O grito nos corredores: frei denuncia colapso no Hospital Regional de Arapiraca
Contudo, Frei Petrônio deixou explícito que a culpa não recai sobre os profissionais que ali trabalham. Em gesto de reconhecimento, prestou homenagem aos servidores da saúde, desde os colaboradores da limpeza até enfermeiros e médicos, ressaltando que o atendimento humanizado existe apesar da estrutura precária. O problema, esclareceu, é administrativo e político.
Silêncio e omissão: frei Petrônio diz que Igreja deve gritar diante da saúde sucateada
A realidade exposta no Hospital Regional de Arapiraca não é apenas um problema de uma única unidade: é um símbolo de uma rede de saúde que clama por socorro. E, nesse cenário, calar-se não é prudência. É omissão.
Você, você já esteve em um campo de concentração na Segunda Guerra Mundial? Você já esteve na guerra no Oriente Médio? Aquela situação catastrófica que clama aos céus. Com certeza, não. Eu também não, graças a Deus. Mas, se você vier nesse hospital, Hospital Regional de Arapiraca, você vai ficar, no mínimo, assustado. A minha mãe, ontem, sexta-feira, 17 de julho de 2026, teve que vir às pressas aqui para esse hospital. Foi atendida, na verdade, só que agora está no corredor. No corredor, assim como diversos pacientes. Parece um verdadeiro campo de concentração. Dez, quinze nos corredores. E agora a gente retornou na manhãzinha deste sábado, e a minha mãe já está lá no corredor. Aquelas famílias que ficaram 15 horas para serem atendidas. Jovens com a garrafa de soro no corredor. É situação de guerra. Os profissionais da saúde têm culpa?
Claro que não. Fomos bem atendidos. Olha, a gente homenageia todos que trabalham nesse hospital. Desde o colaborador que limpa, do enfermeiro ao médico. Mas a gente veio aqui clamar ao excelentíssimo senhor governador, muito respeitosamente, Paulo Dantas. Olhe por esses pobres que só têm esse hospital. Conversando com um amigo, médico e político aqui de Arapiraca, ele disse: "Frei Petrônio de Miranda, a saúde do Estado de Alagoas está catastrófica." E a gente cita aquela passagem da Bíblia, lá no livro do Êxodo: Deus viu e ouviu o clamor do povo. Senhor deputado federal, senador, deputados estaduais, me falem: qual a motivação que nós, alagoanos, temos para votar nas próximas eleições? Os corredores cheios de doentes. O povo morrendo à míngua. Onde estão esses políticos de Arapiraca? Do Estado de Alagoas? Senhor governador, trazemos o nosso grito, o nosso clamor. É inadmissível o que acontece aqui no Hospital Regional. Você é influenciador digital? Você é jornalista? Você é da imprensa? Não vejo ninguém falar nada sobre esta realidade. Aqui, a gente deixa as nossas orações, a nossa revolta e o nosso grito.
Nos 775 anos do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, celebrados há poucos dias. Aliás, aqui em Arapiraca tem a Paróquia de Nossa Senhora do Carmo. A gente roga à Senhora do Carmo pelos pobres, que clamam, que rezam. E, por último, você, que costuma dizer assim: "Frei, política e religião não se discutem." A gente deve fechar os olhos para essa questão da política. Pois é, quando a gente deixa os políticos, à torta e à direita, desviarem o dinheiro da saúde pública, sucateando a saúde pública, acontece o que está acontecendo aqui no Hospital Regional. O padre tem que gritar, tem que denunciar, tem que falar. Venha aqui nesse hospital, entre nesse hospital e veja o grito e o clamor dos pobres. Mais uma vez, Paulo Dantas, nosso governador, olhe, cuide, defenda, porque, senão, nós vamos votar para quê? Nós vamos votar para quê nas próximas eleições? Senhora do Carmo, rogai por nós. Bom dia, boa tarde, boa noite.
