
O Diretor-Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, anunciou na terça-feira, 18 de agosto, a descoberta na Síria de "algumas toneladas de material nuclear" em um local relatado em julho pelas autoridades sírias. "Estamos falando de algumas toneladas de material nuclear que poderiam ser mal utilizadas", declarou Grossi em uma coletiva de imprensa conjunta com o Ministro das Relações Exteriores da Síria, Assad Hassan Al-Shibani, em Damasco. Ele elogiou a "corajosa decisão" de Damasco de relatar esse local não declarado — que data do regime de Bashar al-Assad — e especificou que os materiais seriam colocados sob "supervisão internacional".
"Em 17 de julho, enviamos uma carta oficial à agência, na qual declaramos voluntariamente a presença de material nuclear em um local não declarado, parte do legado deixado pelo antigo regime", explicou Assad Hassan Al-Shibani. Grossi "e a equipe da agência concluíram a visita ao local esta manhã e coletaram as amostras necessárias", acrescentou. "E a equipe da agência concluíram a visita ao local esta manhã e coletaram as amostras necessárias", acrescentou. Os inspetores visitaram dois locais, um em Deir ez-Zor e “um segundo local ligado ao material nuclear recentemente identificado pela Síria”, segundo um comunicado conjunto. Após “avaliações técnicas”, “esses materiais não representam risco”, assegurou o ministro sírio. Esses materiais “permanecerão armazenados na Síria, sujeitos ao sistema de supervisão da agência”.
Especialistas sírios colaborarão com os da agência da ONU para garantir o armazenamento seguro desses materiais, confirmou Rafael Grossi. O representante da AIEA também visitou um local em Deir ez-Zor, no leste do país, que está fechado há dezoito anos. Em 2018, Israel admitiu ter realizado um ataque aéreo secreto no local onze anos antes, visando o que descreveu como um reator nuclear em construção. Em 2008, menos de um ano após o ataque, autoridades americanas acusaram a Síria de tentar construir um reator nuclear secreto, acrescentando que Israel o havia destruído durante o ataque. A AIEA, por sua vez, declarou em 2011 que o local era “muito provavelmente” um reator nuclear, que, segundo ela, estava sendo construído com assistência da Coreia do Norte. A AIEA anunciou no ano passado que havia descoberto partículas de urânio no local durante uma inspeção em 2024.
“Extensos trabalhos de escavação e exploração estão em andamento no local”, disse o Sr. Grossi. “Isso é muito importante porque confirma a avaliação de longa data da AIEA de que uma instalação nuclear estava sendo construída ali, em segredo”, acrescentou. A visita do Sr. Grossi ocorreu depois que o veículo de mídia americano Axios noticiou, na semana passada, que autoridades americanas e israelenses afirmaram que Washington e a AIEA haviam chegado a um acordo para que a agência removesse materiais nucleares armazenados em um local clandestino na Síria, após terem “encontrado um terreno comum com a Síria e Israel”. Segundo o Axios, Israel vinha monitorando de perto um local conhecido como "Sítio 99" — que as autoridades israelenses descrevem como o local onde o governo de Bashar al-Assad armazenava materiais nucleares relacionados ao projeto Deir ez-Zor — e ameaçou bombardeá-lo.