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Pedaço de vidro em frasco e corpos estranhos: Anvisa proíbe lotes de Polycid e clindamicina

AR NEWS 24H – ALERTA CONSUMIDOR

Anvisa determina recolhimento de antibióticos injetáveis e soro fisiológico com corpos estranhos e desvios de qualidade

Medida atinge lotes de Polycid e fosfato de clindamicina; agência também proíbe circulação de preparações magistrais de farmácia no Rio de Janeiro por irregularidades graves

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou na quinta-feira (18) o recolhimento imediato de lotes de antibióticos injetáveis, soro fisiológico e todas as preparações magistrais de uma farmácia de manipulação. Os produtos apresentam desvios de qualidade que podem comprometer a segurança do paciente, incluindo a presença de fragmentos de vidro, corpos estranhos, precipitados e alteração na coloração de soluções que deveriam ser estéreis.

Anvisa determina recolhimento de antibióticos injetáveis e soro fisiológico com desvios de qualidade
Anvisa determina recolhimento de antibióticos injetáveis e soro fisiológico com desvios de qualidade



A resolução foi publicada no Diário Oficial da União e proíbe expressamente a venda, distribuição e aplicação dos medicamentos e insumos apreendidos. A medida atinge diretamente duas grandes farmacêuticas e uma indústria de menor porte, além de uma farmácia localizada no Rio de Janeiro.

Pedaço de vidro dentro de frasco de antibiótico

O primeiro caso refere-se ao antibiótico Polycid, fabricado pela União Química Farmacêutica Nacional. O recolhimento atinge especificamente o lote 2519879 do medicamento injetável, utilizado no tratamento de infecções graves hospitalares.

Segundo a Anvisa, o próprio laboratório comunicou à agência o início de um recolhimento voluntário após identificar, no interior de frascos-ampola aparentemente íntegros, a presença de pedaços de vidro. A contaminação por fragmentos sólidos em medicamentos parenterais — aqueles administrados diretamente na corrente sanguínea — representa risco elevado de lesões vasculares, obstrução de capilares, reações inflamatórias sistêmicas e, em casos extremos, embolia.

A Anvisa validou o recolhimento e determinou sua efetivação em caráter obrigatório em todo o território nacional.

Solução amarelada, corpos estranhos e precipitados

O segundo antibiótico envolvido é o fosfato de clindamicina 150 mg/ml solução injetável, produzido pela Hypofarma – Instituto de Hypodermia e Farmácia Ltda. O lote afetado é o 24101854, comercializado em caixas contendo 50 ampolas.

A inspeção da Anvisa confirmou desvio crítico na estabilidade física do produto. As ampolas apresentavam solução com coloração amarelada anormal, além da presença de corpos estranhos e precipitados no interior de frascos lacrados. A alteração química-física em medicamentos injetáveis pode indicar degradação do princípio ativo, contaminação microbiana ou reação indevida entre componentes, tornando o uso clínico inseguro.

Soro ficiológico também apresentou falha

Além dos antibióticos, a resolução da Anvisa determina o recolhimento da solução fisiológica de cloreto de sódio Equiplex – 9 mg/ml, produzida pela Equiplex Indústria Farmacêutica Ltda. O lote 2513588, com validade até 30 de junho de 2027, foi reprovado por desvio de qualidade não especificado em detalhes técnicos na publicação, mas suficiente para justificar a retirada integral do mercado.

A agência reforçou que o produto não pode ser vendido, distribuído ou utilizado em nenhuma unidade de saúde pública ou privada.

Farmácia de manipulação vendia fórmulas padronizadas sem prescrição

A quarta medida atinge a Farmácia S J do Jabour Ltda, localizada no Rio de Janeiro. A Anvisa determinou o recolhimento de todas as preparações magistrais produzidas pelo estabelecimento.

Em fiscalização, a agência constatou que a farmácia exibia e comercializava medicamentos manipulados padronizados, ou seja, com composição fixa e não individualizada, sem a necessária prescrição médica ou odontológica. O que agrava a infração: os produtos eram divulgados e vendidos pelo site da empresa e redes sociais, utilizando inclusive nomes comerciais nos rótulos — prática vedada a farmácias de manipulação, que só podem produzir fórmulas sob demanda e com indicação prescrita.

A conduta caracteriza suposta infração sanitária grave, ao transformar a farmácia numa espécie de indústria clandestina de medicamentos personalizados, fora dos rigores de registro e controle de qualidade exigidos pela legislação brasileira.

Orientação aos pacientes e profissionais de saúde

A Anvisa recomenda que consumidores e unidades de saúde que possuam os lotes citados interrompam imediatamente o uso e entrem em contato com os canais de farmacovigilância da agência ou com os fabricantes para orientações sobre a devolução.

A aplicação de medicamentos injetáveis contaminados por vidro ou partículas sólidas pode causar desde reações locais até eventos sistêmicos graves. Da mesma forma, o consumo de manipulados sem prescrição e sem controle de qualidade representa risco de intoxicação, interações medicamentosas e falha terapêutica.


Publicado em 20/06/2026 às 01h05 | Atualizado em 20/06/2026 às 10h30

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