Alagoas está entre 14 estados com SRAG em nível de alerta e tendência de crescimento
Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta que Maceió também registra incidência em nível de alerta, risco ou alto risco para síndrome respiratória
O novo Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira (18/6), coloca Alagoas em cenário de atenção para as síndromes respiratórias. O estado está entre as 14 unidades da federação que apresentam incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo — ou seja, nas últimas seis semanas até a Semana Epidemiológica 23 (7 a 13 de junho).
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| Alagoas entra em alerta com alta de SRAG |
Situação em Alagoas e Maceió
De acordo com a análise da Fiocruz, Alagoas enfrenta dois indicadores preocupantes simultaneamente:
No estado: além do nível de alerta para SRAG com tendência de crescimento, os casos de SRAG causados pelo vírus sincicial respiratório (VSR) continuam aumentando, seguindo o padrão observado em outros estados do Nordeste — Bahia, Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte.
Na capital Maceió: a incidência de SRAG também se encontra em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas. Porém, diferentemente do estado como um todo, a capital alagoana não apresenta sinal de crescimento na tendência de longo prazo, o que indica estabilização — ainda que em patamar elevado.
Maceió integra um grupo de 12 capitais brasileiras nessa mesma condição, ao lado de Aracaju, Brasília, Cuiabá, Goiânia, João Pessoa, Manaus, Natal, Palmas, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
O que está por trás do aumento
O cenário nacional é impulsionado por dois movimentos distintos:
- Crianças pequenas: hospitalizações por VSR, que afetam principalmente menores de 2 anos.
- Jovens, adultos e idosos: hospitalizações pelos vírus da influenza A e B.
Em Alagoas, o avanço dos casos por VSR reforça a preocupação com a faixa etária mais vulnerável — bebês e crianças pequenas —, enquanto o aumento da influenza atinge a população economicamente ativa e os idosos.
Recomendações para a população alagoana
A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, reforça que a proteção contra o cenário atual depende de medidas já disponíveis:
- Vacinação contra influenza: protege contra os vírus A e B e é fundamental para crianças, idosos e pessoas com comorbidades.
- Vacinação contra VSR para gestantes: a partir da 28ª semana de gestação, protege os bebês nos primeiros meses de vida.
- Reforço da vacina contra Covid-19: essencial para idosos e imunocomprometidos, diante do leve aumento da doença em alguns estados.
Portella também orienta cuidados adicionais, especialmente em momentos de circulação viral intensa:
"Recomendamos usar máscaras em locais fechados e com maior aglomeração de pessoas e dentro de unidades de saúde; fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado; ou, quando o isolamento não for possível, sair de casa usando uma boa máscara para evitar transmitir o vírus para outras pessoas."
Radiografia dos vírus em circulação
Os dados mostram que, embora o VSR seja o vírus mais frequente nos casos, a influenza A é a principal responsável por óbitos, com impacto maior entre pessoas a partir de 65 anos.
Impacto por faixa etária
O boletim destaca que a incidência e a mortalidade seguem padrões distintos conforme a idade:
- Crianças pequenas: maior incidência de SRAG, associada principalmente ao VSR.
- Idosos (65+): maior mortalidade, puxada pela influenza A.
- Covid-19: incidência continua baixa em todas as faixas etárias.
- Em nível nacional, observa-se desaceleração do crescimento entre crianças até 4 anos e queda dos casos graves entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos — mas o aumento entre jovens, adultos e idosos acende o alerta.
Panorama nacional
Dos 27 estados brasileiros:
- 14 estão em alerta/risco/alto risco com tendência de crescimento (entre eles Alagoas).
- 9 estão em alerta/risco/alto risco sem tendência de crescimento.
- Apenas 4 unidades não aparecem em níveis preocupantes.
Nas capitais, 11 apresentam crescimento sustentado da SRAG (Belém, Belo Horizonte, Boa Vista, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Macapá, Porto Alegre, Rio Branco, São Luís e Vitória), enquanto outras 12 — incluindo Maceió — estão em patamares elevados, porém estabilizados.
Dados consolidados de 2026
Até o momento, o Brasil registrou em 2026:
- 89.725 casos de SRAG, sendo 44.485 (49,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório.
- 3.842 óbitos por SRAG, sendo 1.772 (46,1%) com resultado positivo.
Entre os casos positivos do ano, predominam o VSR (35%), rinovírus (31,8%), influenza A (23,6%), Covid-19 (5,4%) e influenza B (3,5%). Entre os óbitos positivos, a influenza A lidera com 41,7%, seguida por rinovírus (20,4%), Covid-19 (20,1%), VSR (9,6%) e influenza B (5,8%
NOTA:
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🔑 PALAVRAS-CHAVE:
Alagoas, Maceió, SRAG, InfoGripe, Fiocruz, VSR, influenza, vacinação, saúde pública, vírus respiratórios
📙 GLOSSÁRIO:
SRAG: Síndrome Respiratória Aguda Grave — quadro clínico de infecção respiratória que requer hospitalização.
VSR: Vírus Sincicial Respiratório — principal causa de infecções respiratórias em crianças pequenas.
Semana Epidemiológica: período de 7 dias usado pela vigilância em saúde para padronizar a análise de dados.
InfoGripe: sistema da Fiocruz que monitora a circulação de vírus respiratórios no Brasil com base em dados de SRAG.
🖥️ FONTES:
Boletim InfoGripe da Fiocruz (Semana Epidemiológica 23, de 7 a 13 de junho de 2026); Agência Fiocruz de Notícias.
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