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Maceió AL - -

Frei Petrônio cobra governador Paulo Dantas por situação “catastrófica” em hospital de Arapiraca

O grito nos corredores: frei denuncia colapso no Hospital Regional de Arapiraca


Transformar corredores em leitos improvisados e submeter famílias a uma espera que beira as 15 horas não é apenas um sintoma de falta de vagas: é o retrato de um sistema público de saúde que, segundo denúncia recente, falha com quem mais precisa. Em relato carregado de indignação, Frei Petrônio de Miranda expôs a situação vivida por dezenas de pacientes no Hospital Regional de Arapiraca, em Alagoas, num apelo que mistura dor, fé e cobrança política.

Hospital Regional de Arapiraca vira “campo de concentração”, denuncia religioso
Hospital Regional de Arapiraca vira “campo de concentração”, denuncia religioso



De acordo com o testemunho do religioso, sua mãe deu entrada na unidade na última sexta-feira, dia 17 de julho, necessitando de atendimento de urgência. Embora tenha sido acolhida, ela permaneceu — assim como muitos outros doentes — instalada em um corredor do hospital. A descrição do cenário é contundente: cerca de 10 a 15 pessoas improvisadas em espaços de passagem, jovens recebendo soro em meio ao tumulto e famílias que aguardam por socorro por longas horas, numa rotina que o próprio frei comparou a uma zona de guerra.

Contudo, Frei Petrônio deixou explícito que a culpa não recai sobre os profissionais que ali trabalham. Em gesto de reconhecimento, prestou homenagem aos servidores da saúde, desde os colaboradores da limpeza até enfermeiros e médicos, ressaltando que o atendimento humanizado existe apesar da estrutura precária. O problema, esclareceu, é administrativo e político.

A denúncia se converteu em clamor público ao endereçar um apelo direto ao governador de Alagoas, Paulo Dantas. “Olhe por esses pobres que só têm este hospital”, disse o frei, ao lembrar que, para grande parte da população local, a unidade representa a única porta de acesso ao tratamento médico. Ele reproduziu ainda o diagnóstico de um amigo médico e político de Arapiraca: a saúde no estado estaria “catastrófica”.

VÍDEO:

Silêncio e omissão: frei Petrônio diz que Igreja deve gritar diante da saúde sucateada 





A indignação alcançou os representantes eleitos. Para Frei Petrônio, a omissão de deputados federais, senadores e deputados estaduais diante de um cenário de “morte à míngua” deslegitima o próprio exercício democrático. Em tom de desabafo, questionou: “Qual é a motivação que nós, alagoanos, temos para votar nas próximas eleições?”. A cobrança se estendeu aos políticos locais e à imprensa, à qual o frei lançou uma provocação sobre o silêncio diante da realidade vivida nos corredores do hospital.

Em um momento de reflexão teológica, o religioso evocou o livro do Êxodo, no qual Deus ouve o clamor de um povo oprimido. Para ele, permanecer em silêncio diante do sucateamento do sistema público — seja por parte da sociedade ou da Igreja — é compactuar com a injustiça. “O padre tem que gritar, tem que denunciar, tem que falar”, afirmou, rebatendo a ideia de que religião e política devem ocupar compartimentos estanques.

Ao final do relato, Frei Petrônio lembrou a recente celebração dos 775 anos do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo — devoção presente na Paróquia de Nossa Senhora do Carmo, em Arapiraca — e elevou uma oração pelos enfermos e pelas famílias que sofrem na unidade. Com palavras duras, mas com o propósito de despertar consciências, cobrou do governo estadual uma intervenção imediata. “Olhe, cuide, defenda”, repetiu, advertindo que, na ausência de respostas, o voto perde o sentido.

A realidade exposta no Hospital Regional de Arapiraca não é apenas um problema de uma única unidade: é um símbolo de uma rede de saúde que clama por socorro. E, nesse cenário, calar-se não é prudência. É omissão.


Transcrição do Vídeo


Você, você já esteve em um campo de concentração na Segunda Guerra Mundial? Você já esteve na guerra no Oriente Médio? Aquela situação catastrófica que clama aos céus. Com certeza, não. Eu também não, graças a Deus. Mas, se você vier nesse hospital, Hospital Regional de Arapiraca, você vai ficar, no mínimo, assustado. A minha mãe, ontem, sexta-feira, 17 de julho de 2026, teve que vir às pressas aqui para esse hospital. Foi atendida, na verdade, só que agora está no corredor. No corredor, assim como diversos pacientes. Parece um verdadeiro campo de concentração. Dez, quinze nos corredores. E agora a gente retornou na manhãzinha deste sábado, e a minha mãe já está lá no corredor. Aquelas famílias que ficaram 15 horas para serem atendidas. Jovens com a garrafa de soro no corredor. É situação de guerra. Os profissionais da saúde têm culpa?


Claro que não. Fomos bem atendidos. Olha, a gente homenageia todos que trabalham nesse hospital. Desde o colaborador que limpa, do enfermeiro ao médico. Mas a gente veio aqui clamar ao excelentíssimo senhor governador, muito respeitosamente, Paulo Dantas. Olhe por esses pobres que só têm esse hospital. Conversando com um amigo, médico e político aqui de Arapiraca, ele disse: "Frei Petrônio de Miranda, a saúde do Estado de Alagoas está catastrófica." E a gente cita aquela passagem da Bíblia, lá no livro do Êxodo: Deus viu e ouviu o clamor do povo. Senhor deputado federal, senador, deputados estaduais, me falem: qual a motivação que nós, alagoanos, temos para votar nas próximas eleições? Os corredores cheios de doentes. O povo morrendo à míngua. Onde estão esses políticos de Arapiraca? Do Estado de Alagoas? Senhor governador, trazemos o nosso grito, o nosso clamor. É inadmissível o que acontece aqui no Hospital Regional. Você é influenciador digital? Você é jornalista? Você é da imprensa? Não vejo ninguém falar nada sobre esta realidade. Aqui, a gente deixa as nossas orações, a nossa revolta e o nosso grito. 

Nos 775 anos do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, celebrados há poucos dias. Aliás, aqui em Arapiraca tem a Paróquia de Nossa Senhora do Carmo. A gente roga à Senhora do Carmo pelos pobres, que clamam, que rezam. E, por último, você, que costuma dizer assim: "Frei, política e religião não se discutem." A gente deve fechar os olhos para essa questão da política. Pois é, quando a gente deixa os políticos, à torta e à direita, desviarem o dinheiro da saúde pública, sucateando a saúde pública, acontece o que está acontecendo aqui no Hospital Regional. O padre tem que gritar, tem que denunciar, tem que falar. Venha aqui nesse hospital, entre nesse hospital e veja o grito e o clamor dos pobres. Mais uma vez, Paulo Dantas, nosso governador, olhe, cuide, defenda, porque, senão, nós vamos votar para quê? Nós vamos votar para quê nas próximas eleições? Senhora do Carmo, rogai por nós. Bom dia, boa tarde, boa noite.

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