
Ismael Burgueño, prefeito de Tijuana e militante do partido Morena na Baja California, compareceu diante das câmeras para declarar que está "completamente livre" das acusações feitas contra ele pela Procuradoria Especializada em Crime Organizado (FEMDO) por suposta lavagem de dinheiro, as mesmas acusações que, em novembro passado, o ligaram a Fernando Salgado Chávez, empresário designado pelo Departamento do Tesouro dos EUA como operador financeiro do cartel CJNG. Para provar sua "livre inocência", apresentou um documento. Um documento que, se alguém se der ao trabalho de lê-lo, se desfaz. Comecemos pelo mais ridículo: o documento diz "2026, Ano de Margarita Maza Parada."
Com um o slogan que o próprio governo Sheinbaum impôs por decreto em TODO o material de escritório federal este ano é em homenagem a Margarita Maza, esposa de Juárez. Até mesmo os operadores que orquestraram o "escudo" de Burgueño falharam miseravelmente: mudaram o sexo da heroína nacional em um documento supostamente da Procuradoria-Geral da República. O documento inteiro está rotulado como "FGR", mas é apenas um logotipo "FGR" sem a águia. A justificativa legal continua, misturando a lei que rege os juízes com o estatuto que rege os promotores, como alguém que cita regulamentos de trânsito para se defender de uma acusação de sonegação fiscal. "Departamento de Moeda e Finanças da Prefeitura".
Esse departamento não existe em nenhuma promotoria neste país. Mas o detalhe que deveria soar o alarme na comissão de Citlalli Hernández — aquela que supostamente avalia os candidatos do Morena antes que eles possam concorrer — é o número de referência. O documento que Burgueño mostrou tem o número FGR/FEOROO/FIEORPIFAMF/FL-E/017/2026. Na mesma quinta-feira, o jornal La Jornada publicou que o documento em questão possui o número de referência FGR/FEMDO/FEIORPIFAMF/EIL-E/073/2026. Nem mesmo a sigla da Procuradoria-Geral da República coincide. Qual dos dois números de referência é o verdadeiro, se é que algum é? A Procuradoria-Geral da República não se pronunciou para confirmar o documento. E enquanto a Procuradoria-Geral da República permanece em silêncio, o aparato do partido Morena na Baja California já celebra Burgueño como o candidato "limpo" para 2027.
É assim que se compra facilmente uma exoneração sob o regime 4T: com um pedaço de papel que sequer pode ser escrito corretamente, quanto mais o ano.
