Crise em Cuba: Entre a propaganda de Díaz-Canel e o colapso energético
Por Redação | Maceió, AL
Enquanto a população cubana enfrenta uma das crises mais severas de sua história recente, o governo de Miguel Díaz-Canel aposta em velhas fórmulas ideológicas para tentar manter o controle narrativo. No último domingo, em Playa Girón, durante a celebração do 65º aniversário da invasão da Baía dos Porcos, o líder cubano lançou a campanha “Minha Assinatura pela Pátria”, uma iniciativa que busca coletar assinaturas para ratificar o "compromisso com a paz" e o sistema socialista.
![]() |
| Crise em Cuba: O abismo entre as cerimônias oficiais e a fome da população |
O evento, carregado de simbolismo político, contou com a assinatura do próprio Díaz-Canel e de cúpula do Partido Comunista de Cuba (PCC). No entanto, a ausência física do General Raúl Castro, de 94 anos — representado apenas por uma oferenda floral —, simbolizou para muitos o desgaste de um modelo que parece cada vez mais distante da realidade das ruas.
O Contraste: Assinaturas vs. Apagões
A encenação política em Havana e Playa Girón contrasta violentamente com o cotidiano de milhões de cubanos. O país vive um colapso energético sem precedentes:
- Apagões Crônicos: Em diversas regiões, a falta de energia ultrapassa 20 horas diárias.
- Infraestrutura em Ruínas: Em março, 10 das 16 usinas termelétricas do país estavam fora de operação. O sistema elétrico nacional entrou em colapso total sete vezes nos últimos 18 meses.
- Escassez e Inflação: Além da crise energética, a população lida com a falta de alimentos, colapso no transporte e uma inflação que corrói o poder de compra.
"Propaganda Vazia e Obsoleta"
A iniciativa de coleta de assinaturas, semelhante à realizada por Fidel Castro em 2002 para declarar o socialismo "irrevogável", foi duramente criticada por ativistas e jornalistas independentes. Para o ativista Magdiel Jorge Castro, a campanha é uma "perda de tempo em um país que enfrenta uma situação humanitária crítica".
O jornalista Mario Vallejo e o repórter Yosmany Mayeta questionam a veracidade e a espontaneidade desse apoio. Segundo Mayeta, em um sistema de forte pressão estatal, "assinar muitas vezes não significa tomar uma decisão, mas sim cumprir uma rotina ou ceder à pressão", enquanto o povo, em silêncio, aguarda ajuda externa para sobreviver.
🔑PALAVRAS-CHAVE:
Cuba, Miguel Díaz-Canel, Crise Energética, Partido Comunista de Cuba, Propaganda Política, Direitos Humanos, Apagão, Playa Girón, Socialismo, Crise Humanitária.
📙 GLOSSÁRIO:
Playa Girón: Local da histórica invasão da Baía dos Porcos (1961), frequentemente usado pelo regime para atos de mobilização nacionalista.
Colóquio Patria: Evento de comunicação e propaganda organizado pelo governo cubano para difundir sua narrativa oficial.
Termelétricas: Usinas que geram energia a partir de calor; em Cuba, a maioria opera com tecnologia obsoleta e falta de manutenção.
Bloqueio Genocida: Termo utilizado pelo governo cubano para se referir ao embargo econômico dos Estados Unidos, frequentemente citado como única causa da crise.
🖥️ FONTES :
NOTA:
O AR NEWS publica artigos de várias fontes externas que expressam uma ampla gama de pontos de vista. As posições tomadas nestes artigos não são necessariamente as do AR NEWS NOTÍCIAS.
🔴Reportar uma correção ou erro de digitação e tradução :Contato ✉️
