Caso Braskem: Acordo bilionário em Alagoas, mas fantasma de nova tragédia assombra Maceió
Por Redação | Maceió, AL
Novembro de 2025 marcou um capítulo decisivo — e controverso — no maior crime ambiental em área urbana do mundo. A multinacional Braskem anunciou um acordo com o Estado de Alagoas para o pagamento de R$ 1,2 bilhão (US$ 226 milhões) em indenizações devido ao colapso geológico causado pela extração de sal-gema em Maceió.
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| Vista aérea de um dos bairros que afundaram em Maceió |
O desastre, que começou a ganhar contornos dramáticos em 2018 e culminou no colapso da Mina 18 no fim de 2023, forçou a evacuação de cinco bairros (Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol), transformando áreas antes vibrantes em cidades-fantasma e deslocando cerca de 60 mil pessoas.
Os detalhes do acordo
Embora o montante pareça vultoso, o cronograma de desembolso levanta discussões. Segundo a Braskem:
R$ 139 milhões já foram quitados.O restante será pago ao longo de dez anos, com parcelas anuais começando apenas em 2030.O valor visa a "indenização integral por danos materiais e morais" ao Estado, encerrando o processo judicial aberto pelo governo de Alagoas, restando apenas a homologação judicial.
A Cicatriz invisível: "Nossa Terra, Nossa História"
Para além dos prédios rachados, existe o dano imaterial. "Perdemos o mais importante: nossas casas", relata Paulo Rodrigo, líder comunitário. Para tentar mitigar o trauma, o UNOPS (Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos) gerencia o programa "Nossa Terra, Nossa História", com orçamento de US$ 30 milhões.
Bernardo Bahia, gerente do UNOPS, explica que o foco é o fortalecimento do tecido social. Projetos como o Sankofa (apoio psicossocial) e o Marias da Lagoa (emancipação de marisqueiras) buscam reconstruir o que o dinheiro não compra: a dignidade e a autonomia de quem vive à margem da Lagoa Mundaú.
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| Um dos projetos do programa “Nossa Terra, Nossa História” do UNOPS |
Alerta vermelho: O isolamento dos Flexais
Apesar do acordo, a crise está longe do fim. A Defensoria Pública de Alagoas e o Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) entraram com uma nova ação exigindo a evacuação imediata das comunidades Flexal de Cima e Flexal de Baixo.
Um relatório técnico internacional de 2025, assinado por especialistas do INPE, UFAL, UFES e da Universidade de Hannover, aponta que o terreno nos Flexais sofre movimentações de até 10 mm por ano — o dobro do limite de segurança. A ação exige:
Realocação de 3.169 moradias.Indenização adicional de R$ 1,7 bilhão.Uso da matriz de danos do desastre de Mariana como referência para o cálculo.O relatório é taxativo: a relação entre os deslocamentos de terra nos Flexais e a mineração da Braskem é "inequívoca".
Contexto global e comparação com Mariana
O caso de Maceió ganha novos contornos éticos após a justiça inglesa considerar a BHP (acionista da Samarco) culpada pela tragédia de Mariana (MG). Enquanto no Brasil as empresas foram absolvidas criminalmente em novembro passado, no exterior a indenização estimada chega a R$ 250 bilhões.
A América Latina é a segunda região do mundo mais propensa a desastres, segundo a ONU. O caso Braskem reforça a necessidade de vigilância constante sobre as atividades extrativistas em áreas habitadas, sob o risco de Maceió enfrentar uma "tragédia anunciada" nos Flexais se o princípio da precaução for ignorado.
🔑PALAVRAS-CHAVE:
Braskem, Maceió, Sal-Gema, Alagoas, Crime Ambiental, Flexais, UNOPS, Indenização, Defesa Civil, Geologia.
📙 GLOSSÁRIO:
Sal-gema: Minério utilizado na indústria química; sua extração descontrolada criou cavidades subterrâneas em Maceió.
Danos Não Patrimoniais: Prejuízos que afetam o psicológico, a cultura e os laços sociais, não se limitando a bens materiais.
Princípio da Precaução: Diretriz que impõe a adoção de medidas para evitar danos graves quando há incerteza científica, mas risco iminente.
Subsidência: Fenômeno de afundamento da superfície terrestre devido a alterações no subsolo.
🖥️ FONTES :
Fotos : © UNOPS / Erik J. Petterson
NOTA:
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