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Cetamina e a psilocibina no combate à depressão grave

Terapias Combinadas: A Chave para o Sucesso no Tratamento da Depressão


A depressão é uma das condições de saúde mais graves que afetam as pessoas atualmente. Embora muitas pessoas pensem que depressão significa simplesmente sentir-se triste, a doença pode ser muito mais grave e duradoura.

O transtorno depressivo maior pode afetar as emoções, o sono, a energia, o apetite, a memória, a concentração e até mesmo a saúde física.

Algumas pessoas com depressão têm dificuldade para sair da cama, ir trabalhar ou desfrutar de atividades que antes lhes davam prazer. Outras vivenciam um sentimento constante de desesperança, entorpecimento emocional ou pensamentos suicidas.  

depressão grave
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As famílias e os cuidadores também costumam ser profundamente afetados, pois a depressão grave pode impor uma enorme pressão sobre os relacionamentos e a vida diária.

Os antidepressivos modernos ajudaram muitos pacientes nas últimas décadas, mas os médicos enfrentam há muito tempo um problema difícil: um grande número de pessoas não apresenta melhora suficiente com os tratamentos convencionais.

Pesquisadores estimam que cerca de um em cada três adultos com transtorno depressivo maior continua a sofrer mesmo após experimentar pelo menos dois medicamentos antidepressivos diferentes. Esses pacientes são considerados portadores de depressão resistente ao tratamento, uma condição que permanece um dos maiores desafios da psiquiatria.

Durante anos, cientistas têm buscado maneiras melhores de ajudar esses pacientes. Agora, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Connecticut (UConn) e de diversas universidades renomadas, incluindo Harvard, Yale e a Universidade de Toronto, relataram novas descobertas importantes que podem mudar a forma como os médicos tratam a depressão grave.

A pesquisa foi publicada na revista JAMA Psychiatry e focou em duas abordagens de tratamento diferentes que utilizam medicamentos já existentes de maneiras inovadoras.

O primeiro estudo examinou a cetamina, uma droga que tem recebido crescente atenção na pesquisa em saúde mental nos últimos anos.

A cetamina foi originalmente criada como um anestésico usado em hospitais durante cirurgias, pois age de forma rápida e segura para muitos pacientes. No entanto, cientistas descobriram posteriormente algo surpreendente: a cetamina parece melhorar rapidamente os sintomas de depressão em algumas pessoas.

Essa descoberta foi incomum porque os antidepressivos tradicionais geralmente exigem várias semanas para que os pacientes percebam alguma melhora. Para pessoas que sofrem de depressão grave ou pensamentos suicidas, esperar semanas por alívio pode ser perigoso.

Os pesquisadores se interessaram particularmente pela cetamina porque alguns pacientes relataram sentir-se melhor poucas horas ou dias após o tratamento. Esse efeito rápido aumentou a esperança de que a cetamina pudesse se tornar uma opção valiosa para pessoas em situações de crise de saúde mental.

No novo estudo, os pesquisadores analisaram 26 ensaios clínicos randomizados anteriores que compararam a cetamina intravenosa com tratamentos com placebo ou grupos de controle. O tratamento intravenoso significa que o medicamento é administrado diretamente na corrente sanguínea por meio de um gotejamento intravenoso.

Os cientistas descobriram que a cetamina apresentou resultados claramente superiores aos tratamentos com placebo durante os primeiros dias após o tratamento. Os pacientes que receberam cetamina frequentemente apresentaram melhorias rápidas no humor e nos sintomas depressivos.

Talvez o mais importante seja que a cetamina se mostrou altamente eficaz na redução rápida de pensamentos suicidas em pessoas que enfrentam risco iminente.

Os médicos afirmam que essa pode ser uma das características mais valiosas da cetamina, pois crises suicidas exigem ação rápida. Os antidepressivos comuns geralmente não agem com rapidez suficiente em situações de emergência.

No entanto, os pesquisadores também encontraram limitações importantes. Os efeitos antidepressivos da cetamina diminuíram após algumas semanas. Isso significa que a cetamina pode proporcionar alívio a curto prazo, sem necessariamente resolver problemas de depressão a longo prazo por si só.

O estudo também descobriu que a cetamina intravenosa funcionou de forma semelhante à esketamina, um medicamento em spray nasal relacionado, já aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para o tratamento da depressão resistente.

O segundo estudo focou em outra estratégia: combinar antidepressivos com medicamentos antipsicóticos.

Os medicamentos antipsicóticos são geralmente associados a condições como esquizofrenia ou transtorno bipolar, mas alguns médicos também os prescrevem juntamente com antidepressivos para casos de depressão mais difíceis.

Os pesquisadores analisaram 22 estudos que examinaram a eficácia dessas combinações de medicamentos na redução dos sintomas depressivos e a frequência com que os pacientes interrompiam o tratamento devido a efeitos colaterais.

Diversos medicamentos antipsicóticos pareceram melhorar os sintomas da depressão quando adicionados a antidepressivos. No entanto, um medicamento, a lumateperona, apresentou resultados mistos. Embora tenha se mostrado especialmente eficaz na redução dos sintomas, muitos pacientes interromperam o tratamento devido a efeitos colaterais desagradáveis.

Essa descoberta destaca uma questão importante na psiquiatria. Muitos medicamentos potentes podem melhorar os sintomas, mas também causar efeitos colaterais que alguns pacientes têm dificuldade em tolerar. Os médicos frequentemente precisam equilibrar eficácia, segurança e conforto.

Os pesquisadores acreditam que essas descobertas podem ajudar os médicos a orientar melhor as decisões de tratamento para pacientes com depressão moderada a grave que não respondem aos antidepressivos padrão.

O Dr. T. Greg Rhee, da Escola de Medicina da Universidade de Connecticut (UConn), explicou que abordagens de tratamento alternativas são urgentemente necessárias, pois muitos pacientes continuam sofrendo apesar das repetidas tentativas de tratamento.

Os estudos também refletem mudanças mais amplas que estão ocorrendo na pesquisa sobre depressão. Os cientistas estão descobrindo cada vez mais que a depressão pode envolver muitos sistemas cerebrais diferentes, em vez de um único desequilíbrio químico. Isso pode explicar por que alguns pacientes respondem a certos tratamentos, enquanto outros não.

Os pesquisadores estão agora explorando tratamentos que afetam diferentes vias no cérebro, incluindo inflamação, respostas ao estresse, conectividade cerebral e sinalização do glutamato, que a cetamina influencia de maneira diferente dos antidepressivos padrão.

Os pesquisadores planejam continuar estudando esses tratamentos em estudos populacionais maiores para melhor compreender a segurança e a eficácia a longo prazo, bem como quais pacientes têm maior probabilidade de se beneficiar.

Especialistas em saúde mental alertam que a cetamina e os medicamentos antipsicóticos não são isentos de riscos.

A cetamina pode, por vezes, causar dissociação temporária, percepções incomuns ou alterações na pressão arterial, enquanto os medicamentos antipsicóticos podem levar ao aumento de peso, sedação ou efeitos colaterais relacionados ao movimento. Portanto, é fundamental uma supervisão médica cuidadosa.

Ainda assim, as descobertas oferecem esperança para pacientes que lutam há anos sem encontrar alívio. A depressão resistente ao tratamento pode ser devastadora, e mesmo uma melhora parcial pode melhorar muito a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.

Os estudos publicados no JAMA Psychiatry sugerem que o tratamento da depressão no futuro poderá se tornar muito mais individualizado. Em vez de prescrever medicamentos semelhantes para todos os pacientes, os médicos poderão, eventualmente, escolher tratamentos com base na biologia, nos sintomas e nos padrões de resposta de cada pessoa.

Após analisar os resultados, a pesquisa se mostra valiosa por reunir evidências de diversos estudos anteriores, em vez de experimentos isolados. Isso confere maior respaldo científico às conclusões.

Os resultados com cetamina são especialmente promissores para o atendimento psiquiátrico de emergência, pois a rápida redução de pensamentos suicidas pode salvar vidas. No entanto, a curta duração dos benefícios também demonstra que mais pesquisas são necessárias para alcançar melhorias duradouras.

O estudo sobre a combinação de medicamentos também demonstra progresso e cautela. Algumas combinações de antipsicóticos podem ajudar pessoas com depressão grave, mas os efeitos colaterais continuam a limitar o sucesso do tratamento para alguns pacientes.

De modo geral, a pesquisa destaca que o tratamento da depressão está entrando em uma nova fase, na qual os médicos estão explorando terapias mais rápidas, direcionadas e personalizadas para pacientes que não obtiveram benefícios com os antidepressivos tradicionais.
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🔑PALAVRAS-CHAVE:
depressão, tratamentos inovadores, cetamina, psilocibina, saúde mental, antagonistas do receptor opioide kappa, estimulação magnética transcraniana, terapia combinada, pesquisa em saúde mental, depressão resistente
📙 GLOSSÁRIO:
Cetamina: Anestésico que também atua como antidepressivo.
Psilocibina: Composto psicodélico encontrado em certos cogumelos, utilizado em terapias experimentais.
Estimulação Magnética Transcraniana (EMT): Técnica que utiliza campos magnéticos para estimular áreas do cérebro.
Antagonistas do Receptor Opioide Kappa: Nova classe de medicamentos que pode ajudar a regular o humor.
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