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Piauí, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, as notificações por VSR seguem em descidas, porém levemente acima do esperado para a época. Nos demais estados, a temporada do vírus sincicial já terminou.

A influenza B segue em expansão na Bahia, Mato Grosso e Ceará. O metapneumovírus está em ascensão ou mantendo alta em todo o Sul e em pontos do Sudeste (Rio de Janeiro e São Paulo), do Nordeste (Bahia, Paraíba, Alagoas e Sergipe) e em Roraima. O rinovírus, por sua vez, registra aumento em Acre, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em relação à Covid-19, apenas Roraima observa leve crescimento de casos graves; nas outras unidades federativas, a doença segue em patamar baixo.

No recorte das capitais, Aracaju e Florianópolis apresentam nível de alerta, risco ou alto risco com crescimento de longo prazo. Em Aracaju, o aumento ocorre entre crianças e adolescentes de até 14 anos; em Florianópolis, entre crianças menores de 2 anos. Boa Vista, Cuiabá e Porto Alegre também têm incidência preocupante, mas sem trajetória de alta persistente.

Nas últimas quatro semanas, a distribuição dos vírus entre os casos positivos foi: influenza A (3,2%), influenza B (6,6%), VSR (27,1%), rinovírus (48,4%) e Sars-CoV-2 (2,4%). Entre os óbitos, no mesmo período, os positivos apresentaram: influenza A (12,7%), influenza B (16,3%), VSR (21,7%), rinovírus (32,5%) e Covid-19 (6%).

Desde o início do ano epidemiológico de 2026, foram notificados 147.868 casos de SRAG. Desses, 79.761 (53,9%) tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório; 52.327 (35,4%) deram negativo; e cerca de 7.349 (5%) aguardam resultado. Entre os positivos do ano, as taxas são: influenza A (17,2%), influenza B (5,5%), VSR (41,4%), rinovírus (31%) e Sars-CoV-2 (3,8%).

Nas últimas oito semanas, o padrão clássico de maior vulnerabilidade nos extremos etários se repete. A incidência é mais preocupante em crianças menores de 2 anos, ligada ao VSR e ao rinovírus. A mortalidade, porém, atinge de forma mais intensa quem tem 65 anos ou mais, com destaque para influenza A, rinovírus e VSR. Entre as crianças pequenas, VSR e rinovírus também lideram como causas de óbito. A Covid-19 mantém incidência baixa em todas as idades.

Em 2026, já foram contabilizados 6.512 óbitos por SRAG. O exame laboratorial foi positivo em 3.046 deles (46,8%); negativo em 2.828 (43,4%); e cerca de 1,7% ainda esperam resultado.
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