Após a morte de uma estudante, o Ministério da Educação (SEP) ordenou o encerramento de todas as chamadas “escolas militares” até 31 de agosto.
Além disso, o Ministro da Educação, Mario Delgado, disse que essas escolas devem reembolsar imediatamente os pagamentos feitos por serviços educativos pendentes, tais como taxas de reinscrição, material escolar e uniformes.
A presidente Claudia Sheinbaum elogiou a decisão de Delgado, ao mesmo tempo que lamentou a morte da menina de 13 anos. “O que aconteceu em Tamaulipas é muito triste”, disse ela. “Abusos ocorridos sob o pretexto de disciplina não podem ser permitidos.”
A resolução do SEP surge após a morte, em 16 de julho, de Dafne Zapata, que faleceu durante um acampamento de verão na Academia Militar Marina Doenitz, no estado de Tamaulipas.
A morte de Dafne suscitou exigências imediatas de justiça por parte de familiares e amigos, o que acabou por levar à detenção de três alegados perpetradores.
Naquele dia, a mãe de Dafne foi informada de que sua filha estava com tosse e desidratação, apenas para ser informada, minutos depois, de que ela havia morrido.
Uma autópsia refutou as alegações conflitantes da academia sobre a morte de Dafne – foram citadas insuficiência circulatória súbita e morte acidental – indicando que ela morreu por afogamento.
Os médicos legistas também encontraram hematomas e sinais de abuso físico recente, o que levou as autoridades a descartar causas naturais e a classificar o caso como feminicídio.
Pouco depois, os promotores prenderam Jorge Luis Ponce Ortega, diretor da escola, Estrellita Mora Díaz, supervisora, e Danna Yanina, de 18 anos, professora assistente.
Ex-alunos da academia criticaram a prisão de Yanina, protestando enquanto proclamavam que ela era mais uma vítima que foi obrigada a cumprir “medidas disciplinares”.
O SEP ordenou uma revisão abrangente de todas as 31 academias de estilo militar do país, com Delgado a dizer: “Não pode haver uma verdadeira transformação educacional se as expressões de violência forem permitidas”.
O decreto exige que todos os 32 ministérios estaduais da educação revisem minuciosamente as autorizações, licenças e reconhecimento oficial de estudos que concederam e fechem todas as escolas e instituições de estilo militar.
Além disso, Delgado instruiu as autoridades educativas locais a ordenarem a entrega imediata de documentação escolar aos alunos afetados por esta medida, incluindo certificados totais ou parciais de estudos, para garantir a continuidade da sua educação e facilitar a sua incorporação em outras instituições de ensino.
A mãe de Dafne, Alejandra Quintos, propôs esta semana legislação para abordar questões de segurança e proteção em instituições de estilo militar. A chamada Lei Dafne estabeleceria controles, protocolos de segurança e mecanismos de supervisão para academias militares, acampamentos de verão e outras organizações semelhantes, sejam elas públicas ou privadas.
Com relatórios de
El País, El Economista, La Jornada e Animal Político
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