Contexto da investigação
O ministro do Território da Capital Federal, Nyesom Wike, foi citado em documentos judiciais relacionados à suposta conspiração para derrubar a administração do presidente Bola Tinubu. Os registros da apuração indicam que não há evidências de que o ministro tenha sido contatado ou que tivesse conhecimento do plano. A denúncia surgiu a partir da declaração do capitão naval reformado Erasmus Victor, réu que está sendo julgado perante o Supremo Tribunal Federal em Abuja por suposta tentativa de golpe de Estado em 2025.
Funcionários antes de assumirem o poder. As investigações apontam que diferentes funções teriam sido atribuídas a membros do grupo, incluindo operações militares, logística, recrutamento de financiadores, coleta de informações, propaganda e consultas espirituais.
Depoimento de Erasmus Victor
Victor admitiu estar ciente das discussões sobre o suposto plano, mas afirmou ter aconselhado repetidamente o coronel do Exército Mohammed Ma'aji a abandonar a ideia. Ele explicou que Ma'aji o abordou por causa de um relacionamento de longa data, iniciado na Academia de Defesa da Nigéria (NDA), onde Victor comandou o Batalhão da Birmânia e Ma'aji atuava como seu ajudante. Victor relatou que Ma'aji ficou profundamente frustrado ao não conseguir uma promoção em 2023 e que tentou encorajá‑lo a focar na aposentadoria, ao invés de permitir que a decepção o consumisse. “Ele ficou muito arrasado”, teria dito Victor.
Contudo, Ma'aji teria rejeitado o conselho e declarado estar disposto a fazer “tudo o que fosse necessário”, ainda que isso lhe custasse a vida. O oficial naval reformado também revelou que Ma'aji passou a procurar indivíduos ricos que supostamente poderiam financiar a operação. Entre os nomes mencionados, estava o ministro Nyesom Wike. Victor explicou que seu nome apareceu porque ele havia atuado como presidente da Área do Governo Local de Ogu/Bolo, no estado de Rivers, durante o mandato de Wike como governador. “Fui presidente do governo local da Ogu/Bolo LGA sob Nyesom Wike e deixei o cargo em 2021.
Ele sugeriu que eu incluísse Nyesom Wike no plano para conseguir fundos dele”, declarou. Victor insistiu que nunca abordou Wike nem qualquer outro indivíduo para obter apoio financeiro, limitando‑se a informar a Ma'aji que seus esforços para conseguir patrocinadores haviam falhado. Ele acrescentou que não foi obrigado a dizer ao coronel Ma'aji que iria conseguir patrocinadores para ele. Nos autos, não há indícios de que Wike estivesse ciente da suposta trama ou tenha participado de discussões a respeito. Victor também afirmou que comunicava‑se com Ma'aji por meio do aplicativo Zangi, escolhido por oferecer criptografia superior às ligações telefônicas convencionais.
O mesmo canal foi usado para conversar com o tenente‑coronel Shamsuddeen Bappah, que teria recebido ₦5 milhões em 27 de setembro de 2025 de fundos vinculados à operação. Victor negou qualquer envolvimento financeiro. Em depoimento, Victor chegou a suspeitar que a suposta conspiração fosse, na verdade, um esquema de fraude “419”. Ele argumentou que qualquer pessoa que financiasse voluntariamente uma ação ilegal não teria interesse em denunciar o caso às autoridades caso o dinheiro desaparecesse.
Victor também reconheceu ter encaminhado alguns materiais de mídia social com temática revolucionária para Ma'aji via WhatsApp, mas ressaltou que sempre desaconselhou a ação e que nunca participou de esforços para derrubar o governo. O julgamento segue em andamento enquanto o Supremo Tribunal Federal analisa as provas apresentadas pela acusação e as respostas dos réus.
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