Braskem sabia de risco de afundamento desde 1988, revelam laudos periciais
Documentos mostram que Salgema, antecessora da empresa, ignorou alertas técnicos sobre colapso de minas de sal-gema em Maceió; MPF denunciou ex-dirigentes por omissão
Laudos periciais obtidos durante as investigações da Polícia Federal (PF) sobre o desastre provocado pela mineração de sal-gema em Maceió (AL) revelam que os riscos de afundamento do solo já eram conhecidos desde a década de 1980 pela Salgema, empresa que deu origem à Braskem.
Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), a Braskem tinha conhecimento formal do processo de subsidência — rebaixamento gradual do terreno — pelo menos desde 2003.
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| Segredos de décadas: laudos periciais apontam que risco de afundamento em Maceió foi omitido pela mineradora desde a década de 80 |
Alertas ignorados há quase quatro décadas
A atividade minerária provocou a desocupação total de cinco bairros da capital alagoana: Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol, deixando milhares de famílias desabrigadas.
De acordo com a investigação, estudos técnicos contratados ainda em 1986 já alertavam para a possibilidade de subsidência e recomendavam medidas de controle para evitar danos na superfície.
Naquele mesmo ano, registros analisados pelos peritos indicavam que vibrações causadas por desmoronamentos em cavidades subterrâneas já haviam sido identificadas dentro das minas.
Três anos depois, em 1989, consultores especializados emitiram novos alertas sobre a possibilidade de formação de uma "bacia de subsidência" e de crateras em caso de colapso das minas — cenário que, décadas mais tarde, se concretizou.
MPF denuncia ex-dirigentes
Com base nos laudos, o MPF denunciou ex-dirigentes e técnicos ligados à exploração das minas de sal-gema por omissão diante dos riscos documentados. A acusação central é de que os responsáveis tinham conhecimento técnico suficiente para adotar medidas preventivas, mas optaram por seguir com a atividade minerária sem implementar os controles recomendados.
Posição da Braskem
Em nota oficial, a Braskem reiterou sua solidariedade com os moradores afetados e afirmou que sempre atuou em conformidade com as leis e regulações do setor de mineração.
O caso em números
| Dado | Informação || Bairros desocupados | 5 (Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol) || Primeiro alerta técnico | 1986 || Conhecimento formal da Braskem | Desde, pelo menos, 2003 || Principais riscos | Subsidência, crateras e colapso de minas |
A investigação segue em andamento e deve tramitar pela Justiça Federal em Alagoas, onde os acusados responderão pelo crime de omissão e pelos danos causados à população atingida.
NOTA:
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