
Marine Le Pen, durante a homenagem às vítimas do atentado de 2016 em Nice, em 14 de julho de 2026.
A extrema-direita está atraindo cada vez mais funcionários públicos. Embora essa tendência não seja nova, reflete uma mudança profunda nas escolhas eleitorais. A Reunião Nacional (RN) está agora "firmemente estabelecida" no funcionalismo público, enfatiza Luc Rouban, diretor emérito de pesquisa do CNRS (Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica). Autor de diversos estudos sobre o comportamento eleitoral de servidores públicos, o pesquisador do Centro de Pesquisa Política (Cevipof) do Sciences Po cita como evidência os dados sobre as atitudes políticas dos servidores públicos em 2026. Esses dados foram compilados em um relatório publicado na edição de julho-agosto da revista Actualité juridique Fonctions publiques (Lefebvre Dalloz).
Esses dados provêm das últimas ondas da pesquisa eleitoral francesa realizada antes e depois das eleições municipais de março pela Ipsos BVA-CESI Engineering School para o Cevipof, a Fundação Jean Jaurès e o Le Monde. A amostra é grande, composta por 10.962 pessoas, incluindo cerca de 2.300 servidores públicos. O cientista político reconhece que o âmbito territorial destas eleições "não nos permite extrapolar os resultados políticos para os das próximas eleições presidenciais". Isto é ainda mais verdade porque as listas com filiações políticas diziam respeito apenas a municípios com mais de 3.500 habitantes. "Estas eleições permitem-nos, contudo, fazer um balanço da relação entre os funcionários públicos e a política, bem como das suas principais inclinações partidárias", sublinha Luc Rouban.
Fonte original: lemonde.fr